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sábado, 12 de junho de 2010

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QUAL IDEOLOGIA PRECISAMOS PARA VIVER?

 

Karl Marx, Sociólogo alemão do Século XIX, entende que a Ideologia, no EMPsentido mais restrito significa um conjunto de representações e ideias, bem como normas que servem para conduzir e nortear a vida de um indivíduo quando inserido na sociedade. Ela é uma forma de pensar, sentir e agir. Em nosso caso, inseridos na dimensão das politicas neoliberais do Estado Moderno, essas ideias e normas sociais seriam ditadas pela classe dominante.

A geração da década de 1980 deve lembrar uma música celebre do Cazuza, chamada Ideologia. Cazuza foi feliz ao produzir tal música, pois colocou nela a impressão de que tudo no mundo se apresenta acobertado por um “véu” de interesses políticos, que se apresentam de forma harmoniosa, mas que na verdade é um sentimento falso e ilusório.

Nesse sentido, falar de ideologia, é atribuir valor à inversão de ideias e valores. Por exemplo, durante anos a moral social foi se constituindo para formar o valor à vida que, aliás, é um dos principais valores (direitos fundamentais) de nossa Constituição Federal. No entanto, encontramos presente na mídia, das formas mais variadas, a inversão desse valor. O valor do capital ocupou o lugar que anteriormente pertencia à vida. Por isso que muitas pessoas ao lutarem para sobrevivência, acabam perdendo sua dignidade em viver. Isso acontece diante de vários grupos sociais, como por exemplo, político, religioso, escolar, etc.

Quais são hoje as ideologias válidas? À quem interessa as mesmas? Qual é a intenção de determinada ideologia? São perguntas que nos fazem refletir o modo que pensamos, agimos e sentimos.

Durante a década de 90, lembro-me dos “caras pintada” – movimento juvenil que, independente de sexo, etnia e religião foram até as ruas para impeachment do então presidente do Brasil Fernando Collor de Mello. Depois desse movimento, não lembro outro que tenha despertado tamanho interesse ideológico do povo. O que será que aconteceu?

Compreendendo seu sentido, basta verifica que cada programa de TV, Rádio, coluna de Jornal, livros e outros tentam passar uma determinada ideologia, com vistas a atingir com mais frequência os grupos sociais e suas problemáticas da vida cotidiana. É nesse momento que se dissemina a ideologia. Pois a mesma é auferida em um momento de crise social.

Como educador, não gostaria de ver nossos jovens de braços cruzados, assistindo dia após dia o naufrágio de um país tão belo e multicultural como o Brasil; jovens que perderam valores, sem saber o que fazer ou ter forças para lutar. Jovens que perderam (ou mesmo nunca foram convidados a desenvolver) uma postura política, ficando “em cima do muro” – como diz a musica Ideologia de Cazuza. O jovem não é o futuro, ele é o presente; e o presente, é agora!

É assim que devemos pensar: qual ideologia precisamos para viver? Se as ideias que temos não são suficientes para que tenhamos vida, devemos buscar espaços mais sólidos; espaços que permitam que tenhamos uma ideologia não à serviço da classe dominante economicamente, mas onde todos, independente de partido político, grau de instrução, cor, pensamentos, etnia, cultura, sejam valorizados.

É na raiz que vemos a força da árvore. Poda-se galhos e mais galhos se necessário, e se faz necessário, mas a raiz é sempre preservada: não há tempestades nem vendavais que possam contra uma raiz bem sedimentada.

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domingo, 6 de junho de 2010

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EDUCAR PARA A ALTERIDADE

O princípio da convivência humana é reconhecer de que não podemos viver sozinhos. Enquanto seres sociais temos sempre a tendência a buscar no outro àquilo que nos falta. É natural, no entanto, que nos sentimos obrigados por nós mesmos a buscar responsabilidades em determinados grupos que, ao nos inserir também nos incumbem de nosso papel social.

alteridade Atualmente, vivemos um tempo onde o individualismo, a arrogância e a prepotência são significados de poder. Poder está relacionado com domínio. Ter poder, é ter domínio sobre a natureza e sobre o outro. Cada qual tem sua verdade que, mesmo não sendo a verdade estabelecida pelo consenso, é válida pelo menos para si em todos os tempos e lugares. Isso tem gerado a lei do menor esforço: o que me identifica com o mundo é o que eu quero fazer dele, o que eu quero ser nele e, o que eu posso aproveitar dele. Muito menos, é ver que, como um ser inserido no mundo, devo me sentir parte dele de modo a assumir que é diante dele que tenho responsabilidades sobre o que acontece nele, com ele e comigo. À esses aspectos, chamamos de alteridade.

Atualmente existe uma crise de alteridade. Ou seja, a maior dificuldade que sentimos é a possibilidade de nos colocar no lugar do outro. Dificilmente carrego comigo as dores daqueles que não tem terra para plantar, daqueles que não tem lugar para morar, dinheiro para comprar alimentos, roupas para vestir, acesso à educação, entre outros…; esses não fazem parte do que sou!

Quando educados para a alteridade, a vida ganha um novo sentido: as relações com o meio ambiente e com os outros homens passa pelo entendimento e pelo significado do que é viver. Pois, viver não é apenas passar os anos…viver é estender o tempo sobre nosso significado. Viver é como dizem, “a vida é bonita, é bonita e é bonita!”.

A escola tem tentado trabalhar a alteridade, mas o sentimento de diferença tem se constituído desde o berço, quando nos imbuem de racismo, preconceitos sexuais, menosprezando os mínimos sociais. Aprendemos que a vida vale mais quanto mais se tem! Mentira! O valor da vida não pode ser medido por ações individuais, mas sim, alteras. Afinal, que significado teria a vida sem outrem?

Assim, quando somos educados para a alteridade, vamos aos poucos nos envolvendo em uma gama de responsabilidades que aumentam nosso circulo social, pois aprendemos a conviver com todas as possíveis diferenças. Com isso, diminuímos a tensão social causada pelo exagero do “eu”, distribuindo o sentimento do “nós” para qualquer atitude humana.

A família, a escola, Igreja e Estado, deveriam estar preocupados com a dimensão da alteridade, porque uma vez educados assim, superamos vários dos problemas sociais, entre eles, a falta de respeito com pais, professores e autoridades elegidas de forma democrática.

Educar para a alteridade quer ser um imperativo construído a partir da necessidade de novos tempos, de reflexão sobre o tempo em que vivemos enquanto egoístas, visualizando nosso próprio umbigo, para superar o antagonismo entre o ser e o ter.

Enfim, ser educado para a alteridade significa o ser humano assumir uma nova postura diante do mundo e de si mesmo.

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sábado, 29 de maio de 2010

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AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS E AS FERRAMENTAS DE PODER

A vida social vive sua trama. Desenvolvem-se os processos em flutuantess340x255 reciprocidades que, de um lado comportam a tensão social e de outro, geram novas tensões. Nesse cenário, debate-se as Instituições Sociais.

Antes de qualquer coisa, as Instituições Sociais são formas de organização, ou mesmo, organismo de poder e coerção social. Nelas fundem-se as mais diversas ideologias, ou seja, cada qual em sua especificidade representa uma esfera da vida social.

Exemplos de Instituições Sociais são a família, escola, Igreja, Partidos políticos, etc., cada qual com sua representatividade assumida a partir de um paradigma, seja ele antigo, medieval ou moderno, construídos sob a égide da historicidade que perpassa as formas de pensar e se organizarem. Todas as Instituições sociais, independente da ideologia que carregam, são importantes. Além de agregarem valores (alguns universais e duradouros, outros nem tanto) elas mantêm o tecido social coeso.

O processo de institucionalização começou a existir a partir do momento em que, por evidência da propriedade e da convivência coletiva, foram sendo criados os primeiros contratos. No entanto, não se pode afirmar a existência de uma Instituição social fora de uma sociedade contratual, por mais que possa não ser materialmente representada. Essas Instituições criam os chamados símbolos institucionais, ou seja, àquilo que nas palavras de Marx representa um fetiche social, uma espécie de representatividade. Esses símbolos são alusivos à toda e qualquer forma de poder dominante. Há que prescrever que, as instituições sociais respeitam as prerrogativas do poder dominante, uma vez que sem ele tão pouco teriam significado.

Por outro lado, as instituições sociais são uma forma de satisfação humana das necessidades sociais. É nelas que se incorporam os valores fundamentais, como por exemplo, a vida. Há instituições sociais que se prestam para o campo da orientação da vida em sociedade, enquanto outras, tem caráter punitivo. Mesmo assim, são estruturas organizadas que, ao se desenvolver, influenciam a vida em sociedade por meio da aceitação dos ideais. Outra característica fundamental, é que as mesmas relativamente são duradouras. Em grau, umas representam maior importância que outras, uma vez que a vida em sociedade é sempre mutável e, no seio de sua mutabilidade, novos entendimentos e formas de fazer acontecer e pensar as tensões sociais.

As funções das Instituições sociais são baseadas em modelos de comportamento social derivadas das funções manifestas pelas classes sociais (especialmente quando se tratar de instituições sociais no sistema de capital).

Alguns modelos de comportamento são aprováveis e outros, por si só, já estão na gama dos comportamentos inaceitáveis pelo padrão sutilmente utilizado. Sendo que, cada instituição social determina seus modelo ou padrão de comportamento, todos quantos não se adequarem à essa premissa, estão prejudicando determinada instituição social. Isso não quer dizer que cada instituição preserva apenas um papel social, pelo contrário, a gama de papéis sociais de cada instituição é de variedade e numeral infinito.

O comportamento de alguém que comete qualquer ato infracional em relação à outrem, deve ser reprovado e punido. Aqui, aparece com intensidade a norma moral como orientadora da construção da coletividade e dos comportamentos. Por exemplo, em uma sociedade padronizada em comportamento e pensamentos, se houver sujeitos que estão predispostos a não se integrarem nesse tecido, a sociedade acaba por se manter em situação patológica.

Nesse sentido, cada sistema cria seu próprio “cinturão de força”. Há que se dizer dos sistemas de reclusão de pessoas que, por um ou outro motivo, acabam por não aderirem ao socialmente estabelecido, ou seja, ao padrão de pensar e agir imposto pelas instituições sociais e porque não dizer, do pensamento dominante. Assim, por deterem o conjunto de forças das instituições sociais, o pensamento dominante elimina a possibilidade da mudança, mantendo as Instituições no foco de seu olhar, uma vez que a utiliza sob forma de controle.

Por fim, dizer que as instituições sociais aparecem hoje no contexto de um plano político ligado á economia e, de outro lado, buscam permitir a discussão de seu desenvolvimento para assim, substituir a lógica de funcionamento da Instituição social como uma ferramenta de poder.

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PAIS: ACOMPANHEM A VIDA ESCOLAR DE SEUS FILHOS!

VIDA_E~1 Alguns de nós lembram do tempo em que, quando um pai era chamado até a escola significava que seu filho tinha aprontado alguma calamidade por lá. Mas, hoje é diferente! Quanto maior o laço de ligação da escola com os pais, melhores são os resultados em aprendizagem dos filhos. Afinal, escola não é depósito! É lugar de gente viva! Gente que aprende e que ensina!

Então, como professor, sugiro algumas dicas:

a) Visitem a escola de seus filhos sempre que puderem: não esperem para serem chamados. Quando puderem ir até a escola, mesmo que for para uma bate-papo rápido, o façam, pois essa atitude transmite aos vossos filhos o sentimento de que a família está preocupada com suas atitudes e aprendizagens.

b) Conversem com os professores: essa conversa tem o tom de parceria e não de descargo de consciência. Muitos problemas são resolvidos quando, em conjunto, os pais e professores pautam estratégias sobre a formação do aluno. Mas lembrem, professores não são funcionários! Professores são colaboradores no processo de ensino! Nem os professores, nem os pais podem fazer milagres!

c) Conversem com seu filho (a): Na maioria das vezes, os pais nem sabem quais são as preocupações que afetam seus filhos, mas, mesmo assim, estão cobrando resultados. Uma boa conversa pode possibilitar resolução de problemas e ai sim, melhores resultados na escola.

d) Interajam com a escola: muitas escolas tem a prática do envio de bilhetes ou e-mails. Utilizem os recursos que forem necessários para conhecer as medidas pedagógicas utilizadas na escola para com seu filho. Responder um bilhete ou e-mail pode parecer um tanto bizarro, mas em algumas situações é a melhor forma de comunicação.

e) Comparecer às reuniões de Escola: Saber o que se passa na escola é dever de pais preocupados com seus filhos. Ir às reuniões é muito mais que simplesmente ouvir, é também participar. Interagir com perguntas, apresentando ideias para projetos pedagógicos escolares, programações, etc.

f) Ajudem seus filhos à cuidar da saúde física e mental: Não parece ser uma atitude de liberdade, mas gera responsabilidade. Criar junto com os filhos, uma rotina de leitura, temas, atividades esportivas, oficinas de recreação (dança, música, etc) e, por fim, ensiná-los à usar do bom senso em relação à saúde física. Muitos pais tem filhos que vão à escola no clarear do dia. O dia começa em tom especial quando se amanhece com um bom banho e um café da manhã nutritivo.

g) Vocês não são obrigados a saber tudo que seus filhos estão aprendendo, mas àquilo que vocês souberem ajuda em muito na aprendizagem de seus filhos, pois os mesmos desejam ter um apoio, serem valorizados e não esquecidos.

Essas foram algumas ideias, mas pais que acompanham seus filhos sabem tantas outras de sucesso que utilizam cotidianamente, pois sabe e acreditam que:

“Quem educa uma criança, retoca o mundo!”

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domingo, 23 de maio de 2010

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A INTERDISCIPLINARIDADE COMO PRÁTICA

interdisciplinaridade_elenO papel das instituições sociais que trabalham em educação perpassa pelo desenvolvimento de competências e habilidades que vão além do conhecimento científico em si. Devem oportunizar uma visão da complexidade da vida, socializando a vivência de cada um que participe efetivamente do processo de ensino e aprendizagem. No entanto, percebe-se a necessidade da construção de projetos que efetivem, com base nos autores em educação, em especial, Paulo Freire, a noção de interdisciplinaridade não como um emaranhado de conteúdos soltos, misturados e confusos, mas apontem para uma compreensão mais totalitária da realidade. Diante desse contexto, direção escolar e professores devem estar preocupados, pois conteúdos fragmentários também permitem concepções e entendimentos fragmentados, o que por conseguinte, nenhuma possibilidade de significado a partir daquilo que se faz nesses espaços.

Quando estabelecemos conexões, ou seja, relações de um objeto com outro, estamos interagindo no sentindo de construir conhecimento com significado. De outra forma, não basta apenas estabelecer conexões, mas problematiza-las! As questões que são intrigantes fazem os sujeitos em processo de aprendizagem captar a essência! Assim, aprendemos com mais gosto, aquilo que nos incomoda!

Diante do exposto acima, a produção de conhecimento é um projeto humano que exige superação de limites, do imaginado e que se enriquece no processo crítico e polêmico, onde se instaura uma rede de pluralismos culturais e de resistência escolar.

Percebemos então, que a prática interdisciplinar está ligada à questão da produção de conhecimento. Encarar a sala de aula como espaço de troca de ideias faz pensar no quesito “participação”. Nos encaminhamos para o fim de um período ditatorial em educação, onde o professor atuava como o único que sabe, enquanto o aluno é sujeito apenas receptivo.

É desafiante a prática da interdisciplinarida de nas escolas! Nós professores, devemos nos possibilitar essa mudança. Sair da aceitação de uma prática abarrotada de certezas e navegar no mundo das possibilidades. Quem sabe, seja o início de um processo que realizara ainda mais o homem pelo processo educacional. Para tanto, sugiro:

- Integração de conteúdos;

- Passar de uma concepção fragmentária de conteúdos para uma visão unitária;

- Superar a dicotomia entre o ensino e a pesquisa escolar;

- Ensino centrado numa visão que aprendemos ao longo da vida.

Assim, ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a produção e construção de saberes significativos.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

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O QUE É O BEM E O QUE É O MAL?

Prof. Ms. Danilo Simionatto Filho – Email 

 

lutero2 Diferentemente do que tem ocorrido no meu espaço, mais por um motivo de indignação do que por falta de assunto, vou sair um pouco do roteiro “artes, cultura e entretenimento” para me adentrar um pouco no campo do comportamento humano.

Digo indignação, não sem motivos! Afinal, vivemos mais um ano eleitoral e muitas promessas vêm por aí para ludibriar a maioria da população, que acaba acreditando que nosso país está seguindo o caminho certo e que possivelmente vamos sair de nosso atraso de mais de 500 anos em breve.

Não estou falando que para sairmos desse atraso é necessário seguir modelos já utilizados nos chamados países de primeiro mundo (se é quer ainda podem ser chamados assim, uma vez que já existem termos mais “atuais” para se dizer a mesma coisa, como, por exemplo, países centrais ou de globalização hegemônica), mas que temos que pensar diferente e agir diferente para podermos evoluir como sociedade e como cidadãos.

O que me leva a desviar parcialmente a “rota do navio”, sem, contudo, desligar-me da cultura que vivemos, é um fato que me ocorreu nessa semana em sala de aula.

Na bem da verdade, cheguei a me perguntar se não sou um energúmeno ou algo que o valha. Mas, como não comungo dessas crendices, achei até engraçado poder ser comparado a isso e, não temendo as possíveis reprovações, fui em frente.

Naquela tarde, havia participado de uma banca de um Trabalho de Conclusão de Curso sobre um tema polêmico: Uniões Homoafetivas (que envolve indiretamente o assunto religião e Estado). Mais tarde, pela noite, fui questionado sobre minhas crenças em sala de aula.

Não sou de me expor. Entretanto, achei o momento propício para lançar 10 pequenas sentenças e assim causar alguns questionamentos nas cabeças dos universitários presentes.

Assim: 1) Martinho Lutero provocou o maior burburinho em torno da religião que se tem notícia; 2) A cisão com a Igreja Católica se deu em virtude da venda de cadeiras no céu; 3) A Reforma Protestante se originou de tal fato, por que seus responsáveis acreditavam justamente que não precisavam de bens para amar e serem amados por seu Criador; 4) A Igreja e o Estado separaram-se, restando o Estado laico, que teoricamente não tem influência da fé,; 5) O Estado laico, que não é influenciado pela fé, deu imunidade tributária para os templos religiosos e para os partidos políticos (inclusive existem partidos políticos de religiões); 6) O Estado laico combate o crime, sendo que este vem de forma mais perniciosa quando afeta um sem-número de pessoas (como no caso da lavagem de dinheiro); 7) Ninguém tem meios de apurar quanto entra de dinheiro dentro de um tempo religioso, e nem mesmo qual a origem desse dinheiro; 8) A criatividade de quem se valha da dor alheia para “financiar a obra de Deus” criou o “trízimo” (30% dos rendimentos para a Igreja); 9) Quanto maior o desespero, maior a busca por ajuda espiritual (temos medo de morrer e não encaramos o fato de que isso é apenas mais uma etapa natural); 10) Determinadas religiões dominam os meios de comunicação de massa.

Claro que as cadeias de argumentos trazidos podem apresentar falhas e, em virtude disso, podem ser rebatidas. Mas, da mesma forma, podem apontar algumas conclusões interessantes, como: 1) Martinho criou uma Reforma para acabar na mesma situação anterior; 2) O Estado nunca se separou da Igreja; 3) O Estado combate e financia o crime, por meio de benefícios fiscais, inclusive; 4) O dinheiro do dízimo (ou do trízimo) que era para financiar a obra divina acaba financiando o narcotráfico, a exploração sexual, o jogo e outros templos caça-níqueis; 5) Estamos vivendo um caminho sem volta e ainda temos que nos confortar com musiquinhas que falam “faz um milagre em mim” e padrecos metidos a cantores invadindo a intimidade de nossos lares com melodias de péssimo gosto!

Entendo que as pessoas têm suas crenças e que algumas jamais irão se livrar desses vampiros travestidos de santos. Respeito a opção de cada um e, em alguns casos, tenho piedade dessas pobres almas.

Só não posso compactuar com tanta sacanagem que está acontecendo nos olhos de todo mundo e não aparece ninguém para denunciar esta falta de vergonha.

Vamos votar outra vez. Vamos torcer pelo melhor de nosso país. Mas, infelizmente, enquanto tivermos tratamento privilegiado para templos religiosos e partidos políticos, não progrediremos.

Não é uma questão de fé; é uma questão de razão e honestidade para com o outro (o que não deixa de ser um mandamento de várias crenças). Sabias as palavras de João: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!

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sábado, 15 de maio de 2010

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UMA MENTIRA CHAMADA AUTORIDADE

autoridade Foi-se o tempo em que as coisas funcionavam na base da força. Experimentamos um novo tempo, um tempo que a força, a prepotência e a autoridade não mais satisfazem qualquer tipo de convenção social.

Na antiguidade, as formas mais elementares de convivência social exigiam a força. Por exemplo, os líderes políticos eram escolhidos em uma batalha, onde o mais forte era o escolhido. Na mitologia, um homem, convencionado socialmente como o representante das divindades dirigia seus discursos para o governo dos outros com base na fé dos mesmos. Na Idade Média, com a supremacia da Igreja Cristã mais uma vez a visão absolutista de mundo é inserida no contexto social. Reis, Papas, autoridades laicas existiram com a intenção de representar alguma instituição social que lhe dera, em seu nome, autoridade para legislar, executar a lei e julgar quando necessário.

A autoridade exige respeito. O respeito delegado à autoridade tem como base o medo! Desde pequenos fomos educados a permitir dentro de nossa consciência um espaço para o medo. Medo da polícia sem nenhum delito cometido; medo do pai, pois ele era o tutor supremo da convivência familiar; medo do professor, pois sua figura é disciplinante; medo do padre, pois ele representa nossa ligação com a perfeição (Deus). Alguma vez já paramos para pensar que esse medo também pudera ter produzido em nós “medo de nós mesmos”?

Intrigante e desafiador é produzir a superação desse medo a partir do entendimento, do diálogo e do consenso. Não vivemos um tempo em que se escondem informações; o momento é de transparência e de complexidade. Estamos buscando a conviver com o diferente, entendendo suas limitações, angústias e desejos. Visualizamos o sistema político e econômico como uma possibilidade de organizar a economia de um país, mas não como única possibilidade. Apostamos na educação como a tentativa do cultivo de valores; não valores impostos pela autoridade de alguém, mas virtudes universais como a vida, dignidade e a liberdade, que são válidos em todo tempo e lugar.

As relações de trabalho passam pela gestão de grupo e não pela autoridade de um indivíduo. Não suportamos mais o egocentrismo exagerado daqueles que pensam que podem definir o que pensamos, o que consumimos, que moeda usarmos, que língua falamos…Nossas relações são de livre-arbítrio, no entanto, há que se considerar que precisamos ainda nos “desgrudar” daquela velha moral com base na autoridade.

O respeito não é um produto a ser adquirido com a autoridade, mas um valor a ser conquistado com a liberdade de pensamento e ação. Não se pode pautar o desejo de ser livre alimentando cotidianamente as velhas estruturas moralistas que durante muito tempo mantinham o império da força e do domínio como ditames de uma sociedade embasada na ordem e no progresso.

Ninguém pode resistir ao sonho da liberdade sem antes sobrevoar sua consciência e nela, categorizar os pressupostos da convivência humana, ainda mais quando se fala na preservação da vida, liberdade e dignidade da pessoa humana.

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domingo, 9 de maio de 2010

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REPROVAÇÃO/APROVAÇÃO: UMA CONDIÇÃO MORAL OU ATITUDE ÉTICA?

aprovado De onde nasce a autoridade para aprovar ou reprovar uma ação? Na antiguidade, a autoridade estava inscrita na legitimidade do poder religioso. Em função dos agrupamentos sociais, os pais por serem considerados mais velhos tinham a função de reprovar. Nas primeiras escolas, onde havia mais preocupação com as normas disciplinares do que propriamente com o aprendizado de conteúdos, a reprovação estava ligada à um comportamento não desejado pelo grupo. Assim, podemos dizer que a autoridade da reprovação ou aprovação de determinado comportamento sempre é um desejo da coletividade transferida à um responsável pela sua execução. No fundo, estão presentes os comportamentos morais e as atitudes ligadas ao campo da ética.

Uma questão que comporta nosso consenso é que, sem as normas morais a vida em qualquer instituição social se torna insustentável. As normas morais são construções que, muitas vezes por meio da tradição e costumes de determinado povo são consideradas louváveis. No entanto, o que precisa ser avaliado é que, por serem históricas, as normas morais também são resultado do tempo, ou seja, cada momento histórico carrega em si a necessidade de uma moral adaptada à sua construção. Assim, podemos dizer que, pelos tempos históricos serem transitórios em seus significados, também as normas morais podem ser transitórias, o que dá à aprovação ou reprovação um caráter de mobilidade.

É também inegável que a postura ética carrega em si um confronto com a moral quando se trata do aspecto reprovação ou aprovação. Esse embate se sustenta quando, de um lado, o sujeito mantém uma postura ética (sempre particular) adequada ao tempo histórico que, como vimos é transitório e, de outro lado, as instituições sociais (Família, Escola, Igreja, etc) preservam uma moral embasada nos costumes e hábitos. No entanto, a postura ética é reprovada, pois a moral é uma construção coletiva! Há quem produza a partir disso um dizer: “fulano pensa muito à frente de seu tempo!”.

Deveras, desse raciocínio podemos concluir de que, ao passo que uma instituição social ainda resiste em relação à mudança, estará reprovando comportamentos que poderão ser indícios do momento atual e que, por alguma circunstância ou ideologia a instituição ainda não se posicionou perante este novo caráter histórico.

Mas, não é no desprezo à moral institucional que se constrói sujeitos éticos. Também não é na aprovação de comportamentos amorais que vamos construir uma sociedade mais livre e digna. Parece que a reflexão nos provoca a pensar em alguns valores que são universais, ou seja, valores que aprovam comportamentos éticos novos em função de uma nova moral, mas que não abandona ou desconsidera as bases da história como espaços de construção e reflexão de valores anteriores aos atuais.

Assim, é na sucessão do passado, na vivência do presente e na construção do futuro, que vamos conseguir um equilíbrio entre o aprovar e o reprovar, sem o apelo ao extremo de uma moral ditatorial, sem também afirmar comportamentos extremamente individualistas e sem noção da vida social e coletiva.

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

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OS LIMITES DA NORMALIDADE

human Vivemos em uma sociedade que constantemente estabelece padrões. Vai dos padrões de beleza até padrões pré-condicionados das formas de pensar. Por trás de fatos normais, existe a possibilidade do controle, ou seja, àquilo que é normal, constantemente acontece, mas o que é considerado fora do padrão incomoda e é deve ser excluído. O que muitas pessoas não sabem é que essa normalidade tem um limite: a condição humana da busca pela diferença.

Desde que nascemos, temos aprendido a confrontar nossa forma de pensar com os padrões do certo e do errado socialmente estabelecidos. Não que queiramos extrapolar o que culturalmente se constrói, mas o desejo da mudança é intrínseco dentro de nós. No entanto, esse desejo faz com que nos pusemos em uma condição de tamanho conflito, que a normalidade acaba por se apresentar como um estranhamento de mim comigo mesmo, e de mim com o outro.

O normal é patológico. O normal adoece a vida social. Estabelecer o normal é o mesmo que não permitir a diversidade – o que nos dias de hoje é fatal para a desintegração do tecido social. A normalidade aceita apenas o que é ou que pode ser funcional do ponto de vista operacional da vida social.

Quando se fala em educação, a escola tem contribuído muito com o processo da normalidade. A justificativa que se apresenta está no fato de que a mesma é um aparelho ideológico do Estado. No entanto, a mesma deve funcionar como um espaço do “acontecer” da normalidade. Os padrões escolares se refletem no campo de trabalho, na economia, na cultura e na língua de um povo. A partir desse desenho, vê-se que a estrutura escolar necessita de uma mudança que venha a corroborar com a noção da diferença o que, por conseguinte, gera criatividade.

Também precisamos debater a construção histórica que se deu até hoje ao ser diferente. No Séc. XVII, ser diferente era ser deficiente, inapto ao trabalho e à vida social. No entanto, com o discurso da inclusão, a diferença volta com novo significado: a valorização da vida, da liberdade e da dignidade em uma sociedade capitalista precisa da condição da diferença para se sustentar. No âmbito do trabalho a diferença, muitas vezes, acaba se tornando em exclusividade. O sucesso de muitas pessoas e empresas faz com que a diferença assuma tamanha presença social a ponto de limitar a normalidade e elitizar o mercado.

Em educação, os limites da normalidade se apresentam quando, em diferentes situações somos convidados a pensar uma escola mais diversificada, seja em questões de método quanto no desenvolvimento de competências e habilidades a serem desenvolvidas em nossas crianças e jovens.

Não podemos mais pensar uma sociedade que paute sua educação no solo de uma racionalidade técnica, assentada em princípios padronizados conforme o interesse das elites dominantes. Toda tentativa de mudança é valida! Toda sede de superação do antagonismo social tem seus reflexos e seus empecilhos! Mas todo desejo de superar a normalidade carrega em si, o gostinho da mudança!

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domingo, 25 de abril de 2010

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O SUCESSO E O INDIVIDUALISMO!

individualismo Desculpem! Mas discordo que precisamos ser individualistas para ter sucesso em nossas vidas!

Certa feita, um professor ao estudar os temas ética e moral, acentua à todos daquela classe que, as mesmas somente são possíveis diante do coletivo. - Não! – Alguém discordou! Afirmou apenas que a base do seu sucesso na sociedade se dá de forma individual, pois o sentimento de mudança é um mero engano e, que não adianta nada, por conseguinte, alguém estar preocupado com a coletividade.

A reflexão que gostaria de trazer a partir dessa premissa acima é a proposta engendrada na mente de nossos jovens de hoje. Muitos acreditam que determinados indivíduos estão bem colocados financeiramente, em um escalão de ricos sobre pobres, devido ao seu excêntrico individualismo. Pois bem, essa geração não tem culpa dessa visão equivocada! Somos nós, educadores, pais, lideres políticos que acabamos impulsionando os mesmos a pensarem assim. Somos culpados por uma sociedade que apenas reflete quando chega ao seu extremo, quando vê diante de seus olhos os seus semelhantes esgrimidos pela fome e pela dor do sofrimento que aterroriza a vida de cada um e de todos. Sociedade esta que, moralmente impregnada pelo absurdo dos noticiários exagerados e cheios de ideologias carregam todo dia em suas páginas sujas de sangue, do meu e do seu dinheiro, a extorsão dos princípios da dignidade e da liberdade humana.

Não escrevo para redimir meu olhar da escravidão estúpida que homens e mulheres cultivaram em nome da ordem e do progresso, esquecendo que, não pode haver progresso sem desenvolvimento humano. Por outro lado, não foi apenas o sangue dos mártires que renovaram e renovam até hoje a esperança de algum tipo de mudança social, mas a característica intrínseca de cada um de nós ao afirmar que somos humanos.

Sucesso? Sucesso individual é culpa. Não se pode ajustar a dinâmica social destruindo e esfacelando o sentimento de um povo que respira mudança, mas se encontra agonizado pelos exemplos que dia após dia arrastam milhares de pessoas, inclusive nossas crianças e jovens à modelos implantados na sociedade sob a base do espetáculo. Querem fazer do homem aquilo que ele nunca foi: uma máquina! Querem a produção à qualquer custo! Querem fazer do consumo o sustentáculo do progresso! Querem fazer de cada um de nós meros credores do sucesso, enquanto nos tonificamos com pequenos goles de individualismo. Querem a diferença a qualquer custo, enquanto desacreditam na harmonia de uma sociedade que luta pela sobrevivência. Querem o sucesso, mas esquecem da coletividade.

E para terminar, não vivemos em uma sociedade baseada no modelo de um circo, onde dia após dia uns fazem micagens e somos apenas meros “receptores”, mera plateia emburricada pela cultura emergida em interesses econômicos. Querem nossos aplausos? Não somos plateia, somos protagonistas deste espetáculo que se chama vida! E, nessa formamos nossas identidades coletivas, nosso papel social e nossa responsabilidade. Sem você, sou apenas eu; com você somos mais, somos nós!

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sábado, 17 de abril de 2010

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REINVENTAR A INTELIGÊNCIA!

A grande distinção entre o homem e o animal é a inteligência. Percorrer criatividade1os caminhos e os descaminhos desse processo significa trilhar os processos de significado e repressão que damos às nossas vidas. A inteligência sempre foi algo a ser discutido, aberto às críticas e sem um conceito pronto. Alguns dizem que ser inteligente é se adequar às necessidades que a sociedade impõe aos indivíduos, ou seja, a cada dia você é posto diante de novos desafios em seu trabalho, estudo, vida, etc., é no saber negociar nesses espaços que você demonstra sua inteligência. Outros já discordam dessa postura, pois investigam que, ao passo que a sociedade determina os meios de sobrevivência está também construindo o conceito de Inteligência, nesse caso, ser inteligente significa aceitar passivamente àquilo que outros nos impõem como fundamental para conviver.

Ao estarmos inseridos em um mundo em constantes mudanças, aponta-se para a inteligência como a capacidade de ser criativo.

Durante anos, a ideia de criatividade estava restrita somente ao campo das artes que, fenomenalmente apontava grandes gênios. A criatividade estava apenas a serviço da elite social, ou seja, a contemplação da magnitude de uma obra dependia exclusivamente do olhar da classe social dominante. Essa visão muda ao passo que não se polariza mais este campo, igualmente, com a expansão da arte nas mais diversas classes sociais, também se produz ali o novo conceito de inteligência.

Ser inteligente significa ser criativo! E ser criativo significa criar conexões entre àquilo que não é, com o que já está. Diante da loucura inusitada dos negócios diários, muitas vezes ficamos aglutinados em um espaço que é destinado somente à reprodução daquilo que os outros produzem. Já, na nova postura, essa visão não é possível.

Basta você observar que, em fase inicial de sua vida, o ser humano parece ser mais criativo. Para ele o mundo é uma pergunta. Acontece que, ao passo que essas perguntas vão sendo respondidas (na maioria das vezes com respostas impostas pelo poder do pai, mãe, professor, etc.), vamos nos afastando da inclinação crítica, ou seja, abandonamos nossa criatividade, portanto, nossa inteligência.

Ao estabelecer os padrões socialmente aceitos, construímos um protótipo de pessoa não agregado no valor da criação e sim, da reprodução de ideias socialmente produzidas. Cabe à nossa capacidade crítica a desestabilização e a abertura às novas perguntas sobre as velhas “verdades”. Cada um demonstra sua inteligência ao passo que se insere como crítico nos espaços sociais.

Dessa forma, vivemos um momento de reinventar a inteligência, não baseada em artifícios metálicos, mas na perspectiva humana. As invenções da técnica e da robótica acentuaram a necessidade do aperfeiçoamento e melhoraram o acesso às informações e outras, mas dispensaram o esforço como ponto de partida para qualquer forma de desenvolvimento.

Assim, vivemos um tempo de constantes mudanças, e a maior delas parece ser a necessidade de reinventar a inteligência.

"A inteligência é feita por um terço de instinto - um terço de memória - e o último terço de vontade." (Carlo Dossi)

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domingo, 11 de abril de 2010

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EDUCAÇÃO: SUPERAÇÃO DO PENSAMENTO MECÂNICO!

Segundo Durkheim (1858-1917), sociólogo considerado um dos pais da sociologia moderna, a vida em sociedade passa por dois estágios: a solidariedade mecânica e a orgânica. Para entender essas duas formas de solidariedade social, Durkheim fala que todos nós somos pré-condicionados em nossas ações, ou seja, nossas ações são determinadas pelos fatos sociais. Estes são entendidos como os modos de vida, língua, costumes, hábitos, formas de pensar, política, educação, etc.

chaplinA Solidariedade Mecânica na acepção durkheineana de sociedade, pode ser comparada ao funcionamento e a estrutura de um relógio. Esse modelo nos remete a pensar em um sistema formado por engrenagens, onde necessariamente uns não necessitam dos outros para sobreviver. Quando uma engrenagem já não serve mais (por desgaste ou outro problema) ela é imediatamente substituída para que o sistema mecânico do relógio volte a funcionar em perfeita harmonia. No sistema social mecânico, vivemos acertadamente o que a analogia do relógio significa. Para tanto, basta observar no mercado de trabalho funcional: quando um trabalhador não está mais adequado para tal função, ele é descartado.

Já a Solidariedade Orgânica prevê um modelo social baseado na analogia de um corpo orgânico, onde cada órgão é individual mas necessita do outro para executar bem sua função. Por exemplo, o coração precisa do pulmão, o pulmão precisa do cérebro, o cérebro…etc. Assim, se observado no tecido social e em toda sua esfera de funcionamento, percebemos que independente da profissão que cada um tem, todos precisam uns dos outros. Àquilo que eu produzir é inerente e necessário à sua sobrevivência. Os socialistas criticaram Durkheim no quesito da produção de uma sociedade extremamente individualista, ou seja, cada um, segundo a concepção dos socialistas, acaba buscando aquilo que lhe convém. Durkheim rebate a crítica com a ideia de que, justamente por ser de esfera individual, nessa solidariedade é que uns precisam dos outros, pois aquilo que eu produzir não somente me basta para sobreviver.

Se aplicado essas teorias às concepções pedagógicas em educação, observamos que o interessante seria o desenvolvimento das competências e habilidades individuais; sem antes, perder o sentimento de coletividade. Afinal, o modelo mecânico não inova, apenas reproduz.

Está na hora de parar o funcionamento do relógio e compreender que não é o tempo ou o seu funcionamento que dá vida à sociedade, mas a criatividade que se emprega nesse tempo, ou ainda, o seu significado. Educação precisa de significado! Enquanto não há significado, as engrenagens do relógio continuam a fazer o seu belo trabalho, mesmo sem saber por quê o fazem.

Nasce da visão orgânica da sociedade um sentimento de que pertencemos uns aos outros. Surge a concepção de que vivemos um tempo em que precisamos cada vez mais uns dos outros para sobreviver, à isto chamamos de era planetária. Não dá mais para imaginar que a natureza, o outro homem estão à nosso serviço, portanto, devem ser explorados! Não dá mais para pensar um mundo sem solidariedade, sem educação!

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

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MUDANÇA DE MENTALIDADE!

Há uma história já clássica, que muitos conhecem, que se conta que um ser humano abandonou a terra e viajou, durante algum tempo, à velocidade da luz. Em seu regresso ao mundo, para ele haviam passados apenas alguns anos, mas para aqueles que aqui viviam, já não sabiam quantos milhares de anos se haviam idos. Em seu desconcerto, nosso personagem não sabia mais de nada, apenas queria encontrar um lugar para se consolar; e o teria encontrado: a Escola. Este ambiente ainda estava à seu contento!

Diante de tamanho descontento com a escola, com seu modo de ser e existir, perguntamos além da sua natureza, também a sua necessidade social. A Escola é uma instituição social que merece ser reconhecida como portadora de uma função social especial: a tarefa e o sentido ético, o compromisso com a formação de cidadãos críticos e autocríticos, despertar a escuta e o gosto pelo ouvir, instigar a esperança nos corações, desenvolver a inteligência para os sentimentos e as ideias, preparar para o fracasso e para a frustração (que também é possível), despertar o senso de humor, a curiosidade, enfim…, formar adultos de qualidade, comprometidos politicamente com o meio em que vivem. Para tanto, precisamos reconfigurar as políticas educacionais que dão base para o seio da formação escolar.

Reformular políticas de educação significa pensar que os desafios do ensinar e aprender na contemporaneidade estão nas mãos de mentes abertas, pessoas que perceberam a fragilidade do ser humano e, no entanto, exigiram de si mesmos uma mudança de mentalidade. Mudar a mentalidade não significa em primeiro momento mudar a forma de fazer as coisas, mas sim, desenvolver a consciência de que, uma vez em mudança todos os aspectos da sociedade, também se faz necessário alavancar o processo de mudança no perfil educacional.

Para tanto, é necessário elaborar algumas perguntas: Onde estamos? Para onde pode nos levar a realidade em que vivemos? Que princípios vale a pena cultivar por que o são universais? Onde é preciso corrigir e mudar? O que temos que fazer? Como eu posso contribuir?

A partir dessas interrogações, percebemos que o aprender e o ensinar são dois eixos que articulam a vida. É o epicentro da paixão pela educação, pela escola, pelo professor e em especial, um compromisso específico da natureza humana.

Tenho medo de que esse projeto seja apenas uma utopia (como o próprio nome diz, ‘que não se encontra em lugar algum’). Tenho medo de que essa voz que grita pela mudança educacional seja silenciada pela força e pelo poder da opressão. Suspiro pelas pequenas iniciativas de alguns professores e escolas, e que têm um forte papel social diante da causa política em educação.

A mudança tão esperada aqui, como já dito, não é apenas da estrutura, mas da compreensão e da destruição dos moldes neoliberais – ainda, é acima de tudo, uma mudança de mentalidade.

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sábado, 27 de março de 2010

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DESTRUIÇÃO OU UM “TOQUE” DE SENSIBILIDADE?

Francis Bacon, filósofo inglês do Séc. XVII dizia: “Saber é poder!”. Bacon estava diante de uma necessidade que emergia do seio de sua sociedade: o Desenvolvimento Científico. Hoje, estamos altamente desenvolvidos a ponto de acreditar mais em nossa arrogância do que em nossa natureza; à ponto de pensar que, por mais que saibamos de seus riscos, eles não nos são importantes, pois os minimizamos, o tornamos ingênuo diante de nossa tamanha confiança em nós mesmos e nos nossos artífices. Mero engano! O que vemos, é que o “poder” ganhou um espaço, enquanto o saber e a sensibilidade ficaram à mercê do sentido da vida.

Todo poder implica de certa forma, em uma imposição de foto_destruição_hz alguém em relação à alguém. Em nome do poder, o homem rompeu o seu “cordão umbilical” com a sua mãe, a natureza. Se apoiou em uma racionalidade assentada nos princípios da técnica e do egocentrismo, se tornou, como dizia Nietzsche, “senhor de si mesmo”. O Séc. XVII inaugurou o modo de pensar moderno. O que se entende como ultrapassado deve se deixar de lado. Abandona-se o sentimento de dependência, aliás, para que ser dependente, se tudo podemos? Deus é abandonado! O antropocentrismo é inaugurado sob a opressão da cosmologia, da vida e de tudo que há na terra. A obra “A Criação” de Michelangelo, com enfoque no Renascimento (Séc. XVI), demonstra a transferência de um poder divino ao homem. O homem sentado sobre a Terra representa sua superioridade em relação aos demais animais e seres vegetativos. É angustiante pensar que ainda reproduzimos essa consciência em nossas formas de pensar!

Já o Saber, como dizia Sócrates, exige tamanha humildade, a ponto de reconhecer de que “só sei que nada sei!”. Esse princípio, elege um terceiro: a sensibilidade. Não é possível o Saber sem ser sensível! Toda sensibilidade aponta à percepção como princípio da dúvida, e portanto, da pergunta. Quando perguntamos, desestruturamos nossa condição de senhores e, passamos a nos colocar no lugar daquele que sabe apenas que nada sabe. Quando perguntamos pela sensibilidade, inauguramos um novo modo de pensar e agir: a sensação de que, nosso “cordão umbilical” com a mãe natureza ainda não foi rompido. Precisamos de seu oxigênio que embala nossas entranhas; da água que refresca nossa sede e do alimento que sustenta nossa arcada óssea.

No entanto, não agimos assim! E nossa mãe, sob forma de aviso, sensivelmente nos evoca a pararmos e pensarmos como anda nossa relação com ela. A sensibilidade é tamanha que provoca destruição! Parece que chegamos ao limite existencial, onde a sensibilidade assume o papel da extremidade. Supostamente ainda, gerações após gerações continuarão a conduzir de forma irreversível o caos ensinado pelos seus antecedentes.

Nós, educadores estamos fazendo um trabalho de “formiguinha” muito importante: não precisamos sair por ai catar latinha, recolher pneus, etc., estamos sim, por meio do ensino-aprendizagem conduzindo nossos jovens para um mundo mais sensível e de percepção. Quem sabe assim, a destruição deixe de ser apenas um toque de sensibilidade.

Pensamos demasiadamente, sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mais de bondade e ternura, que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá. (Charles Chaplin).

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domingo, 21 de março de 2010

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O MAL-ESTAR DE UMA CIVILIZAÇÃO!

O ser humano é insatisfeito! No entanto, há sempre a necessidade de buscar àquilo quetristeza deseja. O desejo, conforme Aristóteles é uma condição natural, ou seja, já nascemos com ele. Ninguém está imune do desejo. O desejo acompanha a vida do início ao seu fim. No entanto, a vida social é resultado do desejo e não simplesmente da necessidade de sobrevivência. O conflito, autor de inúmeras construções ou destruição de cultura é sim, por conseguinte, inerente do processo social.

Diante dessa apresentação surge a tendência ao livre-arbítrio, ou seja, uma vez que a vida social é construção, também o mal-estar pode ser construído. O livre-arbítrio é o que determina a condição humana, ou seja, por meio dele abandonamos nossa animalidade e preservamos a intenção de viver em sociedade. Alguns não entendem a máxima do livre-arbítrio: “Não faças ao outro o que não queres que te façam” e, praticam atrocidades na vida social, dificultando a sua vida e a dos seus.

Visualizando essas prerrogativas na educação, verifica-se que vivemos um momento de “mal-estar de uma civilização”, ou seja, valores que até então tinham significado de universalidade são abandonados sem a construção de novos. No lugar desses valores surgem modismos sofisticados em nome da felicidade, mascarados de marketing barato e sustentação da desigualdade social. Basta observar o modelo carregado pelo Big Brother e outros do mesmo caráter.

Diante desse cenário, no lugar da indignação (valor tão esquecido atualmente) surge o parâmetro de normalidade, onde as gerações com nomenclaturas diversas (Y, X,Z…) aceitam padrões construídos pela ideologia dominante como princípios de vida para si e para seus convives. É de saltar os olhos!

Então, enquanto professores, pais e escola, lutamos contra um sistema imaturo, insustentável do ponto de vista social, onde há uma força alienante que conduz a nossa e as futuras gerações à viverem um mal-estar, ou seja, uma insatisfação que só será suprida a partir do momento em que o normal produzirá nosso imperativo de vida, dizendo o que pensar, fazer, consumir, etc.

O mal-estar é caracterizado pela insatisfação com a condição individual e coletiva. Estar de bem consigo mesmo exige uma postura diante do mundo! Estar de bem com o coletivo exige uma postura diante dos outros! E essa relação não é nada fácil, principalmente quando se vive um momento em que cada um estabelece sua verdade. A identidade coletiva foi abandonada e, junto com ela a noção de responsabilidade coletiva! Para tal, basta observar a dificuldade que é encontrar lideranças nos tempos em que mais necessitamos das mesmas.

De outro lado, há que se dizer da necessidade de superar este mal-estar sob a perspectiva de que esse momento assim caracterizado seja apenas uma transição. Se não o encararmos assim, vamos aos poucos perdendo a noção dos valores universais, encarando apenas os “modismos” como imperativos de nossa vida.

Enquanto escola, professores e pais, jamais podemos deixar de reforçar valores universais como a vida, a liberdade e a dignidade, pois, se assim o fizermos estamos acabando por concordar com o mal-estar civilizatório.

“Se você treme de indignação perante uma injustiça, então somos companheiros” – Che Guevara.

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domingo, 14 de março de 2010

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PAIS E FILHOS: UMA RELAÇÃO NECESSÁRIA!

Ouço cotidianamente pais trabalhando com políticas compensatórias em relação aos estudos de seus filhos. “Se você fazer isso, ganha aquilo!” ou “se você não fizer isso, te tiro aquilo!” – essas são expressões que buscam compensar determinada atividade com aquilo que a criança gosta. Absurdos como dar computador e outros objetos de prazer infantil para obter boas notas na escola. E na escola, uma corrida absurda pela pais_e_filhos competição de notas, aumentando a tensão na aprendizagem. Vamos discutir?

Todos sabem que temos competências diferentes! No entanto, aprendemos coisas diferentes em tempos diferentes. Não podemos transformar a escola em um centro de competição, de fórmulas prontas, de castigos morais e muito menos de políticas compensatórias.

A aprendizagem precisa de um tempo hábil para que aconteça, e na maioria das vezes, esse tempo é apurado em função de resultados. A criança pressionada pela família poderá vir a criar bloqueios, perdendo totalmente o estímulo pela aprendizagem. Lembrar também que a aprendizagem ocorre por meio da significação. Há que se entender que aquilo que está no currículo escolar, muitas vezes não é o que paira na consciência e na vivência infantil.

A partir de toda problemática apontada acima, a relação pais e filhos sempre foi e será uma aproximação necessária. A maioria das famílias busca a satisfação de resultados por eles esperados, como se a criança fosse apenas uma “máquina de equacionar” processos escolares.

Por trás da aprendizagem escolar existe uma gama de questões a serem consideradas: o momento afetivo da criança, a convivência familiar (em algumas famílias as relações são mais ou menos tensas), a adaptação ao ambiente escolar, a troca de ideias com os professores, a integração com os colegas, o modo de ver o mundo, entre outros.

Dessa forma, se considerados todos esses processos não podemos fracionar a aprendizagem. A falta de uma relação entre pais e filhos pode acarretar na falta de responsabilidade no espaço escolar. A convivência familiar e escolar é mediada por fatos sociais, ou seja, fatos externos que determinam a conduta dos indivíduos. Nesse sentido, a relação de pais e filhos colabora para com a aprendizagem escolar quando for mediada pelo diálogo aberto, sensível e amadurecido.

No entanto, a confusão ou a troca de responsabilidades na família poderá vir a acarretar a indisciplina escolar. Ao assumir as normas familiares a criança cria seu espaço de responsabilidade, emitindo aos pais a mediação, mas não o definir de sua postura.

Pais abertos ao diálogo têm filhos dialógicos! O diálogo é a base do entendimento, no entanto, a privação do mesmo poderá vir a ser a causa dos conflitos familiares e escolares como reflexo.

Com esse embasamento, a escola não quer se eximir do papel moral, pelo contrário, quer pertencer à um trabalho conjunto necessário, onde os principais sujeitos que se constroem são todos os que dele participarem. A escola dialógica está sempre de portas abertas para trocar ideias sobre seus alunos, não os classificando de acordo com habilidades, mas buscando a desenvolver todas as competências necessárias para entender a sociedade e a vida nela inserida a partir da possibilidade e do entendimento.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

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Cada qual com a sua Quimera!

Sob um grande céu cinzento, numa grande planície poeirenta, sem caminhos, sem gramados, sem uma urtiga, encontrei vários homens que andavam curvados.
Cada um deles carregava nas costas uma enorme Quimera1, tão pesada quanto um saco de farinha ou de carvão, ou os apetrechos de um soldado da infantaria romana.
Mas a monstruosa besta não era um peso inerte; pelo contrário, envolvia e oprimia o biblia_cienciahomem com seus músculos elásticos e possantes; grampeava-se com suas duas vastas garras no peito de sua montaria; e sua cabeça fabulosa sobressaía acima da fronte do homem, como um daqueles capacetes horríveis com os quais os antigos guerreiros esperavam acirrar o terror inimigo.
Interroguei um desses homens, e perguntei-lhe aonde iam assim. Respondeu-me que de nada sabia, nem ele, nem os outros, mas que evidentemente iam a algum lugar, já que eram levados por uma invencível necessidade de andar.
Coisa curiosa de se notar: nenhum dos viajantes parecia irritado com a besta feroz pendurada em seu pescoço e colada em suas costas; dir-se-ia que a considerava como fazendo parte de si mesmo. Todos esses rostos cansados e sérios não demonstravam desespero; sob o céu, com os pés mergulhados na poeira de um solo tão desolado quanto este céu, eles caminhavam com fisionomia resignada daqueles que estão condenados a ter sempre esperança.
E o cortejo passou a meu lado e afundou na atmosfera do horizonte, no lugar em que a superfície arredondada do planeta se esquiva à curiosidade do olhar humano.
E, durante alguns instantes, teimei em querer compreender esse mistério; mas em seguida a irresistível indiferença se abateu sobre mim, e me deixou mais duramente oprimido do que eles próprios por suas esmagadoras Quimeras.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

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EDUCAÇÃO OU CONTROLE SOCIAL?

Você já ouviu falar sobre “Controle Social”? Conhece suas funções? Sabe dcontrolesociale que meios utiliza? Controle Social significa ação e reação sobre indivíduos e grupos de modo à fazê-los deixar de agir nessa ou naquela direção. Em outras palavras, é uma forma de dirigir a  sociedade de modo a alienar o pensamento e a ação.

A primeira forma de controle social era a força. Pela natureza, observa-se que o mais forte mantém o domínio sobre o mais fraco. Essa é a lei natural! Mas, com o passar do tempo, e com os imperativos de “Ordem e Progresso” foi preciso reformular essa teoria. Quando se tem um poder coercitivo mais forte do que a força, esta não aparece como necessária. Isso acontece quando, depois de tanto tempo ouvir sempre a mesma ideia, mesmo não sendo convencionada pelo grupo, ou seja, imposta por alguém interessado na coerção, nos acostumamos ao controle social.

Temos hoje, uma nova configuração de controle social. Com o abandono da “lei da força”, foi preciso elaborar leis para que houvesse harmonia na vida social. A legislação pode mudar, mas sempre vai predominar o interesse do mais forte. Nesse sentido, as leis que são estabelecidas buscam determinar os objetivos daqueles que detém as chaves do sistema e o manipulam conforme lhes convém.

Diante disso, implantam-se os meios de controle social: o costume, a opinião pública, as ideias e padrões morais, a religião, o governo e a lei, a educação, etc. Este último meio, a educação, parece ser o mais eficiente e de maior impacto.

Desde os primeiros anos de nossa existência vamos sendo inseridos em um sistema funcionalista. A família nos dá coordenadas morais pelas quais buscamos dar os primeiros passos na convivência social. Depois é a vez da escola que nos submete ao crivo da ciência. Junto com ela, a Igreja e posterior o Estado. Se somados os anos em que passamos na escola, percebemos que, durante a fase de nossa formação identidária, ali se dão os primeiros passos.

É nesse cenário que são incutidos por meio dos programas escolares e do trabalho daquele professor que ainda se deixa manipular, os primeiros preceitos da ordem e do progresso. Toda orientação sem o critério da criticidade corre o risco de manipulação.

É interessante observar que toda a estrutura educacional se encontra subordinada à lei. Isso não quer dizer que a lei produza pessoas manipuladas por si mesma, mas se observado à quem se destina, ou mesmo, quem está interessado na proposta da lei, se verificará que o sistema é muito bem estruturado em favor dos dominantes sociais.

Controlar toda a ação que surge das massas é imperativo e sinônimo de ordem. A organização das massas surge da espontaneidade e da liberdade das pessoas que sonham com dias melhores. Esse sonho pode se tornar irrealizável quando, por força do capital se coloque os interesses de determinada classe social na frente dos outros. Pergunta-se: quem faz esse processo de seleção? A Educação.

Fomentar a critica, a participação e a formação cultural é a saída para um sistema pobre que constrói a cada dia o seu coveiro. Dizia Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade mudará”.

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

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TRANSIÇÃO OU CRISE NA EDUCAÇÃO?

Vivemos um momento de mudanças. Há quem entenda esse processo do ponto de vista fragmentado, elaborando um estereótipo do momento: a Crise. Por outro lado, há então àqueles que buscam tomá-lo do ponto de vista da complexidade e o assumem como um momento de transição. Consenso_69165415

Elaboramos uma nova pedagogia: a do diálogo. Estabelecer um diálogo, uma comunidade discursiva de falas é fundamental para a construção desse novo paradigma educacional. A pedagogia do diálogo carrega em sua bagagem a constituição do que é e do como está se realizando essa transição. A principal mudança reside na abordagem dos processos de ensino-aprendizagem.

No Paradigma moderno ou atual, os processos de ensino aprendizagem apontam para uma abordagem de transmissão do conhecimento. Transmitir implica em um receptor. Na escola, professores transmitem e alunos recebem. Assim, acontece uma relação de Sujeito è Objeto, onde o transmissor (Sujeito-Professor) determina o objeto a ser transmitido, bem como o seu significado. Já o Objeto (receptor-aluno) apenas o assume em uma hipótese de acúmulo de conhecimento.

Surgem diversas críticas sobre essa concepção. A maior delas vai ao encontro da Teoria da Ação Comunicativa de Jurgen Habermas. O Filósofo propõe uma guinada histórica nesse processo. Antes de mais nada, Habermas propõe como método a comunidade discursiva de fala, ou seja, é um espaço onde se considera as diferentes opiniões, culturas, entendimentos, etc., e, sob a pretensão de se chegar à um consenso, constrói-se uma nova relação: Sujeito çèSujeito. Note, que antes o que apenas ia, agora também retorna. Isso quer dizer, ensinar e aprender é um feed back constante. As trocas são fundamentais. Muito mais que elas, o confronto epistemológico no sentido de, tanto o professor quanto o aluno estarem abertos à discussão. Nesse método há a construção, desde os planos de trabalho interdisciplinares, quanto às metodologias utilizadas. A partir dessa proposta, o aluno não apenas recebe, mas dentro de sua disposição natural e desejo de conhecer, participa efetivamente da construção do professor. Sim! Para muitos um desafio: construção do professor! Vale lembrar que, a visão moderna do ensino assentado sob a premissa da autoridade se desconstrói e, no lugar dessa, nasce um novo papel docente: o neomoderno.

A Pedagogia Neomoderna quer reconstruir a Modernidade, mas de uma forma à repensar quais foram os pontos falhos, não na intenção de corrigi-los, mas de reconfigurá-los. Diante dessa urgência, reconfiguram-se os papéis políticos, pedagógicos e sociais dos professores e alunos.

Pedagogicamente, alteram-se as disposições que dão domínio de classe, ensino, postura profissional por meio da autoridade delegada ao professor. O professor é apenas, como dizia Sócrates, um “parteiro” de ideias. As ideias estão/são produzidas pelo aluno, mas sempre é necessário um “trabalho de parto” para orientar o nascimento das mesmas.

Dessa forma, a Crise, conceito exagerado e extremo, toma a dimensão da transição que, para um sistema que arruína, outro que nasce! Ao novo, delega-se a competência, habilidade, formação continuada e responsabilidade política e social, uma vez que a transição exige amadurecimento e postura profissional.

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

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A INDISCIPLINA E A ESCOLA

indisciplina O fenômeno indisciplina tem feito professores e pais escravos de sua condição de educadores. Infelizmente contemplamos diariamente, seja à luz, seja às escondidas, focos de indisciplina. De uma maneira geral, observa-se que a indisciplina carrega em si uma bagagem social, ou seja, o indisciplinado não é fruto apenas dessa ou daquela instituição. Na maioria dos casos, observa-se que a indisciplina é fator resultante da somatização de vários processos, ou seja, por vezes do excesso de liberdade que se converge em libertinagem; por outras, carência de responsabilidades.

Muitos são os casos que cotidianamente são visualizados pela mídia com o enfoque no fator “violência”. Indisciplina gera violência! Basta observar professores e colegas de classe agredidos, seja verbal ou fisicamente, pais violentados, ameaçados, bifurgados entre a vida e a morte. Esses pais, pobres pais, não desistem de lutar pela vida de seus filhos. Muitos de seus filhos estão envolvidos com fatores externos à disciplina familiar e escolar, ou seja, o uso de drogas, pequenos delitos, imprudências sociais em seus comportamentos, entre outros.

Há um reclame exagerado pela ação dos Conselhos Tutelares, mesmo que partindo do ponto de vista da má compreensão do Estatuto da Criança e do Adolescente. Punição? Será a solução? Quais medidas adotar tendo em vista essa problemática? Uma coisa é certa: deixar como está, não dá!

Tem-se em evidência que a prerrogativa básica “empurrar” o problema de uma instituição social para outra não tem resolvido e eliminado com a ação indisciplinar. No entanto, essa medida parece ser a mais utilizada, seja pela família, seja pela escola. Outra, que não tem feito efeitos é quando uma instituição assume determinada causa buscando estudá-la e resolvê-la, de outro lado, a outra instituição cria uma “bolha” com baixa visibilidade e excessiva superproteção.

Diante dessas duas medidas, há que se congratular ainda aqueles que insistem no trabalho de “formiguinha”. Bater de frente com uma geração que se permite apenas o que lhe interessa é perda de tempo. Nesse sentido, a negociação é o melhor caminho. Não entenda negociação como “política de compensação”, ou seja, “faça isso que te dou aquilo!”. Isso nunca funcionou! E se teve efeito, foi momentâneo!

O trabalho de “formiguinha” está estruturado no método do diálogo, onde cada um faz a sua parte. A medida corretiva é o diálogo. Os agentes desse trabalho não devem prever efeitos imediatos, uma vez que o próprio trabalho também não o é.

Interagir com o sujeito a partir de seus anseios, desejos e frustrações, parece ser um bom caminho. Nunca se colocar como aquele que sabe e que está ai para dizer o que deve ou não deve fazer com sua vida. É necessário lembrar sempre que dialogar não é dizer o que se deve fazer! Dialogar é trocar com o outro experiências de vida, conhecimentos que vão além ambiente familiar ou escolar. E por último, nunca tirar qualquer conclusão ou juízo precipitado. Ninguém gosta de ser julgado; todos gostam de serem entendidos.

Esses apontamentos que coloco acima são apenas indicativos, existem outros tantos, experiências maduras que nos ajudam a refletir sobre a questão Indisciplina. Solução? Não sei. O importante é não parar de refletir, porque se isso acontecer, cada um estará fazendo sua parte para que a questão da Indisciplina fique mais aguda e mais distante de nossas possibilidades.

Não queremos controle! Queremos apenas respeito!

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

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A PRIMEIRA VEZ É FUNDAMENTAL!

amigos1Estamos iniciando mais um ano letivo de aulas. Para muitos, desejos, sonhos, perspectivas e acima de tudo, construção de um futuro feliz! Para outros, um momento nem tanto agradável. Afinal, nem todos gostam quando se fala em aulas, avaliações, etc., mas, todas essas atividades fazem parte de um processo que se julga e se entende como necessário.

No começo, o que importa? Importa começar bem! Para tanto, o planejamento é fundamental. Como ninguém gostaria de ser mal recebido na casa de um amigo que está a visitar depois de muito tempo, também na escola podemos nos sentir mal quando a nossa  primeira vez de estar inseridos nesse ambiente for desagradável. Portanto, a primeira vez é fundamental!

Mas quem acolhe a primeira vez? Com certeza, alguém que já foi acolhido alguma vez. Desenhamos em nosso trabalho docente a forma como entendemos o ambiente em que trabalhos. Assim, se o professor mal acolhido, seu desenho evidenciará o testemunho de tamanha decepção. Enfim, seja quem for, professor, alunos, funcionários, direção, pais, comunidade educacional, todos devem ser bem acolhidos. E ser bem acolhido não significa apenas um bom dia no portão de entrada da escola; ser bem acolhido significa começar bem!

Assim, quando se começa bem se tem significado ao que se vai fazer, se presume que ali seja um bom lugar para estudar, fazer amigos, compartilhar sentimentos, emoções, angustias e muitos sonhos, até quem sabe, para muitos, uma paquera.

Dessa forma, a primeira vez é fundamental! Quando entramos em contato com nossa escola, seja pela primeira vez, seja um retorno depois das férias, devemos nos acolher mutuamente para que todos quantos estejam ai, sintam-se acolhidos.

Depois da acolhida, nada melhor, mais necessário do que continuar o encantamento e os desafios com o processo de aprender. Justamente, se vai à escola para aprender e, aprendendo, ensinar! É nessa troca que vão se constituindo mutuamente os processos de acolhida nas escolhas. A maior acolhida é a descoberta de novos caminhos do saber, o enfrentamento de novas situações problemas e o contato e a troca com o outro que enquanto aprende conosco, também nos ensina.

Assim, todos os dias é o dia da primeira vez na escola! O desafio é o sabor do novo!

Desejo, desde já, ao inaugurar essa coluna sobre temas em educação, um ótimo ano letivo imerso em desafios constantes que fazem nossa vida discente e docente ser reconstruída à todo momento!

Contínuas trocas de saberes à todos!

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

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OS ADOLESCENTES E A ESCOLA

Estamos iniciando as atividades escolares 2010. Junto à essas, as reclamações dosrudineinaURIcomterceiroano adolescentes em relação ao retorno às aulas. Mas, o que fazer para que a escola se torne um espaço agradável? Será que nós, educadores, pais e professores podemos contribuir para isso? Dou algumas dicas:

Realidade: Muitas vezes, por ser cheia de normas e regras a escola acaba negando os espaços de liberdade para os adolescentes, tirando o significado de os mesmos estarem aí. Sabemos que as normas e regras servem para orientar, mas, quando exageradas podem causar danos ao aprendizado e significado da escola. Muitos tentam superar este mal estar gazeando aulas (sentam nas últimas cadeiras, escrevem bilhetes, planejam o final de semana durante as aulas, etc). Devemos então estar atentos aos desejos, sonhos, perspectivas, interesses dessa galera, buscando-os e atribuindo-lhes responsabilidade sobre a realidade da escola. Conhecemos realmente essa fase da vida?

Compreendendo: Na adolescência, muitas vezes, outras descobertas são mais importantes que o estudo. Isso se deve à fase de descobertas afetivas em que os mesmos se encontram. Nesse sentido, a escola passa a ser um ponto de encontro, ou ainda, um espaço onde as diferentes sexualidades, interesses e grupos se relacionam. Assim, a escola pode ir ao encontro dessa dinâmica, utilizando-se desse pretexto para a construção de conhecimento. Como diz o ditado “não adianta coçar a cabeça, se a coceira está no pé”. É necessário focalizar as atividades. A partir disso, surge o entendimento, ou seja, ao invés de nos incomodarmos com eles, devemos nos aproximar para potenciá-los criativamente.

Organizando: É possível começar a mudança no ambiente escolar? Se você respondeu sim, pense bem, pois é necessário seu engajamento, seja você pai, mãe, responsável, professor, ou até mesmo estudante. A mudança não depende exclusivamente dos professores! É necessária a conscientização dos pais, pois eles também fazem parte do processo educacional. Já em relação aos adolescentes, a consciência deve partir da ideia de que não se estuda somente pela “nota”, mas a compreensão de que o esforço pode ser recompensado pela construção do saber, compreensão de mundo, convivência com colegas, possibilidade de agir coletivamente…entre outros. Será possível essa ideia?

Recriando: Estudar é muito mais que frequentar aulas. Estudar é envolvente, pois coloca diante de nossos olhos os confrontos sociais, seja da escola, seja em casa. Estudar é a possibilidade de se renovar, mudar de ideia constantemente, criar, descobrir, recriar e, necessariamente é um desafio muitas vezes chato e cansativo. Recriar os espaços escolares é participar junto, ser co-responsável pelo desenvolvimento das atividades.

Transformando: À medida em que conhecemos a realidade, compreendemos quem dela convive, organizamo-nos para enfrentar os seus desafios, recriamos os espaços de aprendizagem dando-lhes o devido significado, estamos transformando a nossa maneira de ser, pensar e agir. Assim, o novo está aí. Ajude os adolescentes a se organizar, mudando atitudes com determinação e empenho, mas acima de tudo, os compreenda.

Por fim, comece a mudança por você! Você é o espelho das futuras gerações. E se o espelho não reflete bem a realidade, o mundo adolescente fica bem mais embaraçado. Lembre-se: Um gesto vale mais que mil palavras! Sucesso!

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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TEORIA POSITIVISTA-FUNCIONALISTA: “O IDEAL É TUDO PERMANECER SEMPRE COMO ESTÁ!”

sistema Existem basicamente duas grandes teorias no estudo da Sociologia: A Teoria Positivista-Funcionalista e Histórico-Crítica. Abordaremos a primeira, também chamada de Positivismo.
O Positivismo, corrente de pensamento assim chamado porque pressupõe que a realidade é tal e qual está ai – colocada, posta à nossa frente, assume que não há outra proposta além da que já existe. Ou seja, o que for considerado projeto alternativo à realidade, deve ser deixado de lado, pois representa uma anomalia social, uma utopia, algo que do ponto de vista positivista vem a desencadear a ruína social. Então, o ideal é tudo permanecer assim como está. Acrescenta-se ao espírito positivista a noção funcionalista. Quer dizer que, além de tudo permanecer como está, é necessário que esteja funcionando.
A teoria funcionalista assume que tudo o que existe tem sua função. A vida social é um organismo e, cada agente social é um membro desse processo orgânico. Em outras palavras, aquele que não estiver presente nesse organismo, nesse sistema, deve ser eliminado. A coisa deve funcionar, pois conforme o positivismo-funcionalista tudo o que ai está tem sua finalidade.
Nesse paradigma podemos assumir que até a pobreza tem a sua razão de ser. Um sociólogo americano disse que a pobreza é essencial para a sociedade, pois ela também tem suas funções. E não vamos longe, entre nós, já existem pessoas que buscam justificar as desigualdades sociais e a pobreza por esse argumento. Nada pode desequilibrar o funcionalismo do sistema. As pessoas que compartilham dessa visão são aquelas que pensam o mundo organizado, nada está fora das funcionalidades impostas pelo sistema.
Aqui aparece um problema ético: toda diferença quando parte a existir representa uma anomalia, não presta! Deve ser eliminada. Por isso, quando algum movimento social, ou mesmo algumas instituições buscam mexer ou mudar algo nesse sistema pré-estabelecido sua ação é julgada como antiética, uma vez que busca desagregar as funcionalidades da ordem social.
Esse sistema precisa encontrar mecanismos para sobreviver e manter sua hegemonia: se utiliza das instituições sociais, entre elas a academia. É no Ensino Superior que as teorias se explicam, se garantem e se legitimam. Compete junto à ela, todo o aparato educacional, ou seja, família, escolas, Igrejas, Clubes, partidos políticos, etc., todos esses lugares supostamente para “fazer a cabeça” das pessoas a partir dos pressupostos de um modelo que busca se manter e que, de todas as formas, interessa à poucos.
Ficam perguntas: Em que tipo sociedade você quer viver? Quer pensar igual à todos ou prefere sua força de opinião? Se você não consegue pensar diferente, você nunca irá mudar; não mudando, não pode desejar algo diferente para você e para seus filhos.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

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A PEDAGOGIA DAS CENTOPEIAS

Vivemos um momento caracterizado pela liberdade de expressão. Em the_wallartigo recente no Jornal Zero Hora (N.º 16234 – 02/02/2010), na Seção de Artigos, encontramos afirmações sobre a questão se o professor aprende ou não com os alunos. Naquela coluna jornalística a afirmação era de que nada os professores aprendem com seus alunos. Apenas os alunos devem aprender com os professores. E por fim, ainda resta a afirmação de que aqueles que procedem considerando que a aprendizagem ocorre na troca de conhecimentos entre professores e alunos são constituintes da chamada “pedagogia das centopeias”; ou seja, tem muitas patas e vivem se arrastando.

Discordo! Sempre fui defensor de que o novo paradigma da educação a ser construído aponta para o consenso intersubjetivo, ou ainda, é a partir do entendimento entre as esferas educacionais, seja no processo de gestão escolar, seja na própria sala de aula quanto ao relacionamento de ensino-aprendizagem entre professor e aluno que se fazem relacionar o verdadeiro significado da educação.

Escola não é cinema, teatro, ou coisa do gênero! Escola é lugar de participação! Ninguém vai na escola apenas para assistir aulas. As aulas são construídas pela interação do professor e aluno e vice-versa. Como então sustentar um ponto de vista tão antiquado quanto ao da pedagogia das centopeias?

Outro aspecto importante à considerar é a possibilidade de mal compreendido o processo de construção do conhecimento pode dar a impressão de estar se “arrastando” feito centopeia. Não é morosidade no processo, apenas faz parte pois os tempos e espaços de aprendizagens são diferentes de pessoa para pessoa. Não se pode trabalhar em escola com espírito de empresa, ou seja, metas precisam ser alcançadas, mas padrões não podem ser estabelecidos. Padronizar, rotular é ao mesmo tempo voltar no tempo. Portanto,  essa interpretação feita pelo artigo de Zero Hora não merece crédito daqueles que acreditam em educação.

No entanto, afirmar que somente aluno aprende com professor é acentuar o caráter de memória. Volta-se no tempo em que aprendizagem estava ligada à capacidade que o aluno tem de decorar coisas – acumular informações em sua memória. Deus me livre! Prefiro acreditar que estamos andando no caminho certo! Se for valido o critério da memória, pobre povo brasileiro, que nota teria na escola da vida? A justificativa se dá porque se esquece em questões de semanas ou mesmo meses o que aconteceu no cenário político, econômico, social, etc.

Quem escreveu aquele artigo foi um professor, com certeza o mesmo nunca foi educador. Ser educador implica em aprender ensinando. Negar a possibilidade de aprender é se transformar em um ditador! Você não gostaria de ter um professor, um pai, um presidente, um chefe ditador? Por enquanto, prefiro a pedagogia do entendimento.

Precisamos construir uma educação baseada na aprendizagem multicultural, ou seja, o aprendizado é uma competência sendo considerada a partir do ouvir as “vozes” de todas as culturas, jeitos, religiões, tradições, etc. Jamais nos considerarmos donos do saber! Antes disso, prefiro ser uma centopeia.

Link para Artigo de Zero Hora: ZH - A Pedagogia das Centopéias

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

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DISCUTINDO A GERAÇÃO DELIVERY

The small businessmanCompromisso e responsabilidade são palavras que atualmente não fazem muito sentido para a geração delivery. A geração delivery é o momento do já pronto, do descartável, da produção rápida e do rápido consumo, das relações rápidas. Tudo é tão rápido que nada merece reflexão, muito menos compromisso e responsabilidade sobre o que se faz nesse universo da velocidade.

Eles estão em toda parte! São os jovens filhos dessa geração. Para quem não é pertence à ela, por ela é visto como “lento” demais.

Essas pessoas assistem TV ouvindo rádio e ao mesmo tempo teclando em seus computadores. É a geração que fala com a mãe, com o amigo no Messenger e ainda com a namorada no telefone. Tudo ao mesmo tempo! Foi-se o tempo em que diziam que as mulheres podem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Essa geração faz muitas coisas ao mesmo tempo.

Os contatos de tão rápidos, chegam a ser superficiais. Ficar é dar um beijo sem saber o nome da outra pessoa, a idade, o que faz da vida, opção sexual, etc. O tempo é tão líquido que chega a escorrer pelo ralo do esquecimento. Tudo é “momento”.

Diante de toda essa velocidade, é preciso parar. Quem é pai de um ‘delivery’ precisa saber que, aquele jovem que recebe tudo “caidinho do céu”, sem qualquer tipo de conversa, proximidade, sem ter que ouvir aquele antigo blábláblá dos pais, sente-se inseguro, solitário e, poder ficar deprimido pois visualiza-se em uma situação de desamparo – sem ninguém.

Em virtude dessas transformações sociais, como por exemplo o surgimento da delivery, os pais e professores se tornam mais compreensivos, toleram mais…agem com mais liberdade e permitem maior expressão sexual, ideológica. Enquanto o amadurecimento da geração anterior acontece, a geração delivery está angustiada, stressada, deprimida diante das escolhas profissionais e com dificuldade para desabafar.

O que fazer? Não podemos ficar insistindo em ressuscitar o passado. O que passou, passou! Mas também não podemos esquecer que aquilo que passa nem sempre é esquecido. E se não foi esquecido é porque é importante. Isso é o que devemos fazer: valorizar os aspectos positivos, repensando os negativos. Quem sabe a geração delivery não seja apenas uma rápida transição entre àquilo que é considerado antiquado e o tão sonhado novo?

Outrossim, pais e professores devem estar preparados para encarar essa mudança como um desafio. Modificar os métodos de ensino sem perder a essência daquilo que se pretende. Já a família, não pode esquecer que é uma família. No entanto, não é apenas o poder que circula os laços afetivos, mas principalmente a capacidade de amar de cada um. E a geração delivery é carente de amor.

Se você tem um delivery em casa, converse com ele. Busque entender, afinal, fomos os deliverys de nossos pais, agora nossos filhos são nossos deliverys.

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