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sábado, 31 de outubro de 2020

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UMA REFLEXÃO SOBRE A POLÍTICA E ELEIÇÕES



A reflexão de hoje trata sobre a questão da política. Estamos vivendo em tempos eleitorais e, por onde passamos, há pessoas debatendo sobre esse mesmo termo. Afinal, quem não se envolve com a condição eleitoral? A televisão traz propagandas, no rádio alguns comentários...isso quando não somos abordados na rua por candidatos. Entre os candidatos podemos encontrar muitos que já conhecemos, outros que não conhecemos tão bem, e outros ainda, só aparecem neste momento eleitoral. Os interesses dos mesmos são os mais diversos. Alguns buscam renda na política, outros preparam o terreno  do coletivo; outros ainda, estão se dedicando à sociedade. Qual será o melhor a escolher? Quero trazer algumas reflexões em torno da política.

Conforme já dizia Aristóteles, o homem é um animal político, ou seja, já nascemos com a condição política e, somente nessa condição, é que podemos ser felizes. No entanto, é a educação política que faz o homem político. A inclinação natural à vida política, não garante que numa sociedade tenha bons políticos, mas sim, através da qualidade da educação como o lugar do pensamento crítico que pode formar bons políticos e transformar a sociedade.

Trago algumas perguntas para discussão: 

É possível alguém dizer que não é político? Não! Todo ato humano, é sempre um ato político. Mesmo o ato de discordar a política é um ato político. 

Cada ação que faço, não está expressando a forma como penso como vejo o mundo? Sim! Não podemos separar o pensamento da ação. Afinal de contas, tudo o que pensamos orienta a nossa ação e, o que vivemos é refletido pelo nosso pensamento. Portanto, o pensamento político e o conhecimento da política nos impulsionam a viver politicamente. 

Existem atos é pensamentos neutros? Não! Segundo alguns filósofos políticos, todo ato é em primeiro lugar resultado de nossa consciência, bem como uma tomada de decisão sobre o que se deve e o que não se deve fazer. Nesse sentido, o posicionamento dos nossos pensamentos e de nosso ato, é sempre uma questão ética.

Posso delegar todo o meu direito a escolher um representante e decidir? Na democracia delegamos parte de nossa responsabilidade política, mas não a sua totalidade. Nossa democracia é representativa, no entanto, elegemos nossos representantes para governar, mas o povo continua sendo o soberano político 

Quando sou obrigado à escolher um representante pelo voto exerce um direito ou é uma obrigação? Pode haver os dois entendimentos. No entanto, para todo aquele que se considera cidadão responsável pela sua sociedade, pela sua cidade, seu bairro, sua vida, assume o direito ao voto como uma necessidade de transformação da sociedade. Assim o voto não se torna uma obrigação, e sim um direito.

Ser cidadão hoje, implica em ser um ser político? A cidadania está relacionada aos nossos direitos e deveres, mas também a nossa participação nos processos decisórios dos governos. 

Por último, a política é uma atividade específica de alguns profissionais? Existe a profissão do político. No entanto, a vida social sempre é política e, isso não depende somente dos profissionais da política mas do engajamento de todos nós. 

Portanto, nessa eleição converse com os candidatos, troque ideias, amplie seus saberes e, participe! Sua comunidade política agradece!

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sábado, 24 de outubro de 2020

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O FILÓSOFO ESPINOSA NOS ALERTA: A SUPERSTIÇÃO POLÍTICA É PERIGOSA!


Estamos vivendo um tempo de decisões políticas, em que muitas ideias, concepções e crenças se manifestam. Por todos os lados, encontramos pessoas discutindo sobre diferentes e divergentes temas que envolvem política. De fato, toda vida coletiva passa por decisões políticas. Apresento a seguir, significativas contribuições do filósofo Baruch Espinosa (1632-1677) no campo da política.

Inicialmente, Espinosa em sua filosofia afirma que Deus é uma substância que comporta todas as outras; ou seja, tudo está em Deus. Sendo que a principal caraterística de Deus é, segundo o filósofo, a liberdade - tudo quanto Deus comporta também é livre. Assim, a essência da  natureza humana é a liberdade. Partindo dessa ideia, Espinosa diz que a Política deve afastar-se de concepções que desprezam a natureza humana, que não afirmam a liberdade. Para tanto, a boa política além de afirmar a liberdade humana como princípio, deve também conceber o homem como ele é, em sua condição material, humana, social, concreta, etc.

Os governos, na gestão das leis e do Estado, não podem de forma alguma, sobrepor os interesses particulares de seus governantes sobre o direito natural, estando assim fundado na defesa da Vida, Liberdade, Dignidade e Propriedade. Uma forma de concretizar a boa política para pessoas reais, é na perspectiva do filósofo, priorizar e defender esses direitos e, somente o Estado o pode fazer.

Sabemos, porém, que a nossa natureza é marcada pelo desejo de poder, pelo egoísmo, pelo desejo de governar e não ser governado. Segundo Espinosa, não se trata de conceder direitos, de forma assistencial, mas formar um corpo político que garanta a participação de cada um e de todos. Nesse sentido, Espinosa defendia a Democracia que, segundo ele, é o regime de governo mais propício para a realização dos interesses humanos. Somente a democracia é capaz de realizar a máxima de que as pessoas querem governar sem serem governadas. Esse ideal só é possível quando os cidadãos participarem do governo e da elaboração das leis.

Porém, ao elogiar a liberdade, Espinosa nos alerta sobre o surgimento da superstição política, que leva os cidadãos a adorar os governantes como se fossem deuses, ou de outra forma, detestá-los como se fossem pragas. De uma forma ou outra, Espinosa nos lembra que a superstição é o meio mais eficaz que os maus políticos utilizam para dominar as massas. 

Uma vez que a política está voltada para a concretização da liberdade intrínseca à natureza humana, ela não pode estar orientada para a submissão. Políticos que atentam contra a liberdade, não prejudicam apenas um indivíduo, mas toda uma sociedade. Estão apenas interessados em acumular cargos e honras, do que gestar o bem comum. Para combater a superstição, e é sempre bom lembrar, os interesses particulares em matéria de política, devem sempre estarem direcionados para beneficiar toda a coletividade.

Assim, fique atento aos discursos supersticiosos e as promessas mirabolantes que, em última análise, priorizam os interesses de poder e egoísmo individual. Uma boa proposta política é aquela que afirma a realização da liberdade em todas as suas dimensões. 

Para finalizar, é sempre bom lembrar da célebre passagem do Hino Riograndense: “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo!”. Que Espinosa nos ajude amadurecer politicamente! Amém. 

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sábado, 17 de outubro de 2020

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O(A) MELHOR PROFESSOR(A)!?!

É comum ouvir entre os estudantes debates sobre quem são os melhores professores. As opiniões são diversas e diferem umas das outras nos critérios empregados para qualificar. Para alguns, os melhores professores são aqueles mestres que ensinam muito conteúdo, são aplicados nos livros, ensinam teorias, resolvem exercícios. Para outros, os melhores professores são aqueles que não são conteudistas, preferem ensinar uma quantidade menor de conteúdos e se aplicam mais em explicações, experiências, etc. Outros ainda opinam que o melhor professor é aquele que conta histórias, simulando situações de aprendizagem. Mais que isso, outros afirmam que o melhor professor é aquele que é afetivo, oferece o abraço, o ombro para qualquer situação, seja ela de tristeza ou está junto para comemorar alegrias. Essas opiniões ainda divergem quanto ao nível de escolaridade dos alunos, idade, experiência escolar e cultural. Ainda há outras opiniões sobre...

Recolhendo essas e outras opiniões sobre o(a) melhor professor(a), fui ao longo de minha trajetória escolar, universitária e, hoje na profissão docente, sintetizando algumas aproximações que provocam reflexões sobre o papel tão importante desses mestres, presentes e referência na vida das crianças e jovens. A partir das percepções recolhidas, das leituras realizadas, e das reflexões produzidas, o melhor professor é aquele, independente de suas metodologias, ensinar ler as palavras da escola e na leitura das palavras, provoca a leitura e a compreensão do mundo. Para ensinar a ler o mundo, o melhor professor precisa pronunciar o mundo e pronunciar-se nele. Pois, mais que anunciar, o melhor professor sabe que a pronuncia do mundo é a garantia da emancipação, da autonomia e da liberdade de seus alunos. 

Pronunciar exige movimento de estar junto, próximo, sentindo “cheiro de gente”. Educar é um ato amoroso. Não posso amar, se não gosto de cheiro de gente. Gente de todas as culturas, as etnias, os sotaques, os palpites e as economias. Gostar do cheiro de gente é humanizar o outro e, no outro humanizar-se. Humanizar é permitir o movimento emancipador de que a leitura da palavra e, na palavra a pronúncia, que não só anuncia, mas também denuncia, sirva de condição de educador.

O melhor professor aprende à ler o mundo quando descobre que é a sua pronúncia no mundo que educa, e que educar é um ato de amor. Amar é gostar do cheiro de gente!  Gostar do cheiro de gente, é amar gente! Gente de todas as condições sociais, econômicas, culturais, religiosas...E amar gente, gostar de cheiro de gente, os professores que ensinam ler as palavras e ler o mundo, sabem bem. Amar e ensinar a ler as palavras e o mundo, bem como pronunciar o mundo, exige comprometimento com o que se pronuncia.

Portanto, para ser o melhor professor, não há um padrão a ser seguido. Mas, ao ter o seu próprio jeito de ser, o seja verdadeiramente ou simplesmente, professor...Professor na palavra, no mundo, na pronuncia e no amor. 

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sábado, 10 de outubro de 2020

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“OS PROFESSORES NÃO FAZEM NADA!”


Uma das situações geradas pela falta de conhecimento sobre qualquer tema, é sempre a incerteza na hora de agir. A incerteza gera a dúvida. Diante da dúvida, algumas pessoas preferem a reflexão, outras a generalização de juízo. Em relação ao retorno às aulas presenciais, essas duas posturas, muitas vezes, tem entrado em conflito. A reflexão é, com certeza, sempre a melhor postura. No entanto, observamos que a generalização de juízo tem se disseminado quase como uma onda de ódio, principalmente no que se refere à condição do professor. Da condição de juízo, ao comportamento agressivo, existem discursos que sustentam que os “professores não fazem nada”. 
Nesse sentido, penso que é pertinente refletir sobre.

Os “professores não fazem nada!”, porque ensinam a ler a palavra e o mundo. Se você está tendo o privilégio dessa leitura, e sobre ela está produzindo suas reflexões, agradeça ao professor que te ensinou à ler e te provocou à pensar. Sem a presença do professor, a leitura e a cultura da palavra, bem como a sua interpretação de mundo, seriam limitadas a reprodução do senso comum.


Os “professores não fazem nada!”, porque estão em casa. Em tempos anteriores à pandemia, era consenso de que o trabalho do professor não se encerrava na escola. Ao chegar em casa, o professor tinha provas e trabalhos para corrigir, aulas para planejar, entre outros. Além disso, os professores sempre foram protagonistas sociais, participando da vida política, social, religiosa, econômica, etc., de sua comunidade. Essa rotina continua, com um agravante: todo o trabalho do professor está em sua casa. Como todos que estão trabalhando em “home office”, o professor precisou adaptar sua casa, sua rotina, sua família e tudo que está em seu cotidiano ao seu trabalho.


Os “professores não fazem nada!”, porque educar virtualmente não é isolar-se. Segundo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), o distanciamento social é a melhor forma de evitar o aumento das contaminações do COVID-19. Distanciar-se, não é isolar-se. A educação virtual nos permite que estejamos presentes mesmo que fisicamente distantes. Os professores, inseridos ou não em ambientes virtuais educativos, buscaram sempre ser presença. Essa presença vem de encontro a utilização de diferentes metodologias utilizadas pelas escolas e redes de ensino.


Os “professores não fazem nada!”, porque consideram o diálogo familiar como valor. A escola tem o seu valor social - é inegável. Mas, o que seria a escola sem a família como valor? Desde sempre, os professores buscaram dialogar com a família, porque entendem que nela estão presentes valores fundamentais que vão orientar ética e moralmente a construção do sujeito. Portanto, causa estranhamento aos olhos dos professores a exaustão de convivência ou relacionamento de pais com filhos. Nesse sentido, a escola não pode ser vista como uma válvula de escape para diminuir o tensionamento das questões familiares e vice-versa. O diálogo no grupo familiar, possibilitando a melhoria da cultura organizacional da família precisa ser intenso. O mesmo serve para a escola. Portanto, que continuem os diálogos profícuos entre escola e família!


Por fim, “professores não fazem nada!”, pois não estão na mídia, não tem altos salários, são pessoas simples, constituem um patrimônio intelectual memorável, têm sentimentos, ensinam a pensar e a fazer, discutem dicotomias...enfim...ensinam e gostam de cheiro de gente! E, tudo isso, é porque os “professores não fazem nada!”. Amém.

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sábado, 3 de outubro de 2020

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A INCRÍVEL AVENTURA DE EDUCAR PELO AMOR

Desde o início de nossa experiência existencial, vivenciamos a incrível aventura da educação. Através de nossas aprendizagens, nossos pais e professores perpetuam sua eternidade em nós. Através de nossas aprendizagens, também vamos nos eternizando neles. Então educação está sempre em uma relação de que, aquele que ensina, também aprende. E a primeira aprendizagem, a mais básica e - por isso base, é que não há educação sem amor. Assim, a educação se constrói sobre o princípio do amor.

Não é porque o amor é a base da educação, que amar em educação é simples. O amor, entre os gregos antigos, tinha trẽs conceitos: o Amor Philia - Amor de pais para filhos; o Amor Eros - Amor entre os apaixonados; e, por fim, o Amor Ágape - Amor Transcendente, que vai além da própria condição de quem ama. O fantástico da aventura humana de educar está na condição Ágape, um amor incondicional, que não estabelece condições, que transcende qualquer dimensão condicional, seja ela de cor, classe social, sexo, religião, etc.


Lembremos que educação, em sua raiz etimológica, significa “tirar de dentro”. Ao educar e, dialeticamente, educar-se no mesmo momento, “tirar de dentro” exige de quem educa uma relação de alteridade e transcendência: preciso enquanto educador, primeiramente, colocar-me no lugar daquele que não sabe, para posteriormente conduzí-lo ao saber. Conduzir a transição da ignorância ao saber, é um ato de amor. Ao colocar-me no lugar do outro, reconheço o meu lugar e minha missão.


A dimensão do saber do outro, é reconhecimento da minha dimensão do não saber. Por isso, no ensinar e no aprender, não se trata de competir sobre quem sabe mais ou menos. Quando amo o conhecimento e nele amo o outro, reconheço que o saber é tão diverso, que o que sei não é mais, mas é apenas diferente do aquilo que o outro sabe. E isso não me torna menos ou mais, porque educar pelo/no amor não exige a condição de saber mais ou menos, mas dialogar constantemente sobre aquilo que se sabe.


A dimensão do ser do outro, é reconhecimento da dimensão do meu ser. Ao reconhecer a dimensão da impossibilidade de limitar as potencialidades daquele que educo, e ao educá-lo também me educo, me mostra de que não posso estabelecer condições limitadas para ensinar. Todo ser humano é potencialmente, um sujeito de aprendizagem. Transformar a potência de aprender em aprendizagem, é um ato de amor. Limitar a aprendizagem, bem como definir quais potências transformar em ato, é cercear a liberdade do ser do outro e, na perspectiva da alteridade, minha própria potência de ensinar.


A dimensão do aprender do outro, é reconhecimento da dimensão do amor que tenho ao ensinar. Propondo que, é na incondicionalidade do amor que se realiza a aventura de educar, não posso ensinar sem considerar que o aprender do outro exige amor do meu ato de ensinar. Ato é realização da potência. Muitas das concepções educativas que foram ocorrendo ao logo da história da educação, trataram o processo de ensino e aprendizagem como uma “transmissão” de conhecimento. Transmitir conhecimento, é condição linear. A vida, não é linear; nem tampouco, pudera ser. Quando ensino linearmente, transmito. Não há aprendizagem, mas acúmulo de informações. Quem acumula, não ama, é egoísta. Não se faz uma aventura acumulando coisas. Em algum momento quem acumula terá que decidir do que irá abrir mão para poder prosseguir. Educar na aventura do amor, é abrir mão do egoísmo, do acúmulo, para ao educar, também aprender com o outro.


Assim, na incrível aventura de educar pelo amor, o saber, o ser e o aprender do outro, constituem, entre muitas, algumas possibilidades. Há outras...não há condições ou limites...há possibilidades.

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sábado, 26 de setembro de 2020

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UMA PAUSA PARA FALAR DE POLÍTICA

Toda ação humana, é uma ação política. Não há imparcialidade quando do pensamento e da ação humana. Agimos motivados por discursos políticos. Somos constituídos de concepções políticas. Argumentamos politicamente, defendendo ou criticando ações e ideias. Enfim, somos a condição política que nutre nossas utopias e sonhos.

Aristóteles afirma que uma vida feliz, é uma vida virtuosa e, esta só é possível na Política. Política é uma palavra que tem sua raiz etimológica grega - Pólis - que significa “Cidade-Estado”. “Cidade”, no sentido da palavra latina “civitas”. Assim, cidade é lugar de pessoas civilizadas, politizadas. Sim, para Aristóteles, todos somos “animais políticos” - em grego “zoon politikón”. E Estado, do latim “Status” - que significa “estar firme”, lugar de segurança. Então, quando falamos em Política, logo nos referimos à uma condição de vida coletiva, organizada por normas e leis, orientada por um poder que garante estabilidade à vida de cada um e de todos.

Sobre a condição política do homem, ou seja, a vida coletiva e sua organização em sociedade, Aristóteles, como já dito anteriormente, afirma que o homem é um “animal político”. Isso significa que, é de nossa natureza a viver em sociedade. Segundo Aristóteles, somente a vida em sociedade, de maneira ética, virtuosa, é que pode conduzir o homem à felicidade.

Felicidade em Aristóteles tem um sentido especial: Só é possível através de uma vida virtuosa. A maior virtude, é a Ética. A ética é a reflexão teórica que orienta as ações morais, ou seja, aquelas ações que envolvem nossa vida coletiva e social. Portanto, a política torna a vida feliz quando, ao realizar a inclinação natural do homem à vida em sociedade, o faz de maneira ética. Não é possível ser feliz, em um país onde a política e os políticos não tem como princípio a ética.

Para pensar a autoridade e o poder político, relembro rapidamente uma parte da trajetória da vida de Aristóteles. Aristóteles foi professor de Alexandre Magno, o grande Imperador da Macedônia. Alexandre, após a morte de seu pai, Felipe II, iniciou seu reinado, aos 16 anos. Reza a história, que Alexandre Magno foi um dos maiores líderes em conquista de território. No entanto, em uma de suas conquistas, sobre Atenas, impôs ao povo de Atenas a obediência. Alexandre foi a maior frustração de Aristóteles. Em suas preleções, Aristóteles ensinara à Alexandre os princípios da Democracia, e quando este chega ao poder, o discurso democrático se transforma em tirania. Aristóteles é condenado por impiedade em Atenas e, foge para a ilha de Cálcis, onde morre em situação de vulnerabilidade social.

Quisá, a relação de Aristóteles com Alexandre se repete na contemporaneidade. Uma das condições básicas para assumir um cargo de gestão política é a alfabetização, o que considero muito pouco diante de tamanha importância e responsabilidade. No entanto, a escola em seu processo formativo oferece diversas oportunidades de formação política, entre eles, a democracia. Porém, o que se percebe diariamente, a partir de um olhar rápido e frio, é que a tirania, a ignorância e a corrução política, esquecem os aprendizados escolares.

Por fim, te convido a fazer uma pausa para refletir sobre Política com Aristóteles. O discurso e a ação política ou conduzem à libertação, ou à opressão. Parafraseando Platão, mestre de Aristóteles, quando fala dos governos é de que o sofrimento das pessoas virtuosas quando se recusam a refletir e agir politicamente, é viver sob o governo dos corruptos. Por isso, para alcançar a felicidade é necessário a ética; ainda mais, viver politicamente.

Algumas leituras sugeridas:

- A Política - Aristóteles

- A República - Platão

- A Utopia - Thomas Morus

- Ética a Nicômaco - Aristóteles.

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sábado, 19 de setembro de 2020

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DA FILOSOFIA DE NIETZSCHE AO RETORNO ESCOLAR PRESENCIAL




Já se passaram mais de seis meses de distanciamento social em virtude da COVID-19. Muitas coisas foram inventadas, renovadas, outras até abandonadas. O sentido da vida, como liberdade, felicidade foram limitados. O limite não significa diminuidos, mas condicionados ao isolamento, restritos, finitos. Aos poucos, os limites impostos à convivência foram se tornando suportáveis. Somente se tornaram suportáveis, pois entendemos que a nossa condição humana é frágil.

Na Filosofia de Nietzsche, filósofo alemão do Século XIX, encontramos esta reflexão. Diante das características dessa vida, a partir de um olhar pessimista como a condenação do homem à finitude, à falta de sentido, inventou-se a paz, o sossego e a segurança. Sob esse prisma, nos sentimos seguros, sem ter segurança. Essa invenção, segundo o filósofo, destituiu a vida de seu verdadeiro sentido.

Para não viver presos na falsa sensação de segurança, paz e sossego, Nietzsche propõe a superação das dicotomias de valores, o que ele chama de transvaloração. A transvaloração é o resgate dos valores fundamentais da existência humana, fora do campo metafísico. Superar as dicotomias entre o mundo verdadeiro e aparente, assumindo sempre a realidade como ela é, faz desaparecer qualquer otimismo produzido sobre incertezas.

Assim, surge o conceito de retorno em Nietzsche, que pode ser expressado na máxima “o homem é algo que deve ser superado”. E essa superação implica a transvaloração antes refletida. Somente quando o homem supera as condições das falsas seguranças, é que ele se humaniza, pois descobre sua própria natureza. Em outras palavras, o retorno em Nietzsche significa a amplificação da natureza humana frente a reformulação de conceitos tradicionais que, acabam por exigir de todos nós uma nova postura frente à nossa existência.

Nietzsche expõe o conceito de “eterno retorno” pela primeiva vez na obra “A Gaia Ciência”, no parágrafo 341, onde enfatiza que “Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem” (NIETZSCHE, 2001, p. 230).

Para trazer a transformação dos sentimentos e perspectivas humanas, é preciso a virtude da coragem. Não que esta signifique o uso da força, mas uma postura onde novos valores, novas maneiras de pensar e fazer, sejam orientados não mais pela negação ou pela postulação de uma realidade orientada por utopias, mas pela aceitação incondicional do mundo como ele é.

Nesse sentido, entendo que a Filosofia de Nietzsche pode nos ajudar a compreender em que dinâmica o retorno escolar tem seu real significado. O sentido não está na ação de retornar para continuar o que foi pausado em determinado momento, mas em experimentar, mesmo sem nenhuma certeza, a realidade como ela é, dentro de sua nova dinâmica. Contudo, as limitações merecem atenção. Conflituam-se comportamentos culturais com exigências técnicas e, conforme Nietzsche, a condição humana não se restringe à condicionamentos, pois a mesma é pura superação. Então, é necessário superar limites culturais e ambições técnicas, pois o que temos é um problema técnico (ainda em processo de solução), que tem impactos humanos.

Se com Nietzsche podemos desconstruir interpretações metafísicas, é porque com ele também podemos vislumbrar uma nova intepretação da vida, muitas vezes mais afirmativa, corajosa e ousada. Conforme ele mesmo afirma “Era isso - a vida? Pois bem! Outra vez!”.
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sábado, 12 de setembro de 2020

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A ÉTICA E A DIFÍCIL MISSÃO DE EDUCAR PELO EXEMPLO


Aristóteles ensinando Alexandre Magno, quando este contava com 13 anos.

Aristóteles foi um filósofo que pensou o tema da Ética. Abordou a ética em uma perspectiva prática. Ele escreveu “Ética à Nicômaco, uma obra dedicada à educação de seu filho. O tema central da obra é a felicidade. Na obra, somente uma vida ética conduz à felicidade. Uma vida ética está pautada em questões de caráter e moral. De acordo com os ensinamentos que Aristóteles propunha à Nicômaco, a prática do bem conduziria à Felicidade. E, segundo suas reflexões, o bem soberano, a maior de todas as virtudes, para onde todas as coisas tendem, é a Felicidade. Segundo o filósofo, a felicidade é o fim último do homem.

No entanto, a busca da felicidade se justifica pela prática da boa ação humana. Saber se uma ação é boa ou má, é uma questão ética, pois envolve a decisão, o saber e o conhecimento. Sócrates, dizia de que um homem não pode agir bem, se não souber o que é o bem. A virtude da bondade precisa ser ensinada. A virtude do bem, é ensinada através da reflexão sobre a ação. Aqui, o papel fundamental do exemplo. É na reflexão sobre ação do outro que vamos construindo nossas referências, nossas virtudes.

De acordo com Aristóteles, é possível três orientações quando se fala de ética como orientação da vida:
Na primeira, a vida orientada pelo exemplo como busca de prazeres. Nessa tipologia de vida, o ser humano se torna refém daquilo que deseja. Busca incessantemente os prazeres através de uma vida desregrada, muitas vezes degradando a moral e consequentemente seu caráter. 

Na segunda, a vida política. A vida política é aquela em que as pessoas buscam a honra e o status social pelo convencimento. É, em outras palavras, o “faça o que digo, mas não faça o que eu faço!”. Do ponto de vista educativo, é pura incoerência!

E a terceira orientação, a única que pode conduzir à felicidade, a reflexiva. Segundo o filósofo, refletir não é atitude passiva, mas sempre renovar as orientações do agir, buscando sempre a ética como princípio. 

Dessa forma, a reflexão é a melhor postura educativa. Educar pelo exemplo, é educar pela reflexão. Quando emergido em uma tomada de decisão, perguntar-se reflexivamente: Posso? Quero? Devo? São essas questões, em especial o dever, que vai sugestionar o melhor exemplo. Os bons exemplos, são aqueles que conduziram alguém à felicidade antes de nós. Portanto, não se trata de repetir o que o outro fez, mas o que você faria em igual ou semelhante situação. 

Portanto, educar pelo exemplo é uma questão ética. A pedagogia do exemplo pela reflexão e pela ética, conduz tanto quem ensina, quanto quem aprende ao mesmo objetivo: a Felicidade!

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sábado, 5 de setembro de 2020

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AULAS ONLINE E SUAS IMPLICAÇÕES NO RECONHECIMENTO DO OUTRO: ÁUDIO, VÍDEO E COMPARTILHAMENTO DE CONTEÚDO



Desde o início da Pandemia COVID-19, as aulas presenciais migraram para ambientes online. A mudança implicou em novas atitudes cidadãs. Os protocolos de convivência alteram-se. As aulas perderam o controle disciplinar direto e, exigiu-se colaboração e cidadania por parte de professores, alunos e pais. Dessa forma, as aulas online tem sim, implicações cidadãs que perpassam métodos colaborativos.

Entre as questões de cidadania digital está o reconhecimento e a valorização do outro. Como se sabe, professores e alunos estão utilizando as mais diversas plataformas digitais que permitem compartilhamento de áudio, vídeo, arquivos, etc. Participar desses ambientes exige tanto do professor quanto do aluno, a sensibilidade de perceber o outro.

Há diferentes situações orientadas por diferentes motivações, que vão desde o abrir o áudio/vídeo para interagir até o uso de bate-papo (chat) para assuntos aleatórios. Quanto à essas atitudes, não é possível impor o limite disciplinar, uma vez que, como disse antes, sendo as motivações as mais diversas – entende-se, das questões de intimidade às sociais – a ética se faz necessária. 

A disciplina, organização e interação, dependem da motivação para o trabalho e a interação propostos pelos professores, bem como, a abertura ao diálogo por parte dos alunos. É preciso que exista um sentimento de empatia, diálogo, interesse, objetivo e amor, entre aquele que propõe e, disposição à aprendizagem por aquele que recebe. Se essa relação for efetiva, teremos então a colaboração, tão fundamental para aprendizagem nesse ambiente.

Para ampliar as possibilidades e resolver as questões comunicativas, buscando maior interação e colaboração e, consequentemente, aprendizagens mais significativas, as escolas estão buscando dialogar sobre o assunto. O diálogo acontece de forma direta ou indireta, com o alunos, com as famílias, professores, mas também através de campanhas argumentativas sobre os ganhos da colaboração e o quanto esta qualifica o ensino e a aprendizagem. Veja que não se trata de impor uma postura, mas orientá-la para o reconhecimento da importância do outro.

Somada à questão anterior, outro elemento muito utilizado em aulas online, está a publicação e compartilhamento de conteúdo. É preciso orientar uma postura de cidadania digital, quanto a publicação e compartilhamento. Para isso, elaboro algumas perguntas que orientam sobre:

- No compartilhamento de conteúdo: Que sentimento ou necessidade me motiva a compartilhar esse conteúdo?
- Com quem eu devo compartilhar esse conteúdo?
- Como esse conteúdo compartilhado afeta minha imagem/reputação pessoal e/ou profissional?
- O que estou publicando é legal (do ponto de vista das leis)?
- Que sentimento desperta no outro, o que estou publicando?
- Como me sentiria se alguém postasse o que estou postando sobre outros, sobre mim?

Para finalizar, migramos para aulas digitais como aprendizes de um novo tempo. Esse movimento nos trouxe desafios. Hoje apontei dois: A colaboração nas aulas e o compartilhamento de conteúdo. Tem outros. Há tantos outros...muitos! Efetivamente, é o diálogo com seu filho, com o professor do mesmo, com a escola, que vai qualificar ainda mais a aprendizagem. Aproveite a oportunidade: Aprenda! Pois, os novos tempos, mesmo na possibilidade de um retorno às aulas presenciais, terão muito da experiência que hoje vivenciamos!
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sábado, 29 de agosto de 2020

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DAS CONDIÇÕES ÉTICAS DO RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS


Toda tomada de decisão, implica necessariamente em considerar em que condições se produz melhores resultados. Para tanto, a reflexão sobre o agir, é sempre a melhor postura. Com o retorno às aulas presenciais não é diferente. Não se trata apenas de estabelecer uma data, colocar medidas disciplinares à serem cumpridas, treinar pessoal, fazer planos de segurança, etc. Se trata sim, de refletir sobre quais princípios éticos está pautado o agir, para poder ser assertivo em relação aos resultados.

Considerando que, o agir humano é sempre orientado por diferentes tipos de racionalidade, também há diferentes posturas quanto ao retorno às aulas presenciais. Quando orientamos nossa ação pela racionalidade técnica, instrumental, ganha força todo um planejamento sistemático e normativo. Já quando orientamos pela racionalidade humana, a dimensão complexa do agir orientado pelas questões culturais, históricas, saúde, política, econômicas, espirituais, etc., se sustenta. Há, portanto, uma terceira postura que permite considerar o olhar ético antes de qualquer ação sem reflexão: a dialética educativa.

O movimento dialético em educação é um movimento do pensamento crítico, que assentado na concretude da vida das escolas, possibilita a compreeensão de que as relações que se estabelecem na escola, são sempre resultado da práxis humana e de suas contradições. Com isso, as relações complexas no ambiente escolar, não podem serem fetichizadas. O fetiche leva à criação de uma pseudoconcreticidade, ou seja, uma falsa noção de realidade.

Não se pode criar uma pseudoconcreticidade para justificar a necessidade ou não do retorno. É preciso uma reflexão ética, que suspeite e integre o mundo dos fenômenos escolares em sua complexidade. Nesse sentido, assumir o cotidiano escolar como lugar de contradições, é compreender que a dinâmica dos processos escolares são pautados pelo movimento das próprias contradições. A contradição leva à dúvida, curiosidade, ao movimento de busca pelo saber. A escola não é lugar de relações estáticas, truncadas, positivadas, legalistas ou funcionalistas. Escola é lugar de crítica, reflexão sobre a ação. Toda tomada de decisão na escola, deve considerar essa seara.

Portanto, sobre as condições éticas do retorno às aulas presenciais, é necessário que se avalie eticamente, em uma reflexão ampla com os professores, alunos, famílias e comunidade, considerando em primeiro lugar o objetivo central do processo educativo, que é (re) construir, e ampliar a humanidade de cada um. Para tanto, a condição dialogal dos grupos envolvidos nesse debate não pode ser meramente político, econômico ou de uma curvatura de fantasias que não se sustentam no campo da concretude da escola. O debate deve ser sim, de escuta e de trocas efetivas, que considere que, nem sempre o que acredito é o melhor a ser feito; mas que o melhor a ser feito, deve ser ético.

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sábado, 22 de agosto de 2020

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DISCURSO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

                                    

Vários são os tratados filosóficos que abordam a temática do Poder. Um em especial, chama atenção dos leitores atentos a condição política no contexto que estamos vivendo: se trata da obra “Discurso da Servidão Voluntária”, escrito no Século XVI, pelo Filósofo Etienne de La Boétie (1530-1563). A obra trata de responder a pergunta enigmática de, como se explica que os homens consintam em servir e obedecer um tirano? No entanto, Boétie amplia a questão, buscando compreender como esse sentimento de servidão se estende como um consentimento por parte da sociedade.

Buscando uma compreensão contemporânea para tal questão, a sujeição discursiva, gera a servidão voluntária. Há, no campo da política, discursos proferidos em tom de honra e de um suposto respeito à democracia, que quando analisados, são violentos e ameaçadores. Há nessas situações, a projeção de uma dominação carismática, onde o discurso político acaba por ser, em inúmeras situações, exaltado e admirado por uma grande massa de pessoas.

A exaltação do discurso de um tirano, oferece uma condição de subordinação e obediência à aqueles que o admiram. Admirar a opressão, é oprimir-se. Não há liberdade política, onde há discursos opressores; há sim, servidão. E a servidão se torna voluntária quando, o servo suporta, enfeitiçado pelo discurso dominador, o jugo da dominação.

O problema maior está quando, a servidão voluntária deixa de ser individual e passa a ser coletiva. Nesse momento, se formam grupos radicais, sem qualquer presunção de tolerância e respeito à condição política de outro. Alienados à condição do discurso de servidão, os grupos radicais não percebem que, a servidão se estende à eles mesmos, impondo uma condição de controle, disciplina e serviço.

A servidão voluntária nega a liberdade como atitude protagonizadora. E a atitude política é voluntária e consciente, por isso, é libertadora. A minha relação diante da política é livre, pois é neste lócus que posso decidir. Mas não posso decidir, sem considerar a atitude/ação política dos outros. Há quem justifique sua omissão política afirmando que “quem só faz política e o político profissional”, ou, “participar da política é ruim”. Assim, toda omissão política é, em última análise, a negação da ética, dos princípios e das possibilidades de transformação social.

Ainda, o discurso de servidão voluntária têm consequências amargas à toda uma nação. Uma delas é a conformação dos cidadãos com a corrupção política. O discurso da servidão voluntária impõe à consciência coletiva a naturalização da corrupção política como fenômeno normal da vida social e da administração pública. Nesse discurso, os políticos corruptos separam, de acordo com seus interesses, alguns outros para depositarem a culpa. Ao culparem outros, ganham estima e respeito.

O ciclo da naturalização da servidão só pode ter fim quando, efetivamente, a educação for tratada como práxis política. Isso implica em compreender que, além das abordagens conceituais sobre política, a educação deve refletir criticamente sobre o fazer cidadão de cada um e da coletividade. Não basta sair da servidão, é preciso deixar de ser servo! Para isso, é necessário uma nova educação que, nesse caso, leve as pessoas a perceberem as contradições do discurso da servidão e não o aceitem como voluntário.

Por fim, não custa nada ser livre! Está mais do que na hora de nos darmos conta de que os discursos e a política não é matéria de alguns escolhidos, mas de todos nós!

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sábado, 15 de agosto de 2020

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É TEMPO DE APRENDER QUE ENSINAR TAMBÉM É APRENDER!

7 brincadeiras de criança para ensinar aos filhos em casa 

Situada na dimensão da responsabilidade do Estado, Família e Sociedade, a educação é um direito de todas as crianças, adolescentes, independente se vivemos em tempos de COVID-19 ou não. No entanto, a rotina escolar alterou-se significativamente para dar conta desse direito. Professores tem investido em mudanças constantes em suas formas de ensinar, seja através de atividades síncronas ou assíncronas. As crianças e adolescentes estão em casa realizando suas atividades escolares.

É o momento de toda sociedade reconhecer e ser sensível para com o esforço e dedicação que as famílias têm dispensado para apoiar seus filhos em suas tarefas escolares.

Depois de algum tempo vivenciando diferentes experiências educativas na Pandemia, apresento algumas recomendações que ajudam e fortalecem as famílias, escolas e professores no processo educativo:

a) Cuidados com a saúde emocional: É importante lembrar que se estamos em casa, vivendo essa situação temporal, é para cuidarmos de nós e dos outros. A instabilidade emocional pode se aguçar em nossos filhos. No entanto, a sugestão é criar espaços onde possam expressar emoções, serem escutados com atenção e, se possível, realizar vídeo-chamadas para algum familiar, amigo, amiga, fortalecendo os vínculos de reconhecimento.

b) Estabelecer uma rotina: temos percebido que é importante que a família estabeleça horários para desenvolver as tarefas escolares. Priorizar horários que os responsáveis estejam dispostos a acompanhar com paciência, diálogo, amorosidade. Proporcionar tempo suficiente de descanso entre as atividades, para que, possam voltar animados às mesmas.

c) Não se converta em Professor (a): Muitos pais e mães sentem-se pressionados à assumir o papel dos professores. No entanto, não se pode esperar que pai e mãe se convertam em professores e que a casa se torne escola. Não se trata de escolarizar o ambiente familiar. Não use “professor/professora” quando for se dirigir ao seu filho. Seguramente, há distinções que precisam ser preservadas. Para tanto, designar no ambiente um lugar específico para estudo, com iluminação, ventilação e condições de aprendizagem.

d) Revisar o material disponível e necessário: se as aulas estiverem acontecendo de forma online, revisa a conexão com a internet, o funcionamento do computador, e outros elementos para que se tenha qualidade de transmissão. Muitas vezes, são pequenos detalhes que fazem toda diferença. Muitas de nossas crianças têm um tempo curto/limite de paciência, e as falhas constantes de conexão podem levá-las à um índice altíssimo de estresse, prejudicando a aprendizagem. Revisar também os cadernos, lápis, materiais escolares. Revisa também o ambiente, para que o mesmo garanta conforto e saúde suficiente para uma boa aprendizagem.

e) Regular o Tempo: Cada criança é diferente de outra. O tempo de concentração e atenção de uma, não pode ser regulado comparando com outra. Utilize tempo médio de 20 minutos para crianças e 45 para adolescentes. Dependendo o tipo de atividade, diminua ou aumente o tempo. Os horários estabelecidos devem sempre considerar as particularidades da criança e adolescente. Não se esqueça de priorizar momentos de descanso.

f) Incentivar a prática de exercícios físicos: Incentive atividades como dança livre, caminhadas, trilhas pela casa ou pátio, entre outras. Jogos também ajudam. Além de movimentar, também ajudam no desenvolvimento cognitivo.

Finalmente, APRENDA ENQUANTO ENSINA! Podemos ver esse tempo como “tempo perdido”, ou podemos potencializar nossas aprendizagens junto com a aprendizagem de nossos filhos. Aproveite para aprender mais! Leia, discuta, construa, pois é tempo de aprender que, ensinar também é aprender.

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sábado, 8 de agosto de 2020

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LITERACIA FAMILIAR: Crianças em Idade de Alfabetização: O que se pode fazer em Casa?

história; criança; leitura; livro (Foto: Shutterstock)
No Brasil, o processo formal de alfabetização começa no 1º Ano do Ensino Fundamental. Isso não significa que a criança já não possa/tenha alguma experiência de alfabetização anterior à esse tempo escolar. Existe uma área de estudo, no campo da alfabetização chamada de “Literacia Familiar”. A Literacia Familiar propõe o envolvimento dos pais/responsáveis no incentivo à alfabetização.

Em tempos de Pandemia, em que as crianças estão em casa, a prática da literacia pode utilizar o uso de livros, contos. No entanto, considerando situações de baixa renda, escolaridade ou analfabetismo, mesmo sem o livro e o conto formal, também pode haver colaboração da família na alfabetização da criança. Isso não quer dizer que é responsabilidade da família, assumir a alfabetização da criança.

Para que a alfabetização aconteça, é necessário que se desperte e promova a curiosidade na criança. Isso quer dizer, despertar atitudes positivas em relação ao aprendizado, através do desenvolvimento das habilidades linguísticas. A interação, é elemento fundamental.

O ideal é que se tenha à disposição uma literatura que esteja adequada ao nível de cognição da criança. No entanto, quando não se tem, os pais podem contar histórias sobre sua vida, dando enfase especial à infância, amizades e experiências diárias.

O sucesso da Literacia está no desenvolvimento das habilidades linguísticas. Normalmente, se observa que, pais que dialogam muito com os filhos, ajudam a criança a construir o vocabulário base para a aprendizagem escolar. Nesse sentido, o conhecimento base que as crianças usam na escola para iniciarem suas primeiras reflexões/interpretações, são oriundas das experiências familiares.

Não sendo obrigação dos pais a alfabetização formal da criança, através da Literacia a criança vai se estimulando à conhecer as letras do alfabeto. A poderosa prática de conversar, problematizando e criando possibilidades de entendimento, ajuda em muito o desenvolvimento do entendimento e visão de mundo da criança, que vais sendo expresso através da alfabetização.

O uso de livros pode facilitar essa interação e ter sucesso na alfabetização. A criança prefere que a leitura seja feita em voz alta e com tom de curiosidade. Também, o tema do livro pode ser discutido apenas olhando as figuras. Dar ênfase sempre às experiências cotidianas da criança. Dar preferência para livros que apresentem lógica em seu desenvolvimento, onde podem surgir perguntas a criação de expectativas. Lembrando que o fundamental, não é ensinar a criança a ler, mas que a leitura/discussão do livro sirva para mediar uma boa conversa entre pais e filhos.

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sábado, 1 de agosto de 2020

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O AMBIENTE DOMICILIAR COMO LUGAR DE APRENDIZAGEM ORIENTADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

(Imagem disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2020/04/ideias-de-atividades-para-criancas-durante-quarentena)

Todos os esforços que se realizam para educar na educação infantil, estão voltados ao desenvolvimento integral das crianças. Isso significa que, os direitos da criança, a escuta, a mediação da imaginação, aprendizagem social e organização da vida, são funções essenciais da educação na fase infantil. Nesse sentido, o ambiente é determinante para a aprendizagem. É nesse lugar que se concretizam os princípios éticos, políticos e estéticos da educação infantil.

Hoje, o ambiente é o domiciliar. Não se trata de escolarizá-lo. Se trata sim, de reconhecer as possibilidades que o mesmo pode oferecer em um contexto de aprendizagem. Assim, a capacidade de compreensão e o diálogo entre famílias e escolas, representam uma assertiva quando o interesse principal é a aprendizagem das crianças. Pais e professores, sensíveis a esta necessidade, buscam explorar o ambiente, disponibilizando afetividade, acolhimento e escuta à criança, além de transmitir confiança na mediação dos processos de ensino e aprendizagem.

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI/2010), os seguintes princípios devem orientar todas as práticas educativas das crianças nessa fase:

a) Princípios Éticos: Esse princípio orienta o olhar da família e educador sobre o desenvolvimento da autonomia da criança em que, aumentando seu senso de responsabilidade, também sente-se solidaria com os outros. No ambiente domiciliar propor pequenas responsabilidades, como colaborar com o bem comum, com o meio ambiente, com as diferentes pessoas e singularidades, ajuda a desenvolver a autonomia e a responsabilidade da criança.

b) Princípios Políticos: O grupo familiar, no contexto do espaço como lugar político, é lócus de direitos de cidadania, do exercício e do respeito às pessoas, estabelecendo posicionamentos que defendam a vida em todas as suas dimensões. Percebem também, na riqueza do espaço domiciliar, indícios de organização que possibilitam as diferentes trocas, entre a criança e o mundo.

c) Princípios Estéticos: trata-se da valorização e das diferentes aprendizagens artísticas e culturais, mediada por um diálogo livre, de expressão como m(Imagem disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2020/04/ideias-de-atividades-para-criancas-durante-quarentena)anifestação da cultura familiar e social.

Por último, reconhecer que o ambiente domiciliar, lugar por excelência em aprendizagem, favorece o desenvolvimento de práticas cooperativas de aprendizagem. A cooperação nesse lugar, começa com o reconhecimento do conjunto de experiências cotidianas vivenciadas alí, identificando-as como direito de aprendizagem. É igualmente importante, que se possibilite a interação e a comunicação na tônica do desenvolvimento das atividades.

Nesse empreendimento, não pode faltar a comunicação entre família e escola, que suscita e organiza a rotina de aprendizagem da criança. É importante considerar que, o planejamento escolar é apenas uma orientação e, não pode ser visto como fator limitante. O objetivo está em promover vivências/experiências, segundo as quais se possam valorizar o empenho da criança no processo de formação social e pessoal, incentivando sua autonomia e desenvolvimento para o resto da vida.


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sábado, 25 de julho de 2020

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AS ORGANIZAÇÕES VIVEM EM TEMPOS DE NOVAS APRENDIZAGENS


Estamos vivendo uma época de transição. Mudanças estão ocorrendo por todos os lados. O atual cenário das organizações têm nos mostrado que sempre é tempo de aprender. Não há como ficar insistindo que as coisas são/serão como antes. Na verdade, nunca foram! Já dizia Heráclito de Éfeso (500-450 a.C), que “tudo flui”; ou seja, todas as coisas estão em constante mudança! O que era sólido se transforma em líquido, e assim, sucessivamente em outros estágios.
O cenário do trabalho nas organizações, é desafiador. Desde as mudanças da rotina de trabalho, horários flexíveis, confiança e flexibilidade, tem sido palavras orientadoras nesse novo cenário.
Gostaria de refletir sobre algumas aprendizagens, que nestes últimos tempos, inserido em um contexto de trabalho. tive a oportunidade de construir:

Sobre o ritmo industrial, contaminante e controlador das organizações: Dentro de uma lógica de produção, as organizações estavam acostumadas a dar mais valor ao ritmo de produção, aos processos, procedimentos, indicadores, rentabilidade. Hoje, as relações se legitimam sobre um novo olhar: confiança, valor e flexibilidade. Um novo ponto de partida, implica na legitimação de novas relações de produção.

As organizações sobrevivem, ao passo que os sujeitos aprendem: aprendemos que em uma organização, se não houver a interação dos colaboradores e gestores, a entreajuda, a comunicação efetiva e afetiva, não há vida organizacional. Nesse sentido, as instituições voltam seus olhares para a aprendizagem, pois elas só sobreviverão no mercado se aprenderem, e esta condição é inerente à condição motivacional (em termos reais) constante dos sujeitos que a compõem.

É preciso confiar em seus colaboradores. As organizações estão ajustando sua cultura organizacional, passando de controladoras para colaborativas. Diria que, de um ambiente de controle, para um ambiente de confiança, agora convertida/mesclada com micros culturas e climas, incluindo a cultura familiar.

Aprendizagem é sempre flexibilidade. Normas, regulamentos, procedimentos, padrões, foram substituídos por condutas éticas, mediadas pelo bom senso e consensos ajustados à dimensão do trabalho flexível. É uma nova experiência de trabalho que confirma a capacidade de apostar na autonomia e responsabilidade do colaborador. A nova conduta exige também uma postura de maior sensibilidade do gestor em relação ao colaborador.

As organizações são sistemas vivos interdependentes. As organizações precisam verem-se como um todo integrado às partes interdependentes. Independência aqui, gera morte. Para continuar ativa, uma organização precisa compreender-se como sistema vivo, interdependente. Reforço: não como sistema independente, mas interdependente! Ter presença profícua em cada parte que está ligada à outra. Fazer-se presença, é ser o presente! Presente no sentido do melhor significado que tem para o cliente, colaborador, gestor, para a sociedade como um todo.

Saber e Ser em toda sua experiência. Durante muito tempo a imagem de uma organização era mais importante que seus valores. Era mais importante a tradição do que a constante aprendizagem. Hoje, vivemos uma oportunidade única para que a experiência do saber se transforme em essencial (Ser) dentro de uma organização. É essa relação precisa se estender à todos que ela buscam. Não se trata de oferecer um novo produto, mas uma nova experiência vivencial, substanciada por aquilo que tem de melhor. É o momento de transformar o saber em experiência de ser.

Essas foram algumas percepções e reflexões sobre as novas aprendizagens no contexto das organizações, que em meu entendimento, implicam necessariamente em uma nova postura de gestores e colaboradores. Aprender é sempre uma condição desconfortável; no entanto, considerando os desafios de nosso tempo, a abertura à mesma é fundamental para as organizações e pessoas que querem estar inseridos na dimensão do trabalho.
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sábado, 18 de julho de 2020

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CONTE COM A ÉTICA PARA RESSIGNIFICAR-SE!


Viver eticamente, sempre foi um desafio para o ser humano. Desde os tempos mais remotos da história da humanidade, o homem sempre buscou orientar suas ações por princípios. É a partir desses princípios que podemos julgar se uma ação humana é ética ou não. Os princípios virtuosos são éticos, enquanto os viciosos não o são. Dessa forma, toda ação humana é uma construção educativa pautada em valores. Cada sociedade tem seus valores. No entanto, é importante lembrar que existem valores comuns à todas as sociedades: Vida, Liberdade, Dignidade e o direito à Propriedade.

Viver eticamente em tempos de crise, é desafiador. Atualmente, muitas transformações estão ocorrendo em toda sociedade, nos diferentes âmbitos. Mudanças sempre trazem crises. Por todos os lados, indivíduos comentam sobre crises. Uns, com juízos mais equilibrados, outros, mais extremos. Tome cuidado! Posicionar-se nos extremos, pode levar uma situação do estágio do conflito ao confronto. Viver eticamente é, em contexto de crise, abrir-se aos desafios!

Antes de julgar, refletir! Julgar é inerente da condição natural do ser humano, no entanto, nesse momento, penso que o mais plausível seja refletir. A ética está na reflexão. A reflexão, orienta a ação. Viver eticamente, é pura reflexão!

Interagir é posicionar-se de forma coerente. Quando interagimos com outros, o diálogo – elemento fundamental para a condição social – precisa ser ético, pois ele traz consigo a dimensão de como nos posicionamos no mundo, em especial, no contexto atual. Ademais, ser coerente com o discurso e os argumentos apresentados em um diálogo, nem sempre é tarefa fácil. Viver eticamente, é diminuir o abismo entre o discurso e ação!

O diálogo é sempre ideológico. São as diferentes ideias que externalizamos aos outros que apontam para o conjunto de ideias que acreditamos. Esse conjunto de ideias orientam nossas ações. Viver eticamente, é refletir sobre suas ideias!

Ideias e ações geram conflitos. Nem todas as pessoas concordam com suas ideias. É bom acostumar-se com isso. Viver autenticamente, principalmente em tempos de crise/mudança, é não fugir dos conflitos. Se os mesmos são causados por ideias, são as ideias que vão orientar novas ações para solucioná-los. Viver eticamente, é não se ausentar de conflito!

Produzir consensos provisórios. Quem sabe, em tempos de incerteza, o melhor ainda seja produzir consensos, mesmo que provisórios. Projetar-se sobre um contexto de incerteza e de insegurança pautado em verdades absolutas, é um caminho solitário, desanimador. Viver eticamente é entender que a provisoriedade é construída por consensos!

Buscar o sentido no significado. Não sabemos tudo! Precisamos reconhecer isso. No entanto, esse saber de que “se sabe apenas que não se sabe”, é o que nos torna sábios. Ignorante é aquele que pensa que sabe tudo. Encerra aí, a sua busca pelo sentido daquilo que para ele, tem significado. Viver eticamente é conhecer o sentido, onde há significado.

Por fim, diante de tantas formas de viver a ética em nosso cotidiano, sempre há em um contexto de mudança as possibilidades de mudar. Assim, ressignificar-se é o desafio! Contar com a ética para ressignificar-se é a melhor escolha!
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sábado, 4 de julho de 2020

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NOVO NORMAL – DA DIMENSÃO INDIVIDUAL À CONDIÇÃO COLETIVA!

De uma forma geral, todos estamos sendo impactos pela Pandemia Coronavirus. Os impactos estão nos levando a refletir, em diferentes dimensões, sobre quais serão os aspectos da nova organização social, ou seja, da nova normalidade. Nesse sentido, surge um novo conceito no campo sociológico: O “Novo Normal”.

Pensar o Novo Normal implica diretamente em compreender o que é “normal”. O normal, em matéria de sociedade, significa estar orientado pela norma social, por parâmetros sociais que servem de diretrizes de convivência onde os indivíduos se inserem. Já o “Novo Normal” implica em mudar o que se tem/tinha como normal. Ou seja, o Novo Normal sugere a mudança das normas sociais e dos parâmetros de convivência, para que as relações sociais sejam minimamente estáveis.

Diante do cenário de instabilidade, almejando a possível convivência nesse cenário, as Nações Unidas organizaram diretrizes que orientam o “Novo Normal”. Essas diretrizes são um esforço solidário global, mas também local, comunitário e pessoal.

Faço aqui, uma síntese das mesmas:

      1)     Proteção e fortalecimento dos sistemas de saúde, para combater a pandemia.

      2)     Fortalecer os sistemas de proteção social, garantindo o atendimento aos sistemas públicos básicos.

   3)  Recuperar a economia através de políticas do apoio às pequenas e médias empresas e aos trabalhadores informais.

      4)    Defender os mais necessitados, através da mobilização de recursos financeiros e estímulos fiscais;

    5)   Investir em sistemas de resiliência e resposta liderados pela comunidade, promovendo a coesão social.

O Novo Normal apela à dimensão coletiva sobre a individual. No normal, tínhamos a ideia de que a condição social dos indivíduos eram de responsabilidade dos mesmos. Agora compreendemos de que temos compromisso com cada ser, uma vez que a condição do mesmo, pode colocar em risco toda a humanidade.

O fortalecimento das ações comunitárias são a base do Novo Normal. Cabe às organizações de cunho local, tomarem atitudes que vão ao encontro da nova organização. Portanto, o Novo Normal não é um projeto vertical, mas construído de modo democrático com pessoas e instituições locais, promovendo uma nova consciência e um novo modo de agir adaptado às condições que são particulares de cada comunidade.

O primeiro passo é a superação da situação de empobrecimento, que coloca grande parcela da população de nossas comunidades em situação de vulnerabilidade social. A desigualdade é a origem de todos os males sociais. Cabe ao Novo Normal, através de medidas de promoção de trabalho, renda e políticas públicas, emancipar os vulneráveis sociais.

Os cinco eixos são apenas diretrizes das Nações Unidas. Sabemos que há muitas outras questões a serem tratadas pelo Novo Normal. O que se sabe é que a vida de uma sociedade é sempre regida por normas e parâmetros sociais e, que agora estão em mudança. Por fim, espera-se que as mesmas sejam construídas por todos, de forma democrática.


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