Páginas

sábado, 30 de maio de 2020

2

ISOLAMENTO SOCIAL TAMBÉM É TEMPO DE EDUCAÇÃO ESPIRITUAL

SEDES promove Roda de Conversa - O Saber Cuidar, a Família em 1 ...Jesus, quando em tempo de dificuldades, de não saber qual a melhor decisão a ser tomada, retirava-se para orar. Há na Bíblia, muitas passagens que retratam os retiros de Jesus. Nesses momentos, Jesus refletia. Suas reflexões se tornavam oração, quando ao orar, ele planejava como agir. Esse é o verdadeiro sentido da Oração, fazer o movimento de entrada e saída de si, do mundo interior para o exterior, de emergido em um problema, para fora dele, encontrar as soluções. Portanto, Jesus não pode ser acusado de, ao retirar-se, estar fugindo de seus problemas.

Cá estamos nós, em retiro! Esse tempo de isolamento social, também é tempo de educação espiritual. E espiritualidade é ao mesmo tempo um movimento de imanência, pois buscamos refletir em nós e sobre nós mesmos, e transcendência, pois saímos do normal que tínhamos, para buscar em retiro possíveis soluções.


Jesus buscava o deserto, a solidão, o silêncio. Nosso lar é nosso ambiente de retiro. É nele que encontramos as condições necessárias para educar-se espiritualmente. São as pessoas que ali estão, que me ajudam a compreender que minha vida só tem sentido, quando vivo alguns valores que me legitimam enquanto ser humano: a comunhão, a partilha, a convivência, o diálogo, os conflitos, a espiritualidade. Esses valores são a “chave” para abrir as portas dos novos tempos que virão após pandemia.

Economistas, cientistas sociais, políticos, administradores, entre outros, já projetam como será os novos cenários pós-pandemia. Você já parou para pensar como será o cenário da família? Durante muito tempo, os indivíduos foram controlados e disciplinados à se adaptarem, sob pressão, às instituições sociais. Hoje percebemos que, as instituições precisam, para sobreviverem nesse cenário, se adaptarem aos indivíduos. E o mais desafiante: terão que se adaptar ao indivíduo que irá voltar do retiro, mais reflexivo, menos consumista, mais orante, com outros valores.

Dessa forma, retirar-se é fazer um movimento dialético nas concepções que orientam a vida social, ou seja, perceber o que temos como realidade, colocar essa percepção no crivo da crítica e, sugestionar a partir da crítica, uma nova realidade. Essa é a educação necessária para a espiritualidade! Não para uma espiritualidade contemplativa, mas transformadora!

Quando Jesus retornava dos momentos de retiro, voltava transformado. Era outro homem, outros valores, outra espiritualidade. Acredito que é assim que voltaremos, mais humanos, com outros valores, transformados. Aproveitemos, porém, esse tempo de retiro para educar-se espiritualmente! Sugiro que esse tempo não seja apenas contemplativo, mas transformador!

Segue uma canção! É de 2017, mas te desejo em 2020 e nos anos seguintes...



((•)) Ouça este post

sábado, 23 de maio de 2020

2

INVESTIR NO CONHECIMENTO É ABRIR PORTAS PARA EVOLUÇÃO PESSOAL


Desde sempre, o homem buscou conhecer. Já na Filosofia de Aristóteles encontramos que, o homem é “um animal que, por natureza, deseja conhecer”. O que não esperávamos é que entre tantas mudanças que os tempos bicudos que vivemos pudessem nos trazer, estaria presente a possibilidade de ampliar os investimentos que podemos fazer no conhecimento.
Conhecer, significa ampliar a capacidade evolutiva de tornar-se mais. Conhecer, é abrir as portas das possibilidades. O conhecimento reflete a intenção humana de buscar no seu interior respostas e entendimentos para várias questões de contexto interno e externo. Não é de se estranhar, assim como dizia Sócrates no “conhece-te a ti mesmo”, que todo aquele que conhece, valoriza mais a vida. Só há crescimento e evolução pessoal quando adquirimos mais consciência em relação às vivências, não sendo vítimas das mesmas.

O que acontece quando conhecemos?
·      Valorizamos mais a vida;
·      Fortalecemos a nossa autoestima;
·      Ficamos mais confiantes;
·      Ficamos mais estáveis emocionalmente;
·      Temos mais consciência em relação às nossas vivências;
·      Nos frustramos menos;
·      Nos tornamos menos vulneráveis às manipulações.

Para tanto, algumas dicas:
·      Controle das emoções: Compreender sua reação/comportamento lhe trará resultados positivos.
·      Segurança: Quando me compreendo, me sinto mais seguro.
·      Independência: Quando reconheço minhas habilidades, sei me defender melhor. Não dependo da aprovação do outro para tomar decisões!
·      Fazer Boas Escolhas: Quando controlo meus sentimentos e atitudes, sou competente para fazer boas escolhas.
·      Autoestima: Quando reconheço meus pontos negativos, percebo que tenho muitos positivos.
·      Tolerância: Quando compreendo a diversidade humana, me torno mais generoso comigo mesmo, com o outro e com o mundo.
·      Limites: Quando me conheço, respeito meus limites e das pessoas que convivem comigo.
·      Otimismo: Quando me conheço, fico melhor. Dessa forma, demonstro isso para os outros.
·      Predisposição para errar: Quando aprendo com meus erros, deixo que eles me ensinem.
·      Qualidade de Vida: Quando reconheço meus defeitos e qualidades, melhoro minha qualidade de vida!

Por fim, é necessário investir na capacidade de conhecer. Conheça mais! Evolua!

((•)) Ouça este post

domingo, 17 de maio de 2020

0

ENSINAR E APRENDER EM TEMPOS DE PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE O ENSINO PRESENCIAL E ONLINE


Em tempos de pandemia COVID-19, as escolas, professores e famílias, estão buscando dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem de seus alunos e filhos. Entre tantos recursos e formas, grande parte das escolas optaram por utilizar o ambiente online, utilizando-se de diferentes ferramentas. Trago aqui, algumas reflexões sobre essa dinâmica.

1. Nossos estudantes, por serem nativos digitais, sem qualquer exagero, adaptaram-se facilmente à utilização das ferramentas digitais. A grande questão, ao meu ver, é garantir as trocas humanas, permitindo de que o ambiente digital possa efetivamente e afetivamente substanciar os elos humanos que existem no processo de ensino e aprendizagem. Essa dinâmica não pode reduzir-se apenas à transmissão de conteúdos e informações acerca daquilo que se pretende ensinar.

2. Cabe ao professor realizar a transposição didática. Tão estudada em diferentes metodologias, a transposição didática é o processo que vai do saber teórico ao saber a ser ensinado. Nesse sentido, o diálogo e a problematização do conteúdo aos diferentes contextos, é chave para que a transposição aconteça.

3.  O aluno precisa sentir-se livre e voluntário em sua aprendizagem. Esse entendimento opõem-se ao modelo tradicional de educação baseado na autoridade (quase sempre do professor) e na obrigatoriedade de rotinas, por vezes, centradas em uma hierarquia profundamente enraizada no sistema educativo das escolas. No entanto, a liberdade e o voluntariado, exige a condição da responsabilidade.

4. É necessário uma troca efetiva da comunicação entre professor e aluno. Dessa forma, a aprendizagem se torna ativa, colaborativa, autônoma, interativa, integral. As mesmas podem ser substanciadas por tarefas relevantes e criativas. O professor pode também servir-se das mesmas como forma de avaliação contínua e educativa.

5. O estudante vê aumentada a sua autonomia, quando controla seu ritmo e horário. Através da integração das múltiplas ferramentas que orientam a aprendizagem (textos, imagens, vídeos e áudios, entre outros), o aluno desenvolve variadas habilidades, sem pressões externas, reduzindo a inibição, o medo de intervir e a ansiedade produzida pelo medo em cometer erros. Dessa forma, o estudante aumenta sua autonomia (cria suas próprias orientações), proporcionando assim, uma melhor aprendizagem.

6. Risco de dispersão, sensação de solidão e esforço excessivo. Fundamentalmente, aqui é necessário a intervenção do professor. Este pode minimizar os riscos, tanto na esfera grupal, quanto na individual. Através de atitudes de mediação, o professor torna-se facilitador, orientador, supervisor (não controlador), motivador, avaliador e suporte. Para tal, necessita dispor de liberdade para explicar, clarear dúvidas, criar itinerários pedagógicos, propor debates…Esta metodologia propõe não acomodar-se diante da rigidez dos livros didáticos, das programações da aula (tradicional).

Por fim, mas não finalizando a reflexão, não se trata de pensar um programa de conteúdos, ou ainda, garantir o acesso às informações, mas conforme dito em outro momento, perceber que o essencial continua sendo as pessoas que se reúnem para pensar, colaborar umas com as outras, compartilhar informações, debate-las, mutar-se e transvalorar a dinâmica da vida. Estamos aprendendo e, quando o fizemos, também ensinamos!

((•)) Ouça este post

segunda-feira, 11 de maio de 2020

0

AVALIAÇÃO ESCOLAR EM TEMPOS DE PANDEMIA


Prof. Dr. Rudinei B. Augusti

Em tempos de Pandemia, as mudanças são sempre chaves para diferentes entendimentos. Com a avaliação escolar, não foi diferente. Logo que as escolas cancelaram temporariamente suas atividades presenciais, já houve educadores preocupados com a avaliação escolar. Fica evidente que, se essa preocupação está em latência desde o princípio, é porque ainda predomina a ideia de avaliação como classificação. Por isso, a pergunta que vai orientar essa reflexão inicial é sobre o sentido da avaliação.
A avaliação escolar pode ser um instrumento ou mesmo, um recurso para identificar, formar, repensar e repensar-se. É um diálogo constante, mesmo que ainda ofereça desencontros, que vai do professor ao estudante e, do estudante ao professor. Por esses desencontros existirem é que os mesmos devem ser pensados como estratégias de avaliação. Dentre essas, podemos pensar na relação informação e limite. Quais são os limites que pode-se atender quando a avaliação é entendida para o controle? E para a emancipação? Assim, a função do professor é sempre a orientação. Para que isso aconteça, é necessário realizar a avaliação a partir de um ambiente de confiança e, o cotidiano que estamos inseridos nos obriga à confiar.
Para que esse ambiente seja de efetiva confiança, precisamos aprender com a crise que a mesma é tempo de reflexão, onde as problemáticas ficam mais latentes, pois nem os professores estavam preparados para trabalhar online, nem todos os alunos têm facilidade com tecnologia. E ainda, atenção especial ao entendimento da parte emocional/afetiva, tanto do professor, aluno e família. De tudo isso, o que é mais estranho: Quando vamos preparar os professores para esta realidade?
Enquanto isso não acontece, alguns professores fazem o mesmo que faziam; outros, deram um passo à frente…o que se sabe é que a crise vai acelerar a mudança e, a avaliação passa a fazer parte do planejamento, determinando inclusive os conteúdos que posso ensinar.

Sugestões:
- Criar um lugar, fóruns em que se pode interagir com outros estudantes. (facilita uma avaliação muito mais ampla).
- As orientações precisam ser muito claras e precisas, para que o estudante seja um avaliador de seu processo de ensino e aprendizagem.
- Utilizar tudo que temos em mãos (e temos muitas coisas em mãos), torna a avaliação autêntica.
- Uso também de plataformas e o que elas ajudam a fazer.
- Estratégia de Avaliação: Convencer porque é preciso aprender (para que a aprendizagem não seja vista como um castigo).

De outra forma, outros entendimentos são possíveis para refletir:
- Como os estudantes são qualificados a partir das avaliações?
- Nas avaliações, não vemos a coisas como são, mas como somos.
- Avalio, como fui avaliado.
- A avaliação da aprendizagem deve se constituir como um elemento substancial do Ensino.
- Na pandemia, precisamos deixar de pensar somente no urgente e voltar os olhos para o mais importante, que nesse caso, nunca foi tão urgente.

Assim, algumas ideias, e a sugestão de um livro online: “Avaliação da e para a aprendizagem: Instrumentos e Estratégias” – Disponível em:
https://www.codeic.unam.mx/index.php/libro-evaluacion-del-y-para-el-aprendizaje/

((•)) Ouça este post

domingo, 10 de maio de 2020

0

PROFESSOR: REINVENTE-SE!


Novos tempos exigem novas posturas profissionais! Tempos incertos exigem também posturas profissionais flexíveis! E os professores não podem ficar alheios à essas novas configurações; ou seja, é tempo de se reinventar. Nesse sentido, não se pode inventar sem reconfigurar-se. É uma questão de identidade, de disciplina, saber, e claro, muita leitura. Sugiro, portanto:
- Compartilhe sua rotina. Está calcado na tradição de que o professor só trabalha quando está em sala de aula, na escola. Isso não é verdade! Por isso, conte para a pessoas como é sua (nova) rotina, seu dia de trabalho, compartilhe pequenos vídeos, imagens, áudios, reflexões.
- Todo profissional precisa de inspirações! Com o professor não é diferente! Mostre para as pessoas que você é um profissional de sucesso, que inspira outras pessoas! Não seja medíocre com sua profissão! Tenha orgulho dela! Compartilhe inspirações! Sugiro compartilhar uma dica de leitura, uma frase, um filme, enfim, tudo aquilo que lhe motiva em sua profissão!
- Mostre que você é um profissional Networking – divulgue suas parcerias, sejam elas presenciais ou online – mostre que você não está sozinho! Mostre que há uma rede de colaboradores que compartilham contigo não apenas o saber, mas suas inspirações, reflexões e anseios.
- Esteja sempre atento a novidades! Em todo momento estamos nos atualizando! Esteja ligado em lives, cursos, leituras, reflexões com colegas, grupos virtuais.
- Sua trajetória profissional é muito importante! Um bom professor não é construído da noite para o dia! Em matéria de ensinar e aprender, ninguém nasce pronto! Por isso, não se esqueça de contar sua trajetória pessoal que, além de inspirar outras pessoas, também mostra suas atualizações e o quanto isso tem significado para você!
- Produza conteúdo de significado. Escreva sobre sua área de saber. Não se esqueça de escrever colocando-se no lugar do outro, daquele que vai ler, interpretar, significar. Suas produções, seja elas vídeos, imagens, textos, lives, etc., serão criticadas...aproveite as críticas para melhorar seu conteúdo, para ampliar seu entendimento e sua capacidade criativa.
Por fim, REINVENTE-SE! Amém.



((•)) Ouça este post

domingo, 26 de abril de 2020

0

DA GESTÃO DA ESCOLA, PARA A GESTÃO ESCOLAR: QUESTÕES E CONFIGURAÇÕES QUE OS TEMPOS DE PANDEMIA CORONA VÍRUS EXIGEM


Quando se trata da Gestão Escolar, aparece fortemente a tradição da Administração Escolar. A escola era vista como uma empresa. Para dar conta da demanda de clientes, a escola deveria seguir fielmente uma organização hierárquica rígida, de controle. Nessa lógica, as pessoas se submetiam às instituições. Hoje, ao contrário, a instituição que quiser sobreviver aos desafios de nosso tempo, deverá se adaptar às pessoas. Estamos transitando da Gestão da Escola, para a Gestão Escolar. Não significa também, que houve uma separação entre as duas formas de gestão. Ocorreu, de fato, uma ressignificação do sentido das instituições, entre elas, a escola.
Portanto, trago algumas questões que configuram grandes questionamentos para a Gestão Escolar: O que aconteceu com as escolas com a Pandemia por Corona vírus? Como os sistemas de Ensino estão reagindo ao cenário? Qual é o papel da Gestão Escolar nesse cenário? Que oportunidades na educação esse cenário nos proporciona? Entre outras...

O que aconteceu? Suspensão de aulas em 160 países. 1,5 bilhões de estudantes no mundo, deixam de frequentar fisicamente suas escolas. Suspensão das aulas no Brasil, a partir do dia 20.03.2020. flexibilização de 200 dias letivos e obrigatoriedade de 800 horas, remetendo à reorganização do calendário escolar. Insegurança, pela falta de regulamentação.

Como o Sistema de Ensino reagiu: pesquisa realizada pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira – CIEB (disponível em: http://cieb.net.br/wp-content/uploads/2020/04/CIEB-Planejamento-Secretarias-de-Educac%C3%A3o-para-Ensino-Remoto-030420.pdf), mostra de que “O cenário retratado pelo levantamento é desafiador. Embora 2.520 secretarias municipais (84% dos respondentes) já tenham emitido normativas específicas – a maior parte delas determinando a suspensão das aulas presenciais ou o adiantamento de férias ou recesso escolar –, 63% ainda não orientam sobre qual estratégia de ensino remoto deve ser adotada neste período” Outro ponto de atenção é que mais de 85% das secretarias respondentes, tanto estaduais quanto municipais, não sabem ainda como farão o registro de presença nem a avaliação de aprendizagem dos estudantes sobre este período”.

Assim, na mesma fonte, podemos encontrar:

(Fonte:http://cieb.net.br/pesquisa-analisa-estrategias-de-ensino-remoto-de-secretarias-de-educacao-durante-a-crise-da-covid-19/)

Dessa forma, o cenário é instável, imprevisível e inseguro, mas algumas presunções fundamentais são necessárias:

Ser o elo de escuta entre famílias, escola e professores. Através da escuta ativa, é possível identificar quais são as possibilidades para a realização de um plano estratégico assertivo.

Compreender que o ambiente domiciliar não se configura como o ambiente escolar. Por isso, é necessário construir soluções pedagógicas que tenham caráter colaborativo-familiar para a aprendizagem do aluno. O diálogo de consenso, com propostas decisórias claras, torna a gestão mais eficiente e efetiva.

Apoiar a organização da gestão de ensino, valorizando os professores, propondo novos métodos, integrando-os em um contexto de cooperação do conteúdo, metodologia e avaliação, bem como na gestão psicoafetiva desse profissional.
E, quem sabe, o maio desafio: transpor práticas presenciais para a modalidade domiciliar, sem perder de vista o ser humano e toda sua complexidade. Transpor, não é transportar, mas compreender o saber e o fazer escolar a partir de outra dinâmica social, a domiciliar.

As oportunidades surgem da abertura para o diálogo e a constante análise do cenário, que são boas orientações para a construção da pauta do gestor escolar. Dessa forma, ações coordenadas, plano estratégico, trabalho remoto, orientação pública efetiva, suporte técnico e emocional, valorização dos professores e apoio às famílias, são pontos que não podem faltar nessa pauta e que, afirmam que a instituição está se adaptando às pessoas.

Deixo minha mensagem final, para pensar: “Não há isolamento em educação. Estamos todos conectados uns aos outros. Estamos aprendendo e ensinando em todos os tempos e lugares. Ensinar e aprender ao mesmo tempo, em diferentes lugares, é estar no mesmo lugar, o lugar do outro. No lugar do outro, encontrar o lugar de cada um, o lugar de ensinar e aprender!”

((•)) Ouça este post

segunda-feira, 6 de abril de 2020

0

O RETORNO ÀS COISAS MESMAS! COMO SERÁ A VIDA PÓS-CORONA?



Prof. Dr. Rudinei B Augusti
rudinei.augusti@gmail.com

Amor nos tempos de corona": casos vão de date adiado à lua de mel ...
https://conteudo.imguol.com.br/c/entretenimento/c0/2020/03/13/casal-com-mascaras-coronavirus-1584130868741_v2_450x337.jpg
“A vida é angústia!” – já dizia Soren Kierkegaard, filósofo dinamarquês. Ela é angústia, mas ensina! A vida ensina…a maior dificuldade do ser humano, porém, é aprender. Mas, Willian Shakespeare afirmou que “[…] um dia a gente aprende!”. Pode levar tempo, mas aprendemos. De fato, as experiências, sejam elas trágicas ou mais prazerosas nos ensinam. Então, depois que aprendemos, parafraseando Albert Einstein, a nossa mente jamais volta ao seu tamanho original.
Estamos vivenciando diariamente o retorno às coisas mesmas. A proximidade familiar que está possibilitando diferentes convivências e tensionamentos de toda ordem no ambiente doméstico, nos ensina que retornar ao convívio familiar é resgatar o quanto de humanidade que há em nós. É no trato com as pessoas que amamos, que significamos a nossa essência, a nossa humanidade.

A Escola não será mais a mesma. Não faz muito tempo que as crianças iam para a escola com belos exemplos disciplinares e aprendizagens essenciais que aprendiam em casa. Além de aprender a escrever, desenvolver operações matemáticas básicas, as crianças chegavam disciplinadas na escola pois conviviam mais tempo no ambiente da casa. Que bela aprendizagem! Com o tempo, tudo isso foi sendo esquecido, substituído pela lógica de que era papel da escola desenvolver essas atividades.

A família não será mais a mesma. Hoje, podemos refletir sobre a grandeza que é o ambiente familiar em relação à educação de nossos filhos. Percebemos que nessa nova rotina, eles acordam conosco, se alimentam ao nosso lado, lamentam-se, choram, pedem, riem, brincam, etc., sensíveis à isso, podemos até perceber, mesmo com toda tensão adulta sobre a realidade, que eles esconde uma alegria ingênua diante dos acontecimentos, e que vai contaminando nossos dias.

O trabalho não será mais o mesmo. Não iremos produzir quantidade, mas relações de qualidade. O trabalho não apenas buscará satisfazer o ego consumista e egoísta de quem lucra, mas estamos percebendo que o trabalho pode ser criativo, sem ser oprimido. Os que insistirão com a velha lógica do trabalho (explorador sobre explorado), não terá outro caminho a não ser a falência.

As relações humanas não serão mais as mesmas. Perder nos ensina solidariedade. Solidariedade não é doação, mas troca! Estamos percebendo que podemos trocar o isolamento pelo encontro. Estamos vivenciando pequenas relações que nos tornam grandes homens. A solidariedade nos mostra que não é descargo de consciência, mas reflexão sobre a nossa essência.

O mercado não será mais o mesmo. Da lógica capitalista de produção, consumo e geração de lixo, para o aproveitamento dos recursos e a boa gestão do alimento. Tudo passa pelo crivo do retorno ao cuidado com o outro. Diminui com isso a poluição, a contaminação, o barulho, os ruídos e aumenta a vida! Não será possível viver a partir da lógica do individualismo, mas da cooperação!

Você não será mais o (a) mesmo (a)! Você está mudando! Todos estamos mudando! Ou mudamos, ou não teremos a possibilidade de mudar! Quando tudo passar, veremos que a vida será mais bela, mais solidária, mais humana, livre e digna! Estamos compreendendo que mudar não é mais uma questão de escolha, mas de necessidade!
((•)) Ouça este post

segunda-feira, 30 de março de 2020

0

A CULTURA E OS LIMITES HUMANOS


O que diferencia o ser humano dos outros animais é o fato de o ser humano ser produtor de cultura. Desde o início de nossa civilização, do momento em que saímos do estado de natureza e inventamos a vida social, sempre estamos em constante processo de produção de cultura. Ela é inevitável. Seu regresso, significa o retorno à condição animal, grotesca e pitoresca da civilização humana.
A cultura é, em nossos tempos, a chave de entendimento sobre os rumos que podemos ou que devemos perseguir para a humanidade. Percebe-se que, quanto menos a reflexão constituir a base da cultura, tanto mais frágil se torna os fundamentos da continuidade da vida na terra. Ouso ainda em dizer que, substituir a cultura das humanidades pela cultura do dinheiro, é quem sabe hoje, nesse momento, a maior ameaça.
A cultura e o trabalho, em especial, esse segundo, constitui o desenvolvimento do humano em humano. Lembrar que o trabalho humano dignifica o homem; enquanto que, o trabalho que mascara as relações de exploração do homem sobre o homem, em busca do dinheiro, é cruel quando se trata da existência das relações mínimas de existência. Assim sendo, nem toda forma de trabalho produz cultura humana.
O trabalho não é a única possibilidade de ampliar a condição cultural de um ser humano. O trabalho é sim, uma das formas de materialização dos ideais que constituem a cultura. Nessa relação de materialização, há que se dizer, o não estranhamento do trabalho como atividade de exploração do homem sobre o homem, torna a própria transformação da matéria em coisa, a coisificação do próprio homem. Coisificar é tornar banal, sem sentido.
Por último, a cultura é o elemento central da vida humana, uma vez que sobre ela pairam os ideais de sociedade, religião, economia, sonhos, esperanças, etc. Negar a cultura, é tirar daquele que só a tem, a única possibilidade de continuar.

((•)) Ouça este post

domingo, 29 de setembro de 2019

0

NÃO PODE HAVER DOCÊNCIA, ONDE NÃO HÁ DECÊNCIA!

Não há possibilidade de ser docente, sem ser decente!

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário respeitar os saberes e as práticas do outro, sejam elas consensuais e coletivas ou reflexões individuais.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário também promover a autonomia do outro, independente de sua idade, cor, sexo, religião, classe social, condição social, etc.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender a forma como o outro apreende a realidade, seja na dimensão particular ou coletiva.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que a educação só é emancipatória quando é dialógica por natureza; quando ao dialogar sobre e com a condição humana e social, surgem os estranhamentos da realidade, a crítica ao fetiche do consumismo, as formas ocultas de dominação, de opressão.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário vivenciar o diálogo como práxis, condenando a manipulação, a sloganização, a subordinação e a crueldade com que o sistema opressor capitalista promove uns poucos em detrimento de outros muitos.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário romper com qualquer situação de dependência paternalista, considerando que o bom “pai”, é aquele que ensina a caminhar e não aquele que carrega nos braços seu filho pela vida toda.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que, é no encontro amoroso dos homens, mediados pelo diálogo crítico, que os mesmos se humanizam, superando qualquer condição de objetificação da vida.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário ter uma visão política que considere, antes de tudo, o ser humano; em que a principal arma e a marcha, não seja bélica ou dos exércitos, mas o saber que promove a luta de homens e mulheres na condição de pais e mães, trabalhadores e trabalhadoras, que no cotidiano da vida, lutam no sustento de seus filhos.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário sê-lo em sua condição mais íntegra de ser humano, que reconhece sê-lo, assumindo a docência como lugar de transformação da sua vida, do outro, e de todos os que nela ensinam e aprendem.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário saber que, não há ninguém que não tenha ou possa ensinar e, não há aquele que não tenha o que aprender!

((•)) Ouça este post