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domingo, 17 de maio de 2020

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ENSINAR E APRENDER EM TEMPOS DE PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE O ENSINO PRESENCIAL E ONLINE


Em tempos de pandemia COVID-19, as escolas, professores e famílias, estão buscando dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem de seus alunos e filhos. Entre tantos recursos e formas, grande parte das escolas optaram por utilizar o ambiente online, utilizando-se de diferentes ferramentas. Trago aqui, algumas reflexões sobre essa dinâmica.

1. Nossos estudantes, por serem nativos digitais, sem qualquer exagero, adaptaram-se facilmente à utilização das ferramentas digitais. A grande questão, ao meu ver, é garantir as trocas humanas, permitindo de que o ambiente digital possa efetivamente e afetivamente substanciar os elos humanos que existem no processo de ensino e aprendizagem. Essa dinâmica não pode reduzir-se apenas à transmissão de conteúdos e informações acerca daquilo que se pretende ensinar.

2. Cabe ao professor realizar a transposição didática. Tão estudada em diferentes metodologias, a transposição didática é o processo que vai do saber teórico ao saber a ser ensinado. Nesse sentido, o diálogo e a problematização do conteúdo aos diferentes contextos, é chave para que a transposição aconteça.

3.  O aluno precisa sentir-se livre e voluntário em sua aprendizagem. Esse entendimento opõem-se ao modelo tradicional de educação baseado na autoridade (quase sempre do professor) e na obrigatoriedade de rotinas, por vezes, centradas em uma hierarquia profundamente enraizada no sistema educativo das escolas. No entanto, a liberdade e o voluntariado, exige a condição da responsabilidade.

4. É necessário uma troca efetiva da comunicação entre professor e aluno. Dessa forma, a aprendizagem se torna ativa, colaborativa, autônoma, interativa, integral. As mesmas podem ser substanciadas por tarefas relevantes e criativas. O professor pode também servir-se das mesmas como forma de avaliação contínua e educativa.

5. O estudante vê aumentada a sua autonomia, quando controla seu ritmo e horário. Através da integração das múltiplas ferramentas que orientam a aprendizagem (textos, imagens, vídeos e áudios, entre outros), o aluno desenvolve variadas habilidades, sem pressões externas, reduzindo a inibição, o medo de intervir e a ansiedade produzida pelo medo em cometer erros. Dessa forma, o estudante aumenta sua autonomia (cria suas próprias orientações), proporcionando assim, uma melhor aprendizagem.

6. Risco de dispersão, sensação de solidão e esforço excessivo. Fundamentalmente, aqui é necessário a intervenção do professor. Este pode minimizar os riscos, tanto na esfera grupal, quanto na individual. Através de atitudes de mediação, o professor torna-se facilitador, orientador, supervisor (não controlador), motivador, avaliador e suporte. Para tal, necessita dispor de liberdade para explicar, clarear dúvidas, criar itinerários pedagógicos, propor debates…Esta metodologia propõe não acomodar-se diante da rigidez dos livros didáticos, das programações da aula (tradicional).

Por fim, mas não finalizando a reflexão, não se trata de pensar um programa de conteúdos, ou ainda, garantir o acesso às informações, mas conforme dito em outro momento, perceber que o essencial continua sendo as pessoas que se reúnem para pensar, colaborar umas com as outras, compartilhar informações, debate-las, mutar-se e transvalorar a dinâmica da vida. Estamos aprendendo e, quando o fizemos, também ensinamos!

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segunda-feira, 11 de maio de 2020

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AVALIAÇÃO ESCOLAR EM TEMPOS DE PANDEMIA


Prof. Dr. Rudinei B. Augusti

Em tempos de Pandemia, as mudanças são sempre chaves para diferentes entendimentos. Com a avaliação escolar, não foi diferente. Logo que as escolas cancelaram temporariamente suas atividades presenciais, já houve educadores preocupados com a avaliação escolar. Fica evidente que, se essa preocupação está em latência desde o princípio, é porque ainda predomina a ideia de avaliação como classificação. Por isso, a pergunta que vai orientar essa reflexão inicial é sobre o sentido da avaliação.
A avaliação escolar pode ser um instrumento ou mesmo, um recurso para identificar, formar, repensar e repensar-se. É um diálogo constante, mesmo que ainda ofereça desencontros, que vai do professor ao estudante e, do estudante ao professor. Por esses desencontros existirem é que os mesmos devem ser pensados como estratégias de avaliação. Dentre essas, podemos pensar na relação informação e limite. Quais são os limites que pode-se atender quando a avaliação é entendida para o controle? E para a emancipação? Assim, a função do professor é sempre a orientação. Para que isso aconteça, é necessário realizar a avaliação a partir de um ambiente de confiança e, o cotidiano que estamos inseridos nos obriga à confiar.
Para que esse ambiente seja de efetiva confiança, precisamos aprender com a crise que a mesma é tempo de reflexão, onde as problemáticas ficam mais latentes, pois nem os professores estavam preparados para trabalhar online, nem todos os alunos têm facilidade com tecnologia. E ainda, atenção especial ao entendimento da parte emocional/afetiva, tanto do professor, aluno e família. De tudo isso, o que é mais estranho: Quando vamos preparar os professores para esta realidade?
Enquanto isso não acontece, alguns professores fazem o mesmo que faziam; outros, deram um passo à frente…o que se sabe é que a crise vai acelerar a mudança e, a avaliação passa a fazer parte do planejamento, determinando inclusive os conteúdos que posso ensinar.

Sugestões:
- Criar um lugar, fóruns em que se pode interagir com outros estudantes. (facilita uma avaliação muito mais ampla).
- As orientações precisam ser muito claras e precisas, para que o estudante seja um avaliador de seu processo de ensino e aprendizagem.
- Utilizar tudo que temos em mãos (e temos muitas coisas em mãos), torna a avaliação autêntica.
- Uso também de plataformas e o que elas ajudam a fazer.
- Estratégia de Avaliação: Convencer porque é preciso aprender (para que a aprendizagem não seja vista como um castigo).

De outra forma, outros entendimentos são possíveis para refletir:
- Como os estudantes são qualificados a partir das avaliações?
- Nas avaliações, não vemos a coisas como são, mas como somos.
- Avalio, como fui avaliado.
- A avaliação da aprendizagem deve se constituir como um elemento substancial do Ensino.
- Na pandemia, precisamos deixar de pensar somente no urgente e voltar os olhos para o mais importante, que nesse caso, nunca foi tão urgente.

Assim, algumas ideias, e a sugestão de um livro online: “Avaliação da e para a aprendizagem: Instrumentos e Estratégias” – Disponível em:
https://www.codeic.unam.mx/index.php/libro-evaluacion-del-y-para-el-aprendizaje/

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domingo, 10 de maio de 2020

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PROFESSOR: REINVENTE-SE!


Novos tempos exigem novas posturas profissionais! Tempos incertos exigem também posturas profissionais flexíveis! E os professores não podem ficar alheios à essas novas configurações; ou seja, é tempo de se reinventar. Nesse sentido, não se pode inventar sem reconfigurar-se. É uma questão de identidade, de disciplina, saber, e claro, muita leitura. Sugiro, portanto:
- Compartilhe sua rotina. Está calcado na tradição de que o professor só trabalha quando está em sala de aula, na escola. Isso não é verdade! Por isso, conte para a pessoas como é sua (nova) rotina, seu dia de trabalho, compartilhe pequenos vídeos, imagens, áudios, reflexões.
- Todo profissional precisa de inspirações! Com o professor não é diferente! Mostre para as pessoas que você é um profissional de sucesso, que inspira outras pessoas! Não seja medíocre com sua profissão! Tenha orgulho dela! Compartilhe inspirações! Sugiro compartilhar uma dica de leitura, uma frase, um filme, enfim, tudo aquilo que lhe motiva em sua profissão!
- Mostre que você é um profissional Networking – divulgue suas parcerias, sejam elas presenciais ou online – mostre que você não está sozinho! Mostre que há uma rede de colaboradores que compartilham contigo não apenas o saber, mas suas inspirações, reflexões e anseios.
- Esteja sempre atento a novidades! Em todo momento estamos nos atualizando! Esteja ligado em lives, cursos, leituras, reflexões com colegas, grupos virtuais.
- Sua trajetória profissional é muito importante! Um bom professor não é construído da noite para o dia! Em matéria de ensinar e aprender, ninguém nasce pronto! Por isso, não se esqueça de contar sua trajetória pessoal que, além de inspirar outras pessoas, também mostra suas atualizações e o quanto isso tem significado para você!
- Produza conteúdo de significado. Escreva sobre sua área de saber. Não se esqueça de escrever colocando-se no lugar do outro, daquele que vai ler, interpretar, significar. Suas produções, seja elas vídeos, imagens, textos, lives, etc., serão criticadas...aproveite as críticas para melhorar seu conteúdo, para ampliar seu entendimento e sua capacidade criativa.
Por fim, REINVENTE-SE! Amém.



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domingo, 26 de abril de 2020

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DA GESTÃO DA ESCOLA, PARA A GESTÃO ESCOLAR: QUESTÕES E CONFIGURAÇÕES QUE OS TEMPOS DE PANDEMIA CORONA VÍRUS EXIGEM


Quando se trata da Gestão Escolar, aparece fortemente a tradição da Administração Escolar. A escola era vista como uma empresa. Para dar conta da demanda de clientes, a escola deveria seguir fielmente uma organização hierárquica rígida, de controle. Nessa lógica, as pessoas se submetiam às instituições. Hoje, ao contrário, a instituição que quiser sobreviver aos desafios de nosso tempo, deverá se adaptar às pessoas. Estamos transitando da Gestão da Escola, para a Gestão Escolar. Não significa também, que houve uma separação entre as duas formas de gestão. Ocorreu, de fato, uma ressignificação do sentido das instituições, entre elas, a escola.
Portanto, trago algumas questões que configuram grandes questionamentos para a Gestão Escolar: O que aconteceu com as escolas com a Pandemia por Corona vírus? Como os sistemas de Ensino estão reagindo ao cenário? Qual é o papel da Gestão Escolar nesse cenário? Que oportunidades na educação esse cenário nos proporciona? Entre outras...

O que aconteceu? Suspensão de aulas em 160 países. 1,5 bilhões de estudantes no mundo, deixam de frequentar fisicamente suas escolas. Suspensão das aulas no Brasil, a partir do dia 20.03.2020. flexibilização de 200 dias letivos e obrigatoriedade de 800 horas, remetendo à reorganização do calendário escolar. Insegurança, pela falta de regulamentação.

Como o Sistema de Ensino reagiu: pesquisa realizada pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira – CIEB (disponível em: http://cieb.net.br/wp-content/uploads/2020/04/CIEB-Planejamento-Secretarias-de-Educac%C3%A3o-para-Ensino-Remoto-030420.pdf), mostra de que “O cenário retratado pelo levantamento é desafiador. Embora 2.520 secretarias municipais (84% dos respondentes) já tenham emitido normativas específicas – a maior parte delas determinando a suspensão das aulas presenciais ou o adiantamento de férias ou recesso escolar –, 63% ainda não orientam sobre qual estratégia de ensino remoto deve ser adotada neste período” Outro ponto de atenção é que mais de 85% das secretarias respondentes, tanto estaduais quanto municipais, não sabem ainda como farão o registro de presença nem a avaliação de aprendizagem dos estudantes sobre este período”.

Assim, na mesma fonte, podemos encontrar:

(Fonte:http://cieb.net.br/pesquisa-analisa-estrategias-de-ensino-remoto-de-secretarias-de-educacao-durante-a-crise-da-covid-19/)

Dessa forma, o cenário é instável, imprevisível e inseguro, mas algumas presunções fundamentais são necessárias:

Ser o elo de escuta entre famílias, escola e professores. Através da escuta ativa, é possível identificar quais são as possibilidades para a realização de um plano estratégico assertivo.

Compreender que o ambiente domiciliar não se configura como o ambiente escolar. Por isso, é necessário construir soluções pedagógicas que tenham caráter colaborativo-familiar para a aprendizagem do aluno. O diálogo de consenso, com propostas decisórias claras, torna a gestão mais eficiente e efetiva.

Apoiar a organização da gestão de ensino, valorizando os professores, propondo novos métodos, integrando-os em um contexto de cooperação do conteúdo, metodologia e avaliação, bem como na gestão psicoafetiva desse profissional.
E, quem sabe, o maio desafio: transpor práticas presenciais para a modalidade domiciliar, sem perder de vista o ser humano e toda sua complexidade. Transpor, não é transportar, mas compreender o saber e o fazer escolar a partir de outra dinâmica social, a domiciliar.

As oportunidades surgem da abertura para o diálogo e a constante análise do cenário, que são boas orientações para a construção da pauta do gestor escolar. Dessa forma, ações coordenadas, plano estratégico, trabalho remoto, orientação pública efetiva, suporte técnico e emocional, valorização dos professores e apoio às famílias, são pontos que não podem faltar nessa pauta e que, afirmam que a instituição está se adaptando às pessoas.

Deixo minha mensagem final, para pensar: “Não há isolamento em educação. Estamos todos conectados uns aos outros. Estamos aprendendo e ensinando em todos os tempos e lugares. Ensinar e aprender ao mesmo tempo, em diferentes lugares, é estar no mesmo lugar, o lugar do outro. No lugar do outro, encontrar o lugar de cada um, o lugar de ensinar e aprender!”

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

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O RETORNO ÀS COISAS MESMAS! COMO SERÁ A VIDA PÓS-CORONA?



Prof. Dr. Rudinei B Augusti
rudinei.augusti@gmail.com

Amor nos tempos de corona": casos vão de date adiado à lua de mel ...
https://conteudo.imguol.com.br/c/entretenimento/c0/2020/03/13/casal-com-mascaras-coronavirus-1584130868741_v2_450x337.jpg
“A vida é angústia!” – já dizia Soren Kierkegaard, filósofo dinamarquês. Ela é angústia, mas ensina! A vida ensina…a maior dificuldade do ser humano, porém, é aprender. Mas, Willian Shakespeare afirmou que “[…] um dia a gente aprende!”. Pode levar tempo, mas aprendemos. De fato, as experiências, sejam elas trágicas ou mais prazerosas nos ensinam. Então, depois que aprendemos, parafraseando Albert Einstein, a nossa mente jamais volta ao seu tamanho original.
Estamos vivenciando diariamente o retorno às coisas mesmas. A proximidade familiar que está possibilitando diferentes convivências e tensionamentos de toda ordem no ambiente doméstico, nos ensina que retornar ao convívio familiar é resgatar o quanto de humanidade que há em nós. É no trato com as pessoas que amamos, que significamos a nossa essência, a nossa humanidade.

A Escola não será mais a mesma. Não faz muito tempo que as crianças iam para a escola com belos exemplos disciplinares e aprendizagens essenciais que aprendiam em casa. Além de aprender a escrever, desenvolver operações matemáticas básicas, as crianças chegavam disciplinadas na escola pois conviviam mais tempo no ambiente da casa. Que bela aprendizagem! Com o tempo, tudo isso foi sendo esquecido, substituído pela lógica de que era papel da escola desenvolver essas atividades.

A família não será mais a mesma. Hoje, podemos refletir sobre a grandeza que é o ambiente familiar em relação à educação de nossos filhos. Percebemos que nessa nova rotina, eles acordam conosco, se alimentam ao nosso lado, lamentam-se, choram, pedem, riem, brincam, etc., sensíveis à isso, podemos até perceber, mesmo com toda tensão adulta sobre a realidade, que eles esconde uma alegria ingênua diante dos acontecimentos, e que vai contaminando nossos dias.

O trabalho não será mais o mesmo. Não iremos produzir quantidade, mas relações de qualidade. O trabalho não apenas buscará satisfazer o ego consumista e egoísta de quem lucra, mas estamos percebendo que o trabalho pode ser criativo, sem ser oprimido. Os que insistirão com a velha lógica do trabalho (explorador sobre explorado), não terá outro caminho a não ser a falência.

As relações humanas não serão mais as mesmas. Perder nos ensina solidariedade. Solidariedade não é doação, mas troca! Estamos percebendo que podemos trocar o isolamento pelo encontro. Estamos vivenciando pequenas relações que nos tornam grandes homens. A solidariedade nos mostra que não é descargo de consciência, mas reflexão sobre a nossa essência.

O mercado não será mais o mesmo. Da lógica capitalista de produção, consumo e geração de lixo, para o aproveitamento dos recursos e a boa gestão do alimento. Tudo passa pelo crivo do retorno ao cuidado com o outro. Diminui com isso a poluição, a contaminação, o barulho, os ruídos e aumenta a vida! Não será possível viver a partir da lógica do individualismo, mas da cooperação!

Você não será mais o (a) mesmo (a)! Você está mudando! Todos estamos mudando! Ou mudamos, ou não teremos a possibilidade de mudar! Quando tudo passar, veremos que a vida será mais bela, mais solidária, mais humana, livre e digna! Estamos compreendendo que mudar não é mais uma questão de escolha, mas de necessidade!
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segunda-feira, 30 de março de 2020

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A CULTURA E OS LIMITES HUMANOS


O que diferencia o ser humano dos outros animais é o fato de o ser humano ser produtor de cultura. Desde o início de nossa civilização, do momento em que saímos do estado de natureza e inventamos a vida social, sempre estamos em constante processo de produção de cultura. Ela é inevitável. Seu regresso, significa o retorno à condição animal, grotesca e pitoresca da civilização humana.
A cultura é, em nossos tempos, a chave de entendimento sobre os rumos que podemos ou que devemos perseguir para a humanidade. Percebe-se que, quanto menos a reflexão constituir a base da cultura, tanto mais frágil se torna os fundamentos da continuidade da vida na terra. Ouso ainda em dizer que, substituir a cultura das humanidades pela cultura do dinheiro, é quem sabe hoje, nesse momento, a maior ameaça.
A cultura e o trabalho, em especial, esse segundo, constitui o desenvolvimento do humano em humano. Lembrar que o trabalho humano dignifica o homem; enquanto que, o trabalho que mascara as relações de exploração do homem sobre o homem, em busca do dinheiro, é cruel quando se trata da existência das relações mínimas de existência. Assim sendo, nem toda forma de trabalho produz cultura humana.
O trabalho não é a única possibilidade de ampliar a condição cultural de um ser humano. O trabalho é sim, uma das formas de materialização dos ideais que constituem a cultura. Nessa relação de materialização, há que se dizer, o não estranhamento do trabalho como atividade de exploração do homem sobre o homem, torna a própria transformação da matéria em coisa, a coisificação do próprio homem. Coisificar é tornar banal, sem sentido.
Por último, a cultura é o elemento central da vida humana, uma vez que sobre ela pairam os ideais de sociedade, religião, economia, sonhos, esperanças, etc. Negar a cultura, é tirar daquele que só a tem, a única possibilidade de continuar.

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domingo, 29 de setembro de 2019

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NÃO PODE HAVER DOCÊNCIA, ONDE NÃO HÁ DECÊNCIA!

Não há possibilidade de ser docente, sem ser decente!

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário respeitar os saberes e as práticas do outro, sejam elas consensuais e coletivas ou reflexões individuais.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário também promover a autonomia do outro, independente de sua idade, cor, sexo, religião, classe social, condição social, etc.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender a forma como o outro apreende a realidade, seja na dimensão particular ou coletiva.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que a educação só é emancipatória quando é dialógica por natureza; quando ao dialogar sobre e com a condição humana e social, surgem os estranhamentos da realidade, a crítica ao fetiche do consumismo, as formas ocultas de dominação, de opressão.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário vivenciar o diálogo como práxis, condenando a manipulação, a sloganização, a subordinação e a crueldade com que o sistema opressor capitalista promove uns poucos em detrimento de outros muitos.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário romper com qualquer situação de dependência paternalista, considerando que o bom “pai”, é aquele que ensina a caminhar e não aquele que carrega nos braços seu filho pela vida toda.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que, é no encontro amoroso dos homens, mediados pelo diálogo crítico, que os mesmos se humanizam, superando qualquer condição de objetificação da vida.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário ter uma visão política que considere, antes de tudo, o ser humano; em que a principal arma e a marcha, não seja bélica ou dos exércitos, mas o saber que promove a luta de homens e mulheres na condição de pais e mães, trabalhadores e trabalhadoras, que no cotidiano da vida, lutam no sustento de seus filhos.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário sê-lo em sua condição mais íntegra de ser humano, que reconhece sê-lo, assumindo a docência como lugar de transformação da sua vida, do outro, e de todos os que nela ensinam e aprendem.

Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário saber que, não há ninguém que não tenha ou possa ensinar e, não há aquele que não tenha o que aprender!

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

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A EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DIREITOS DAS CRIANÇAS

Ser criança…eis um tempo e espaço onde se configuram uma gama de Direitos. Esses direitos estão outorgados na Declaração Universal dos Direitos das Crianças (UNICEF – 1959). A Educação Infantil, em seus princípios e objetivos, obedece esta e toda orientação ainda dada pela Legislação específica em Educação presente em nossa Constituição Federal, bem como seus segmentos.
No Princípio I da Declaração Universal dos Direitos das Crianças, há a afirmação do direitos especial de proteção para o desenvolvimento físico, mental e social da criança. Pensar, portanto, na Educação Infantil como protetiva desses princípios é negar toda e qualquer forma de clausura, alienação ou isolamento do ser infantil, que em muitos casos, estão presentes de forma oculta na rotina das escolas.
No Princípio II da mesma Declaração, cita as “[…] condições de liberdade e dignidade”. Permitir que a criança tenha essas condições, é inseri-la em um mundo de relações, onde não obstante, a mesma irá se deparar com conflitos internos de seu desenvolvimento e na relação com os outros. Nesse sentido, cabe ao adulto mediar os mesmos, evitando que as condições de Liberdade e Dignidade sejam sempre preservadas.
No Princípio VI, afirma que a criança necessita de amor e compreensão para o seu pleno desenvolvimento de sua personalidade; e esta premissa está sob a responsabilidade de seus pais. Sabe-se, porém, que quando compartilhada essa responsabilidade com a escola, é e está na ética profissional dos educadores comunicarem de forma imediata aos pais através dos meios efetivos que a escola dispõe, todo e qualquer acontecimento que não corresponda ao pleno desenvolvimento da criança, uma vez que, os pais, munidos desse saber, possam tomar as iniciativas cabíveis.
O Princípio VII reza a oferta e participação da criança, dos pais e da escola na Educação, que afirma, porém, o direito de receber uma educação que favoreça a cultura (em especial, a da paz), igualdade de oportunidades, o senso de responsabilidade social e moral (e não disciplinar no sentido restrito da palavra). Responsabilidade social e moral – refere-se, porém, ao desenvolvimento integral do indivíduo, entre elas, a obediência às normas sem qualquer tipo de violência, seja física ou moral. O interesse primeiro e superior ao da criança, e a responsabilidade é dos pais. Portanto, estes são os protetores legais de seus filhos, e não outros que participam de forma secundária da formação da criança.
No Princípio IX, cita o abandono e a crueldade. Qualquer tipo de clausura configura crueldade. A liberdade plena garante a proteção e o cuidado. Diante do abandono, em especial de incapaz sem suas relações de fala, ação, ou pedido de socorro, fere a dignidade da pessoa humana – nesse caso, da criança. É lamentável saber que, em muitas escolas o abandono e a crueldade são elementos ocultos do e no processo educativo.
Qualquer tipo de clausura configura crueldade!
Para finalizar, cito o Princípio X, onde reza que a educação deve ser dada em um espírito de compreensão, tolerância, amizade, paz, fraternidade e que, dessa forma, todo educador deve ter suas atitudes consagradas ao serviço dos seus semelhantes.

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domingo, 24 de junho de 2018

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PROPOSTAS DE FORMAÇÃO CONTINUADA
PROF. RUDINEI B. AUGUSTI

Abaixo, folder em imagem contendo informações sobre as palestras, cursos, temas, contatos, etc. Se ainda preferir, faça download do arquivo aqui


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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

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Teoria Crítica de Currículo em Giroux como Enfrentamento do Espaço de Reprodução na Formação Continuada de Professores

O docente da SETREM, doutorando Rudinei Barichello Augusti, teve artigo publicado na Revista Internacional de Educação Superior (RIESup), da Unicamp, de Campinas – SP, através do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisa sobre Educação Superior (GIEPES). A Revista é conceituada e na área de Educação tem Qualis B1. O artigo de Augusti é intitulado "Teoria Crítica de Currículo em Giroux como Enfrentamento do Espaço de Reprodução na Formação Continuada de Professores”. A publicação está disponível na plataforma de hospedagem de periódicos da instituição de São Paulo, no link http://ojs.fe.unicamp.br
O artigo apresenta e discute a Teoria Crítica e sua construção a partir da Escola de Frankfurt, o Currículo em Giroux, a formação continuada de professores, suas implicações teóricas bibliográficas e, por fim, como ocorre o enfrentamento da reprodução no âmbito da formação continuada de professores. "Nele, discutimos a importância da Teoria Crítica como elemento central no currículo de formação continuada de professores, bem como o enfrentamento da reprodução a partir da racionalidade técnica. Cabe dizer, na perspectiva da reflexão crítica, que os professores avançam em um processo de enfrentamento quando superam a racionalidade técnica por meio da reflexão sobre sua prática e sua formação continuada a partir da pesquisa-ação”, explica Augusti.
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A Base Nacional Comum Curricular e a Superação de Conflitos em um Projeto Educativo

O docente da SETREM, doutorando Rudinei Barichello Augusti, teve artigo publicado na Revista "Form@re, publicação do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O artigo "A Base Nacional Comum Curricular e a Superação de Conflitos em um Projeto Educativo" está disponível no link http://www.ojs.ufpi.br/index.php/parfor/article/view/5633. A Revista é conceituada na área de Educação e tem Qualis B5. Augusti é filósofo, mestre e doutorando em Educação nas Ciências pela Unijuí, docente, pesquisador e extensionista da SETREM. Em julho, Augusti teve outro artigo publicado na Revista Internacional de Educação Superior (RIESup), da Unicamp, de Campinas – SP, através do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisa sobre Educação Superior (GIEPES).
O artigo na revista da UFPI compreende o estudo, revisão, investigação, sobre a Base Nacional Comum Curricular, bem como aborda a superação de conflitos para o desenvolvimento do projeto educativo. "Nele apresento a fundamentação legal da Base Nacional Comum Curricular, bem como, de que forma esses elementos legais foram se tornando legítimos no decorrer da história”, explica Augusti. O doutorando observa que após a fundamentação dos aspectos legais, históricos, culturais e sociais da Base, apresenta-se duas barreiras e três conflitos que precisam ser superados na dinâmica da Base Nacional Comum Curricular.
De acordo com o docente, a primeira barreira imposta ao currículo escolar refere-se ao afastamento do professor, do aluno, do agente educacional e dos pais, do exercício político-pedagógico e educacional das escolas. A segunda, conforme Augusti, é consequência do veio da Pedagogia Tradicional, que emprega a existência de um conhecimento exterior e prévio da escola que deve ser apreendido e aprendido por ela. Já os conflitos são a superação da racionalidade técnica, a superação da epistemologia reguladora e, a superação dos conflitos culturais. "Nesse sentido, o que se busca é compreender a Base Nacional Comum Curricular a partir de seu contexto imbricado pedagógica e politicamente”, enfatiza.
Para o doutorando, a Base Nacional Comum Curricular precisa ser construída a luz de um projeto de sociedade que considere os embates culturais e políticos. "Para tanto necessita compreender o currículo como um espaço socialmente construído, elaborado e sistematizado, em uma perspectiva crítica, que fomente o humano como elemento central”, observa. Augusti pondera que, embora as escolas tenham autonomia relativa e compromisso em garantir o direito à educação de qualidade, é de fundamental importância que as escolas, através da superação dos conflitos epistemológicos, propunham-se a colaborar através de suas experiências exitosas vivenciadas pelos educadores no cotidiano das escolas. Ele afirma que estas experiências são os fundamentos da transposição do saber curricular para a compreensão social do ensino-aprendizagem.
Por último, ele salienta que é imprescindível que a formulação, discussão e aplicação da Base Nacional Comum Curricular considere o processo democrático que envolva todos os atores educacionais no sentido da melhoria de suas práticas sociais. Para tanto, a superação da racionalidade técnica, a superação da epistemologia reguladora e, a superação dos conflitos culturais, representam no âmbito da democracia os primeiros desafios da base nacional comum curricular. "Em suma, entende-se que não há teoria educacional que possibilite a construção social do conhecimento, sem políticas públicas que agreguem valor ao currículo. O currículo é constituído socialmente e é por isso que o mínimo oferecido não poderá se tornar o máximo a ser apreendido. Por fim, fica o desafio da verdadeira função social da base nacional comum curricular, expressa no artigo 205 da Constituição Federal: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”, finaliza.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

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Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior

 

rev_udziwi26Intitulado de "Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior", trabalho integra a 26ª edição da Revista UDZIWI. O docente da Educação Básica e do Ensino Superior da SETREM Rudinei B. Augusti teve artigo publicado na Revista de Educação da Universidade Pedagógica de Moçambique – África (Revista UDZIWI).

“No artigo busco discutir, de forma sistemática e com bibliografia atualizada, os desafios da Universidade na contemporaneidade, através dos eixos Ensino, Pesquisa e Extensão, a relação da Universidade com o Estado no quesito Qualidade do Ensino Superior, e os modelos de Gestão Universitária responsáveis pela organização e funcionamento, bem como o planejamento da docência, da pesquisa e da extensão universitária”, explica Rudinei B. Augusti

O trabalho intitulado "Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior" integra a 26ª edição da publicação, que é semestral e está disponível para consulta online através do endereço:

http://www.up.ac.mz/images/docs/revistas/Revista_UDZIWI_Final_26.pdf

Fica o convite para leitura!!!

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

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O SABER CURRICULAR, O CONHECIMENTO ESCOLAR E O DISCURSO PEDAGÓGICO: ELEMENTOS DA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA

mediaçãoEntre os desafios que se apresentam à escola, à formação inicial e continuada de professores na contemporaneidade, está o processo de mediação pedagógica, compreendida no âmbito do saber curricular, do conhecimento escolar e do discurso pedagógico.
A mediação pedagógica compreendida na transição do pensamento pedagógico moderno para a construção da Neomodernidade, assume que a organização curricular se dá em uma relação dialógica, mediada pela interlocução dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Neste sentido, a abordagem do saber curricular e do conhecimento escolar aparecem como elementos discursivos na práxis docente.
O saber curricular é compreendido como o conjunto de conteúdos que norteiam as orientações didáticas da construção de competências e habilidades, acordados com o nível de desenvolvimento cognitivo e psicossocial dos alunos. As competências e habilidades contidas no conhecimento escolar, orientam-se na dinâmica da transposição didática que, mesmo que não conste como saber curricular, considera o sujeito como construtor de si e do mundo historicamente e dialeticamente imbricado no processo.
O conhecimento escolar se dá na abordagem interdisciplinar e na transversalidade do saber curricular com os elementos de produção e reprodução da cultura. Norteado por esse atravessamento, o conhecimento escolar atende aos fins pedagógicos à que se propõe a escola. Não se pode ignorar que, a escola, nessa relação de saber curricular e conhecimento escolar, se não atentar aos princípios praxiológicos da ação dialética docente, acaba em servir de aparelho ideológico do Estado.
O discurso pedagógico como criação cultural no existir da escola, tem seus fundamentos em um saber transposto da formação docente para o currículo, bem como, a orientação pedagógica legal presente nos documentos e teorias em educação. Outrossim, é importante ressaltar o papel social e a identidade política daquele que o produz: o professor.
Sob diferentes perspectivas, tanto o saber curricular, como o conhecimento escolar são abordados, se consideradas as diferentes vertentes pedagógicas da formação docente. Assim, a identidade política bem como o papel social do professor integram a mediação pedagógica, orientada à produção ou reprodução da cultura escolar.
Contudo, a mediação pedagógica integra saberes construídos de forma colaborativa, envolvendo sujeitos que significam e resinificam o saber curricular com relação à dinâmica política e pedagógica da escola e de seus agentes. Assim, a mediação é o lócus onde se inserem as premissas formativas e discursivas que deslocam um currículo de saberes científicos traduzidos pedagogicamente para a constituição dos sujeitos como agentes de transformação de si e do mundo.
De outra forma, a mediação pedagógica aparece como um desafio no processo de formação continuada de docentes. Nesse espaço, há o conflito filosófico e pedagógico dos saberes que constituem os elementos profissionais, as competências pedagógicas, a constituição política da docência. É também, na formação continuada que se refletem hermeneuticamente o saber curricular, o conhecimento escolar e os discursos pedagógicos. A partir dessas discussões, são elaboradas as compreensões da mediação pedagógica no âmago do trabalho docente.
Portanto, entender a organização curricular, bem como a organização do conhecimento escolar, remete à mediar pedagogicamente os processos de produção e reprodução cultural inseridos na escola, compreendida aqui como desafios da educação na contemporaneidade, seja na escola ou na formação inicial e continuada de professores.







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quinta-feira, 31 de março de 2016

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O PAPEL DA FILOSOFIA NA UNIVERSIDADE

 

escola de atenasO questionamento e a curiosidade são atributos humanos que proporcionam a reflexão. A universidade é, por excelência, o espaço da reflexão. O início do pensar filosoficamente se encontra no desacordo, não apenas com os outros, suas ideias, posicionamentos, mas também com o questionamento de si.

Ainda que se diga que a universidade nas configurações atuais está voltada à formação profissional, esse espaço é carente de belas e boas reflexões filosóficas. As ideias filosóficas são influenciadas pelo contexto social e cultural daquele que reflete e/ou da instituição que reflete. Os filósofos, assim como o público universitário, têm personalidades distintas. Acima de tudo, os pensadores têm o papel de estimular a dúvida metódica.

Nesse sentido é que se encontra o papel da Filosofia na Universidade: no estímulo ao pensamento crítico. Todo e qualquer componente dos Cursos de Ensino Superior é um espaço de construção de saber e de conhecimento e, isto só é possível graças às grandes questões que vão sendo colocadas e construídas em cada ciência.

Por mais breve que a formação profissional e acadêmica acaba sendo em virtude da mercantilização do saber, a principal implicância de todos os homens, ainda hoje, é a possibilidade do conhecimento. Destarte, não de qualquer conhecimento, mas sim, daquele que mobiliza pessoas e melhora a vida da sociedade.

É na universidade que os indivíduos se tornam sujeitos de seus próprios pensamentos, tornando-se autônomos em sua prática profissional. A revolução na vida do acadêmico acontece de maneira suave outras vezes, mais ríspidas. Importante é que os indivíduos sejam livres para pensar e agir; ou seja, sejam soberanos sobre suas próprias ações.

A Universidade também é espaço constituído do transcendente. É nela que a experiência humana vai além do mundo sensível. Nela estão incubados valores universais de influência duradoura, como a transmissão do saber historicamente acumulado, do necessário à ser investigado e do socialmente válido, a ser expandido,.

Assim, diante dos processos reflexivos e dos não-reflexivos, a filosofia aparece como a ciência que questiona a imobilidade, tanto dos saberes, quando do docente, discente, etc. Para fins de reflexão, a Filosofia na universidade possibilita o desenvolvimento do raciocínio lógico, o saber e reflexão histórica, bem como o discurso argumentativo.

Assim, o papel da Filosofia se impõe em uma universidade que seja um lugar de reflexão sob o que foi posto como sendo conhecimento prático e teórico. Ela colabora no sentido de desmascarar o discurso da manipulação, do adestramento e do absoluto, fazendo com que a verdade seja gestada na concretude e na lucidez do argumento.

A Filosofia na Universidade também se contrapõe ao pensamento instrumental, fragmentado, da competência especializada. Assume a busca de uma visão totalizante e não totalizadora, onde o combate à falsas crenças, a produção do sentimento de inferioridade e da imposição da normalidade não se justifiquem.

Concluindo, o papel da Filosofia é resgatar o humano, o plural, o sentido e a direção da diversidade. ((•)) Ouça este post

quinta-feira, 3 de março de 2016

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A NECESSIDADE DE PROJETOS NA ESCOLA “ENSINAR É ESCOLHER”

Para o professor, ensinar não é uma tarefa fácil. Precisa escolher como ensinar. Ensinar é escolher. Escolher é tomar decisões. Algumas perguntas que são sempre importantes: Como vamos nos apresentar em sala de aula? Que conteúdos apresentar? Que material utilizar? Que ritmo seguir? Que atividades propor? Como avaliar tanto nossa atividade docente quanto o estudante? Existem muitas opções. Nenhuma delas é neutra, pois todas elas carregam em si a necessidade de representarem modelos educativos. Dependendo do tipo de aprendizagem que queremos, assim também nossos estudantes irão corresponder.

Confused Way Of A BusinessmanA prática educativa, na maioria das escolas, está dominada pelo fator tradição, ou seja, através de atividades transmissivas. A cultura dominante está presente na metodologia de ensino direto, ou seja, na transmissão direta de conteúdos. A cultura dominante, ou seja, a tradição da transmissão direta de conteúdos e saberes se dá através da apresentação, da prática e da prova. Esses três passos representam o aspecto tradicional da educação. Para melhor compreender, é necessário atentar para a apresentação do conteúdo à toda classe, logo o estudante pratica orientado pelo professor através de atividades orientadas e, finalmente, os estudantes se submetem à uma prova onde os mesmos devem reproduzir os conteúdos apresentados anteriormente pelo professor.

O efeito direto da transmissão de conhecimentos está em que produz uma aprendizagem memorística, que tem como característica a curta duração, reprodutivo e acrítica. Ainda, as contribuições do ensino para o desenvolvimento de competências pacificadoras é evidente.

Por último, a transmissão de conhecimentos pelo viés da aprendizagem por memorização não facilita a inclusão, e dificulta a promoção à diversidade, provocando problemas motivacionais e atitudinais em aula. Em resumo, o excesso de transmissão de conteúdos diretos, produz efeitos prejudiciais à saúde da aprendizagem.

Sem dúvida, entre muitas práticas docentes, encontramos maneiras distintas de efetivação da aprendizagem. Há assim, variadas maneiras de ensinar. Classifica-se como necessária a proposição de maneiras alternativas de ensinar. Ensinar por projetos é uma delas, na qual, o professor propõe aos estudantes uma pergunta (problema para pesquisa) o qual, o estudantes precisam resolver. A partir dessa metodologia, é necessário escolher entre o ensino tradicional (transmissão direta de conteúdos) e o ensino por projetos (ensino ativo). Na primeira, como já se disse, o aprendizado ocorre por memorização; enquanto que, na segunda, através de tarefas e projetos se aprende a fazer.

A pedagogia de projetos promovem ações como buscar, escolher/analisar, discutir, aplicar, errar, corrigir e simular. A metodologia de projetos para aprendizagem nos mostra assim, que aprender significa conjugar o verbo “fazer”.

A aprendizagem por projetos se demonstra assim, como aprendizagem ativa. A mesma está baseada na seguinte metodologia: aprender por projetos, tarefas, problemas, descoberta, desafios. Ademais dos conceitos, esta proposta marca três fases distintas da transmissão direta de conteúdos e saberes:

1) O conhecimento é o resultado de um processo de trabalho compartilhado: onde o docente elabora perguntas, propondo investigações. Dessas investigações são produzidas conclusões de onde se percebe um produto final tangível e de aprendizagem.

2) O papel do estudante está relacionado com processos de cognitivos de categorias superiores: conhecimento de problemas, compreensão e interpretação de dados, tratamento de informações ou revisão crítica são algumas etapas do processo cognitivo das categorias superiores.

3) A função principal do professor é criar situações de aprendizagem que permitem o desenvolvimento do projeto: para o desenvolvimento dessa proposta, implica uma série de adaptações no fazer pedagógico.

Obviamente, para buscar as premissas acima apresentadas, sugere-se manter um nível de qualidade, descritos como critérios de qualidade de um projeto de aprendizagem. Esses critérios vão definir a eficácia da proposta de um projeto de aprendizagem. A National Academy Foundation & Pearson Foundation, estabelecem seis critérios de qualidade em um projeto de aprendizagem:

1) Autenticidade;

2) Conexão com adultos;

3) Exploração ativa;

4) Aprendizagem aplicada;

5) Rigor acadêmico;

6) Práticas de avaliação de qualidade.

Mais recentemente, são propostos oito elementos para a elaboração de um bom projeto:

1) Finalidade e relevância na perspectiva da aprendizagem do estudante;

2) Tempo para aprender e trabalhar;

3) Complexidade e integração curricular;

4) Intensidade e dedicação ao projeto;

5) Conexão presencial e através da rede;

6) Acesso à uma ampla variedade de materiais;

7) Capacidade de ser compartilhado e sentido;

8) Novidade e originalidade.

Concluindo, diversas experiências em projetos de aprendizagem nos têm permitido gerar um cenário da valorização de projetos, considerando a preparação do projeto, sua análise, avaliação, revisão e divulgação.

Enfim, podemos dizer hoje que há diferentes maneiras de aprender: aprender a ser, aprender a se informar; realizar aprendizagem com significado. Todas essas formas estão compartilhadas com outras maneiras de aprender que estão em expansão. Para finalizar, afirmar novamente que há várias e diferentes maneiras de aprender. ((•)) Ouça este post