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domingo, 26 de abril de 2020
DA GESTÃO DA ESCOLA, PARA A GESTÃO ESCOLAR: QUESTÕES E CONFIGURAÇÕES QUE OS TEMPOS DE PANDEMIA CORONA VÍRUS EXIGEM
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segunda-feira, 6 de abril de 2020
O RETORNO ÀS COISAS MESMAS! COMO SERÁ A VIDA PÓS-CORONA?
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segunda-feira, 30 de março de 2020
A CULTURA E OS LIMITES HUMANOS
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domingo, 29 de setembro de 2019
NÃO PODE HAVER DOCÊNCIA, ONDE NÃO HÁ DECÊNCIA!
Não há possibilidade de ser docente, sem ser decente!
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário respeitar os saberes e as práticas do outro, sejam elas consensuais e coletivas ou reflexões individuais.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário também promover a autonomia do outro, independente de sua idade, cor, sexo, religião, classe social, condição social, etc.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender a forma como o outro apreende a realidade, seja na dimensão particular ou coletiva.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que a educação só é emancipatória quando é dialógica por natureza; quando ao dialogar sobre e com a condição humana e social, surgem os estranhamentos da realidade, a crítica ao fetiche do consumismo, as formas ocultas de dominação, de opressão.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário vivenciar o diálogo como práxis, condenando a manipulação, a sloganização, a subordinação e a crueldade com que o sistema opressor capitalista promove uns poucos em detrimento de outros muitos.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário romper com qualquer situação de dependência paternalista, considerando que o bom “pai”, é aquele que ensina a caminhar e não aquele que carrega nos braços seu filho pela vida toda.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário compreender que, é no encontro amoroso dos homens, mediados pelo diálogo crítico, que os mesmos se humanizam, superando qualquer condição de objetificação da vida.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário ter uma visão política que considere, antes de tudo, o ser humano; em que a principal arma e a marcha, não seja bélica ou dos exércitos, mas o saber que promove a luta de homens e mulheres na condição de pais e mães, trabalhadores e trabalhadoras, que no cotidiano da vida, lutam no sustento de seus filhos.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário sê-lo em sua condição mais íntegra de ser humano, que reconhece sê-lo, assumindo a docência como lugar de transformação da sua vida, do outro, e de todos os que nela ensinam e aprendem.
Para ser docente e manter a decência em sê-lo, é necessário saber que, não há ninguém que não tenha ou possa ensinar e, não há aquele que não tenha o que aprender!
((•)) Ouça este postsexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
A EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DIREITOS DAS CRIANÇAS
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domingo, 24 de junho de 2018
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Teoria Crítica de Currículo em Giroux como Enfrentamento do Espaço de Reprodução na Formação Continuada de Professores
O docente da SETREM, doutorando Rudinei
Barichello Augusti, teve artigo publicado na Revista Internacional de
Educação Superior (RIESup), da Unicamp, de Campinas – SP, através do
Grupo Internacional de Estudos e Pesquisa sobre Educação Superior
(GIEPES). A Revista é conceituada e na área de Educação tem Qualis B1. O
artigo de Augusti é intitulado "Teoria Crítica de Currículo em Giroux
como Enfrentamento do Espaço de Reprodução na Formação Continuada de
Professores”. A publicação está disponível na plataforma de hospedagem
de periódicos da instituição de São Paulo, no link http://ojs.fe.unicamp.brA Base Nacional Comum Curricular e a Superação de Conflitos em um Projeto Educativo
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior
Intitulado de "Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior", trabalho integra a 26ª edição da Revista UDZIWI. O docente da Educação Básica e do Ensino Superior da SETREM Rudinei B. Augusti teve artigo publicado na Revista de Educação da Universidade Pedagógica de Moçambique – África (Revista UDZIWI).
“No artigo busco discutir, de forma sistemática e com bibliografia atualizada, os desafios da Universidade na contemporaneidade, através dos eixos Ensino, Pesquisa e Extensão, a relação da Universidade com o Estado no quesito Qualidade do Ensino Superior, e os modelos de Gestão Universitária responsáveis pela organização e funcionamento, bem como o planejamento da docência, da pesquisa e da extensão universitária”, explica Rudinei B. Augusti
O trabalho intitulado "Desafios para a Universidade no Século XXI: Um Olhar sobre a Educação Superior" integra a 26ª edição da publicação, que é semestral e está disponível para consulta online através do endereço:
http://www.up.ac.mz/images/docs/revistas/Revista_UDZIWI_Final_26.pdf
Fica o convite para leitura!!!
((•)) Ouça este postquinta-feira, 28 de abril de 2016
O SABER CURRICULAR, O CONHECIMENTO ESCOLAR E O DISCURSO PEDAGÓGICO: ELEMENTOS DA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
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quinta-feira, 31 de março de 2016
O PAPEL DA FILOSOFIA NA UNIVERSIDADE
O questionamento e a curiosidade são atributos humanos que proporcionam a reflexão. A universidade é, por excelência, o espaço da reflexão. O início do pensar filosoficamente se encontra no desacordo, não apenas com os outros, suas ideias, posicionamentos, mas também com o questionamento de si.
Ainda que se diga que a universidade nas configurações atuais está voltada à formação profissional, esse espaço é carente de belas e boas reflexões filosóficas. As ideias filosóficas são influenciadas pelo contexto social e cultural daquele que reflete e/ou da instituição que reflete. Os filósofos, assim como o público universitário, têm personalidades distintas. Acima de tudo, os pensadores têm o papel de estimular a dúvida metódica.
Nesse sentido é que se encontra o papel da Filosofia na Universidade: no estímulo ao pensamento crítico. Todo e qualquer componente dos Cursos de Ensino Superior é um espaço de construção de saber e de conhecimento e, isto só é possível graças às grandes questões que vão sendo colocadas e construídas em cada ciência.
Por mais breve que a formação profissional e acadêmica acaba sendo em virtude da mercantilização do saber, a principal implicância de todos os homens, ainda hoje, é a possibilidade do conhecimento. Destarte, não de qualquer conhecimento, mas sim, daquele que mobiliza pessoas e melhora a vida da sociedade.
É na universidade que os indivíduos se tornam sujeitos de seus próprios pensamentos, tornando-se autônomos em sua prática profissional. A revolução na vida do acadêmico acontece de maneira suave outras vezes, mais ríspidas. Importante é que os indivíduos sejam livres para pensar e agir; ou seja, sejam soberanos sobre suas próprias ações.
A Universidade também é espaço constituído do transcendente. É nela que a experiência humana vai além do mundo sensível. Nela estão incubados valores universais de influência duradoura, como a transmissão do saber historicamente acumulado, do necessário à ser investigado e do socialmente válido, a ser expandido,.
Assim, diante dos processos reflexivos e dos não-reflexivos, a filosofia aparece como a ciência que questiona a imobilidade, tanto dos saberes, quando do docente, discente, etc. Para fins de reflexão, a Filosofia na universidade possibilita o desenvolvimento do raciocínio lógico, o saber e reflexão histórica, bem como o discurso argumentativo.
Assim, o papel da Filosofia se impõe em uma universidade que seja um lugar de reflexão sob o que foi posto como sendo conhecimento prático e teórico. Ela colabora no sentido de desmascarar o discurso da manipulação, do adestramento e do absoluto, fazendo com que a verdade seja gestada na concretude e na lucidez do argumento.
A Filosofia na Universidade também se contrapõe ao pensamento instrumental, fragmentado, da competência especializada. Assume a busca de uma visão totalizante e não totalizadora, onde o combate à falsas crenças, a produção do sentimento de inferioridade e da imposição da normalidade não se justifiquem.
Concluindo, o papel da Filosofia é resgatar o humano, o plural, o sentido e a direção da diversidade. ((•)) Ouça este post
quinta-feira, 3 de março de 2016
A NECESSIDADE DE PROJETOS NA ESCOLA “ENSINAR É ESCOLHER”
Para o professor, ensinar não é uma tarefa fácil. Precisa escolher como ensinar. Ensinar é escolher. Escolher é tomar decisões. Algumas perguntas que são sempre importantes: Como vamos nos apresentar em sala de aula? Que conteúdos apresentar? Que material utilizar? Que ritmo seguir? Que atividades propor? Como avaliar tanto nossa atividade docente quanto o estudante? Existem muitas opções. Nenhuma delas é neutra, pois todas elas carregam em si a necessidade de representarem modelos educativos. Dependendo do tipo de aprendizagem que queremos, assim também nossos estudantes irão corresponder.
A prática educativa, na maioria das escolas, está dominada pelo fator tradição, ou seja, através de atividades transmissivas. A cultura dominante está presente na metodologia de ensino direto, ou seja, na transmissão direta de conteúdos. A cultura dominante, ou seja, a tradição da transmissão direta de conteúdos e saberes se dá através da apresentação, da prática e da prova. Esses três passos representam o aspecto tradicional da educação. Para melhor compreender, é necessário atentar para a apresentação do conteúdo à toda classe, logo o estudante pratica orientado pelo professor através de atividades orientadas e, finalmente, os estudantes se submetem à uma prova onde os mesmos devem reproduzir os conteúdos apresentados anteriormente pelo professor.
O efeito direto da transmissão de conhecimentos está em que produz uma aprendizagem memorística, que tem como característica a curta duração, reprodutivo e acrítica. Ainda, as contribuições do ensino para o desenvolvimento de competências pacificadoras é evidente.
Por último, a transmissão de conhecimentos pelo viés da aprendizagem por memorização não facilita a inclusão, e dificulta a promoção à diversidade, provocando problemas motivacionais e atitudinais em aula. Em resumo, o excesso de transmissão de conteúdos diretos, produz efeitos prejudiciais à saúde da aprendizagem.
Sem dúvida, entre muitas práticas docentes, encontramos maneiras distintas de efetivação da aprendizagem. Há assim, variadas maneiras de ensinar. Classifica-se como necessária a proposição de maneiras alternativas de ensinar. Ensinar por projetos é uma delas, na qual, o professor propõe aos estudantes uma pergunta (problema para pesquisa) o qual, o estudantes precisam resolver. A partir dessa metodologia, é necessário escolher entre o ensino tradicional (transmissão direta de conteúdos) e o ensino por projetos (ensino ativo). Na primeira, como já se disse, o aprendizado ocorre por memorização; enquanto que, na segunda, através de tarefas e projetos se aprende a fazer.
A pedagogia de projetos promovem ações como buscar, escolher/analisar, discutir, aplicar, errar, corrigir e simular. A metodologia de projetos para aprendizagem nos mostra assim, que aprender significa conjugar o verbo “fazer”.
A aprendizagem por projetos se demonstra assim, como aprendizagem ativa. A mesma está baseada na seguinte metodologia: aprender por projetos, tarefas, problemas, descoberta, desafios. Ademais dos conceitos, esta proposta marca três fases distintas da transmissão direta de conteúdos e saberes:
1) O conhecimento é o resultado de um processo de trabalho compartilhado: onde o docente elabora perguntas, propondo investigações. Dessas investigações são produzidas conclusões de onde se percebe um produto final tangível e de aprendizagem.
2) O papel do estudante está relacionado com processos de cognitivos de categorias superiores: conhecimento de problemas, compreensão e interpretação de dados, tratamento de informações ou revisão crítica são algumas etapas do processo cognitivo das categorias superiores.
3) A função principal do professor é criar situações de aprendizagem que permitem o desenvolvimento do projeto: para o desenvolvimento dessa proposta, implica uma série de adaptações no fazer pedagógico.
Obviamente, para buscar as premissas acima apresentadas, sugere-se manter um nível de qualidade, descritos como critérios de qualidade de um projeto de aprendizagem. Esses critérios vão definir a eficácia da proposta de um projeto de aprendizagem. A National Academy Foundation & Pearson Foundation, estabelecem seis critérios de qualidade em um projeto de aprendizagem:
1) Autenticidade;
2) Conexão com adultos;
3) Exploração ativa;
4) Aprendizagem aplicada;
5) Rigor acadêmico;
6) Práticas de avaliação de qualidade.
Mais recentemente, são propostos oito elementos para a elaboração de um bom projeto:
1) Finalidade e relevância na perspectiva da aprendizagem do estudante;
2) Tempo para aprender e trabalhar;
3) Complexidade e integração curricular;
4) Intensidade e dedicação ao projeto;
5) Conexão presencial e através da rede;
6) Acesso à uma ampla variedade de materiais;
7) Capacidade de ser compartilhado e sentido;
8) Novidade e originalidade.
Concluindo, diversas experiências em projetos de aprendizagem nos têm permitido gerar um cenário da valorização de projetos, considerando a preparação do projeto, sua análise, avaliação, revisão e divulgação.
Enfim, podemos dizer hoje que há diferentes maneiras de aprender: aprender a ser, aprender a se informar; realizar aprendizagem com significado. Todas essas formas estão compartilhadas com outras maneiras de aprender que estão em expansão. Para finalizar, afirmar novamente que há várias e diferentes maneiras de aprender. ((•)) Ouça este post
sábado, 19 de dezembro de 2015
A HERMENÊUTICA TEOLÓGICA, O MÉTODO E A OBRA LITERÁRIA
A discussão decorrente desta produção, aborda de forma descritiva a hermenêutica teológica entendida como a produção de relação e sentido entre a tradição cristã e a experiência humana; o método, como uma abertura à experiência, um deixar-se guiar pelo fenômeno, ou mesmo, um deslocamento entre o intérprete e a obra; e, a leitura de uma obra como tentativa de libertar-se da objetividade científica com vistas à recuperar o sentido da historicidade e da existência.
Situar a hermenêutica dentro do campo da reflexão humana, é ultrapassar a generalização de que todo entendimento produzido sobre as coisas temporais e atemporais passam apenas pela subjetividade humana ou pela objetividade científica. A hermenêutica no campo teológico se situa como empreendimento não apenas no ato de conhecer, mas ao campo da linguagem, da interpretação, da desmitificação, do sentido do texto, ou mesmo no próprio texto. Assim, pode-se questionar sobre os pressupostos conscientes de nossa interpretação diante do que vamos interpretar.
Quanto ao interpretar à luz da Teologia, compreende-se que a melhor forma é uma reinterpretação do cristianismo baseado na não oposição argumentativa da criatividade[1] e da lucidez crítica[2]. O que se observa no método de leitura contemporânea da literatura teológica, é que esta se desenvolve contemporaneamente a partir de uma compreensão do tipo hermenêutico, desvencilhado do modelo clássico-dogmático. À essa forma se percebe que a prática teológica dos cristãos já está permeada de uma reinterpretação criativa da fé; ou seja, é a presença de uma relação crítica entre a tradição da cristandade com a experiência humana vivencial.
Nesse sentido, é importante entender que a hermenêutica teológica produz uma verdade apoiada na própria historicidade da verdade. Essa, só é possível quando a hermenêutica teológica opera na passagem do saber para a interpretação, que garante ao homem ser um sujeito interpretante. Essa premissa se sustenta quando se compreende de que, ao passo que há uma intepretação viva (do momento presente), se pode também reconstituir o passado, a alteridade histórica. Abandona-se, dessa forma, a hermenêutica psicologizante[3], o modo de pensar metafísico[4] e, produz-se sentido à medida que se toma consciência de uma hermenêutica interrogativa. A partir dessa prerrogativa, nasce o debate entre a autoridade da fé e a razão científica.
“O que me interessa é a ‘interpretação’ enquanto dá à palavra uma vida que ultrapassa o instante e o lugar nos quais ela foi pronunciada ou transcrita. O termo ‘interpretação’ reúne todas as nuanças adequadas” (STEINER apud GEFFRÉ, 1989, p. 5)
Assim, é importante situar a compreensão que é produzida hermeneuticamente. A consciência, pelo viés da relação moderna ‘sujeito-objeto’ oriunda dessa processo se localiza no encontro com o objeto, nem no sujeito, nem no objeto, mas sim, no encontro. Esse encontro é mediatizado pela linguagem comunicativa, ou seja, uma compreensão capaz de ser comunicada. Além dessa falha da objetividade científica moderna, apoiada no padrão da subjetividade antropológica do paradigma moderno, há a interpretação de que um evento linguístico está mais no objeto do que na transformação do intérprete; ou seja, para que uma obra literária seja interpretada é necessário que ela transforme o intérprete. Dessa forma, a hermenêutica é um meio de revelação ontológica, uma vez que se media a relação do homem com o mundo. Um mundo que é partilhado pelo homem através da linguagem, que por conseguinte, o insere em um espaço histórico-material que a sua compreensão o permite. Nessa existência ontológica é que produzimos significados.
Nessa perspectiva, a linguagem não é apenas um instrumento utilizado pelo homem para sua inserção social, mas é uma experiência. Quando abordada a nível da hermenêutica teológica, ela ganha significado pois acontece na vida e na história dos homens. Pode-se compreender a história humana, dentro desse ínterim, como sendo uma experiência permeada de limitações, não apenas sobre a finitude do conhecimento mas também da pobreza do mesmo em relação ao campo experiencial teológico.
“[…] ler uma obra não é adquirir conhecimento conceptual por meio da observação ou da reflexão; é uma ‘experiência’, uma ruptura e um alargamento do nosso antigo modo de ver as coisas. Não foi o intérprete que manipulou a obra, pois esta mantém-se fixa; foi antes a obra que o marcou, mudando-o de tal modo que ele nunca mais pode recuperar a inocência que perdeu com a experiência” (PALMER, 1989, p.250)
Tudo o que fazemos se dá pelo viés da linguagem. Existimos por ela, e ela constitui o nosso próprio ser. Então, o momento da intepretação não é apenas um momento de aplicação de significado, mas diante da obra literária constrói-se um mundo de significados maior do que o próprio mundo que dá significado à obra. Portanto, em todo processo de interpretação hermenêutica, somos possuídos por aquilo que é dito na obra. Nos situamos na compreensão da mesma, mesmo que esta esteja no horizonte de sua própria compreensão e significado. Essa guinada linguística requer que renunciemos a subjetividade humana como ponto de referência (relação sujeito-objeto).
Assim, quando desenvolvemos a percepção de que a leitura de uma obra não é a apropriação conceitual da mesma, inferimos um alargamento de nosso antigo modo de ver as coisas. Isto requer um método construído a partir da hermenêutica, distanciado da objetividade científica, da subjetividade moderna, do psicologismo teológico e da compreensão dominante do dogmatismo cristão. O método consiste na dinâmica de desenvolver um autoquestionamento de nossas incertezas, buscando compreender questões ocultas das obras literárias, ou mesmo questões que deram origem ao texto. É preciso, portanto, atentar para a dinamicidade do processo de abertura à arte de ouvir a partir de uma compreensão histórica e da crítica fenomenológica à visão científica. Em outros termos, situar-se na ordem da temporalidade e do significado dinâmico e experiencial da obra literária.
No entanto, o método não se basta a restrição dogmática da compreensão da obra. Este caminho pode também alterar ou impedir a experiência acima supracitada. Isto requer uma nova compreensão da estrutural de linguagem.
“O método é uma tentativa de avaliação de controle por parte do intérprete; é o oposto de nos deixarmos guiar pelo fenômeno. A ‘abertura’ da experiência – que altera o próprio intérprete em favor do texto – é a antítese do método. Assim o método é de fato uma forma de dogmatismo, separando o intérprete da obra, colocando-se entre esta e ele, e impedindo-o de experimentar a obra em toda sua plenitude. A visão analítica é cega à experiência; é uma cegueira analítica” (PALMER, 1989, p.248)
A partir dessas discussões acerca da hermenêutica teológica na busca de relação e sentido entre a tradição cristã e a experiência humana, o método e a libertação da objetividade científica como garantia da historicidade e da experiência, temos hoje a tarefa de recuperar o sentido da historicidade da existência. Em outras palavras, isto significa, repor culturalmente um novo modo de ver, interpretar e significar a interpretação das obras literárias.
[1] Observar que “[…] se a preocupação criativa nos expõe ao risco do arbítrio, a obsessão com a lucidez não nos expõe ao risco do reducionismo?” (GEFFRÉ, 1989, p. 09).
[2] Lucidez crítica no que se refere “a convicção intima de que a mesma não compromete em nada a espontaneidade propriamente teologal da fé.” (GEFFRÉ, 1989, p. 10).
[3] Compreende o texto como expressão da vida subjetiva do autor.
[4] Antiga ontologia de fundamentos conceituais. ((•)) Ouça este post
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
OS DESAFIOS E PROPOSTAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
Um dos grandes desafios que se apresenta ao momento em que estamos inseridos no âmbito da educação, é a proposta da Base Nacional Comum Curricular. A mesma ainda está em construção. Por ser democraticamente construída, busca sua legitimidade através do envolvimento e da participação de todos os interessados em educação. Para atingir tal objetivo, o MEC – Ministério da Educação e Cultura, através do acesso ao site da Base Nacional Comum Curricular, oferece espaços colaborativos de questionamentos e sugestões.
O caminho de construção da BNCC é longo. O que se vê de imediato, é que a mesma se apoia na Constituição Federal, Lei de Diretrizes de Bases (9.394/96), Parâmetros Curriculares Nacionais, Conferência Nacional de Educação, Diretrizes Curriculares para Educação Básica, PNAIC – Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, PNEM – Pacto Nacional do Ensino Médio e no PNE – Plano Nacional de Educação (2014-2020). A BNCC surge da necessidade de se pensar o currículo nacional em sua dimensão propositiva, acordada com as resoluções vigentes em educação. Assim, a BNCC não é o currículo, mas sim, onde se assentam os diferentes currículos. Por ser assim, a BNCC busca aprofundar o currículo a partir dos direitos e objetivos de aprendizagem. De toda forma, por não ter caráter redentor, não se espera que a BNCC venha resolver todas os problemas de ensino, aprendizagem e avaliação presentes nos diferentes currículos.
Assim, a BNCC busca, através dos direitos e objetivos de aprendizagem, a socialização de significados e construção de identidades dos sujeitos, no tocante à valores, direitos e deveres, incentivando também as práticas educativas formas e não-formais, uma vez que é composta de uma parte comum e outra parte diversificada.
A parte comum é composta de conhecimentos, saberes e valores gerados a partir das instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico, pelo viés do trabalho, da linguagem, atividades desportivas, corporais, artísticas, inseridas no exercício da cidadania. Já a parte diversificada, compreende as características locais e regionais, enriquecendo assim, a parte comum. Essa integração entre as partes não se dá por meio de disciplinas, mas em um processo de interdisciplinaridade e transversalidade de saberes e conteúdos.
Por constituir-se como diretriz pedagógica para a Educação Básica, a BNCC insere alguns desafios para as Universidades, Escolas e seus agentes: pensar o global com olhos no local, separar o importante do fundamental, construir uma base com legitimidade e clareza, articular os componentes curriculares, e por fim, pensar a educação como direito e objetivo da aprendizagem.
Para finalizar, uma reflexão de Paulo Freire:
"Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo.A escola em que se pensa, em que se cria, em que se fala, em que se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida" (Paulo Freire) ((•)) Ouça este post





